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Dos 36 homicídios do último final de semana, 20 das vítimas não tinham passagens pela polícia

As vítimas eram jovens que estavam em via pública, próximas de suas casas conversando com amigos e vizinhos quando chegaram os assassinos e atiraram contra eles 07/08/2015 às 11:44
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Moradores e testemunhas recolheram cápsulas e projéteis de PT .40 em alguns locais onde os crimes aconteceram. A maioria dos crimes têm característica de execução
Joana queiroz Manaus (AM)

A polícia admitiu que das 36 pessoas que foram assassinadas no final da semana passada, 20 deles não possuíam passagem pela polícia e não respondiam processos na Justiça, ou seja, eram inocentes, e apenas 15 deles tinham envolvimento com o crime.

As vítimas eram jovens que estavam em via pública, próximas de suas casas conversando com amigos e vizinhos quando chegaram os assassinos e atiraram contra eles. As investigações feitas pela polícia já identificou que as mortes foram praticadas pelo menos por quatro grupos de criminosos que, pelas quantidades de tiros que fizeram contra as vítimas, demonstraram que estavam com o desejo de matar.

O horário com maior número de homicídios foi entre 23h e meia noite, com sete e seis assassinatos respectivamente.

Os primos Rodrigo Anderson Carvalho Soares, 26, e Paulo Nazareno de Souza Filho, 32, conversavam na esquina da rua onde moravam, na Nunes Cardoso, bairro São Francisco por volta das 23h quando foram surpreendidos com dois homens que chegaram em uma motocicleta CG de cor branca e placa não identificada. “Perderam, perderam” gritaram os homens que foram logo atirando contra os primos. Eles morreram na hora.

De acordo com os familiares, que moram na mesma rua, os matadores usavam coletes balísticos e cobriram o rosto com capuz antes de começar atirar.

“Aqui tem uma área que é conhecida como ‘área vermelha’, mas nós que moramos aqui há anos não temos envolvimento com o crime. Posso garantir que mataram dois inocentes”, disse o motorista Raimundo Neto, tio das vítimas. Os dois trabalhavam, tinham famílias e nem moravam no bairro, eles estavam visitando suas mães, tios e primos.

Diego da Silva Lira, 18, e o colega Jhonatan Nobre Aguiar, 23, estavam conversavam na calçada da casa de um vizinho, na rua Dr. Gama e Silva, Zumbi 1, Zona Leste, por volta de 00h30, quando chegaram uma motocicleta e um Siena de cor preta. Os que estavam na motocicleta fizeram vários disparos e mataram os dois. Jhonatan trabalhava como chapeiro e Diego trabalhava como pedreiro. O sangue e as cápsulas de bala calibre PT. 40 ficaram espalhados no local.

O dançarino Anderson Sales Soares, 31, foi assassinado na noite de sexta-feira para sábado com um tiro na cabeça enquanto lanchava em um estabelecimento na rua Gabriel Gonçalves, bairro Aleixo, Zona Centro-Sul, por volta de 1h. A dona do estabelecimento, Rosimeire da Silva 37, afirma que nunca havia presenciado uma situação como aquela.

“Foram vários tiros. Dá pra ver na parede as marcas. Eu estava dormindo quando ouvi o barulho. Quando corri pra cá, vi ele caído no chão”, disse ela.

Blog Sérgio Fontes Secretário de Segurança Pública

Isso (as mortes em série) não vai mais acontecer. Reconhecemos que entre os que morreram havia muitos, ou a maioria, era pessoas inocentes. Alguns tinham envolvimento com crime, estavam respondendo processo na Justiça e outros com passagem pela polícia, por roubo, tráfico e homicídio, mas a maioria não.

Alguns eram usuários de droga, mas isso não quer dizer que eram criminosos. As investigações estão adiantadas e todo o sistema vai gerar um alerta para quando ocorrer uma morte estaremos prontos para reprimir. Há suposições de que pelo menos quatro grupos participaram dessa mortandade.

Nós vamos identificar os autores e prendê-los seja quem for, para que não crie a sensação de impunidade. Nesse fim de semana estaremos com duas operações nas ruas a operação Pescador da Polícia Civil e a operação Presença da Polícia Militar e Secretaria de Segurança. O que ocorreu foi uma falha nossa, mas que já está sendo corrigida.

Medo de denunciar à polícia

O receio das famílias irem à Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) para cobrar da polícia o esclarecimento para as mortes de seus entes queridos tem dois motivos. O primeiro é que ainda estão com medo, temem represálias, pois ainda não sabem quem praticou os crimes. O segundo é a descrença nos órgão de segurança. O delegado da Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) Davi Lucas até ontem só havia conseguido ouvir os familiares de uma das vítimas. A família teve que ser convencida por um investigador da importância de seu depoimento para as investigações.

A família de Rodrigo Anderson e Paulo Nazareno disse que não vai a delegacia. Para eles os assassinos são policiais e isso não vai trazê-los de volta. Da mesma forma, a família do industriário Tiago Peres Castro, 25, assassinado a tiros por volta da meia-noite de domingo, na rua Engenheiro Vilar, São José I, Zona Leste, não vai à delegacia. “O meu sobrinho era trabalhador e estava com os colegas na hora que foi morto”, contou a tia.

A família de Jhonatan Nobre disse que fechou a casa desde quando terminou o velório. A família de Cosmo Paulo, que morava na rua Jenipapo, comunidade Celebridade, Zona Norte também mudou de endereço. Na parede da frente da casa ainda está machada com o sangue da vítima.

Matadores em carro e moto

O terror e a sequência de assassinatos acabaram na manhã de segunda-feira com a morte de Erivelton Santos da Costa, executado com 10 tiros na porta de sua residência, na rua Sacacá, bairro Jorge Teixeira, Zona Leste.

O crime ocorreu, por volta de 10h30. Testemunhas relataram que a vítima varria a frente de sua casa quando foi surpreendido por dois homens em um veículo de cor preta e placas não identificadas.

Uma terceira pessoa ficou no carro. Os dois invadiram a casa da vítima e dispararam à queima-roupa. Os moradores informaram que os pistoleiros usaram dois revólveres calibre 38 para executar Erivelton. Segundo testemunhas, a vítima ainda tentou se defender com o cabo de vassoura, mas sem sucesso.

Em consulta ao site do Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Erivelton não respondia a nenhum crime.

O ex-presidiário Joelson Martins Ramos, 27, foi assassinado com três tiros diante dos irmãos e sobrinhos. O crime aconteceu na noite de sexta-feira, na rua Dr. Rezende, também no Zumbi por dois homens que chegaram em uma motocicleta. Ele era sócio com o irmão em uma empresa de serviços gerais. Os matadores foram dois homens que estavam em uma motocicleta.

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