Sábado, 20 de Abril de 2019
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READAPTAÇÃO

Doze peixes-bois passam por avaliação antes de voltarem aos rios do Amazonas

Projeto de reintrodução dos animais na natureza avalia condições físicas dos que estão em semicativeiro


30/01/2019 às 03:59

Encarar o ambiente selvagem dos rios  novamente é o passo final da readaptação de 12 peixes-bois resgatados de situações de risco que serão selecionados pela equipe do Projeto Mamíferos Aquáticos da Amazônia, executado pela Associação Amigos do Peixe-boi (Ampa) em parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTIC).

A etapa chamada “captura” iniciou na última segunda-feira e acontece até amanhã. A captura tem como objetivo analisar de maneira clínica cada peixe-boi para seleção e, posteriormente, soltura à natureza. A captura dos animais é feita dos tanques do semicativeiro localizados na Fazenda Seringal 25 de dezembro, no município de Manacapuru – distante  73 quilômetros de Manaus.

“Analisamos a condição clínica dos animais para saber quais são os que têm o maior potencial para serem soltos. Animais clinicamente saudáveis que também não vão contaminar as populações de peixes-bois selvagens... (esse) é um dos principais critérios para definir os animais para a soltura”, afirmou o responsável pelo Programa de Reintrodução de Peixes-bois, o biólogo Diogo de Souza.

A etapa conta com a atuação de 15 pessoas entre pescadores, biólogos e veterinários. Dos 25 peixes-bois que atualmente vivem no semicativeiro, fase intermediária do processo de adaptação, 12 serão escolhidos e voltarão brevemente aos rios. O biólogo destacou que, após a captura, é feita uma série de exames.

“É uma bateria de exames tanto de bioquímica quanto hemograma completo, mas também exames de sorologia para avaliar se o animal teve contato, por exemplo, com toxoplasmose ou leptospirose. Também coletamos fezes para verificar se os animais têm algum parasita ou não”, acrescentou.

Além desses exames, é realizada a biometria básica dos peixes-bois, como o peso e o comprimento dos animais. Depois da todo o processo de coleta, as análises vão para Universidade de São Paulo (USP).

De acordo com o biólogo, com base nos estudos de cativeiro, os profissionais já possuem uma base de quando os peixes-bois estão saudáveis.  “A gente já tem análises de sangue básica, sabemos o que é um padrão de condição boa para o peixe-boi. Então, a gente consegue fazer essa comparação e saber se o animal está clinicamente saudável ou não”, afirmou.

Após a avaliação de cada peixe-boi, eles serão levados para um lago menor onde ficam em torno de 20 a 30 dias, até a saída dos resultados dos exames. “Acredito que até o início de março, nós já estaremos levando eles para soltar no rio Purus”, acrescentou Diogo. Os 12 peixes-bois devem ser soltos na Reserva Piagaçu-Purus.

Após a soltura

Depois que os animais são soltos na natureza, a equipe da Ampa continua o monitoramento por meio da técnica de radiotelemetria. Diogo afirma que após um ano, é possível ter certeza se os peixes-bois conseguiram ou não se adaptar ao ambiente natural. “A gente adapta um cinto-transmissor no pedúnculo caudal do peixe-boi. Esse equipamento tem a capacidade de monitorar os animais por ate dois anos. Quem faz esse monitoramento diário no campo são assistentes e moradores lá do Piagaçu Purus”.

Lago tem 25 animais

Atualmente no lago de semicativeiro do projeto, em Manacapuru, estão 14 fêmeas e 11 machos, que saíram do cativeiro do  Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Manaus juvenis ou adultos para conseguir readapta-se à vida selvagem dos rios amazônicos.

A saga das quatro fêmeas

Em outubro do ano passado, A CRÍTICA acompanhou a translocação de quatro peixes-bois fêmeas para o mesmo semicativeiro, a “Iúna”, “Ajuricaba”, “Puraquequara” e “Anibá”, foram os últimos realocados e também devem passar por exames para saber se estão em condições de voltar aos rios.

 ‘Meio termo’ entre tanques e  os rios

O semicativeiro é um processo intermediário entre os tanques do Instituto de Pesquisas da Amazônia (Inpa) em Manaus e a readaptação natureza. “Nas primeiras tentativas de solturas do projeto peixe-boi, a gente devolvia os animais diretamente do cativeiro para a natureza. E percebemos que os animais tiveram várias dificuldades de se adaptar as condições dos rios”, contou o biólogo Diogo Souza, do programa de reintrodução dos mamíferos na natureza.

Dada a dificuldade por parte dos animais, foi necessário revisar protocolo de soltura e criada a etapa intermediária, na qual existe o semicativeiro.  “Tem sido bem importante para a adaptação dos animais e o sucesso deles, posteriormente, na natureza. Esse estágio é para que os animais tenham um contato com as condições naturais do ambiente, mesmo que de forma controlada”, acrescentou o especialista.

Na fazenda, os caseiros também ajudam nos cuidados com os peixes-bois. Eles quem alimentam e monitoram os animais. “Nós alimentamos eles do jeito que é necessário. E também todos os dias, de manhã e a tarde, nós acompanhamos o movimento deles. Caso a gente veja algo de errado, acionamos os profissionais do Ampa, temos o contato direto”, contou Madson Fernandes, mais conhecido como Seo Maués, de 49 anos.

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