Quinta-feira, 05 de Dezembro de 2019
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Durante a COP 21, Amazonas pede reconhecimento mundial

José Melo discursa no Amazon Solutions Day e anuncia esforço para atrair financiamento internacional



1.jpg O governador do Amazonas, José Melo (à direita) quando falava ontem no Amazon Solutions Day, na COP 21, em Paris
08/12/2015 às 12:45

Brasil, Colômbia, Peru, Equador, Bolívia,Venezuela, deram o tom das conversações nos debates sobre o tema amazônico em Paris, no Amazon Solutions Day, evento internacional ocorrido na Universidade de Columbia (campus parisiense). Com autoridades ambientais do porte de Jeffrey Sachs, que disse “não esperar que os resultados da Cop 21 fiquem em um nível compatível com a necessidade de limitar o aquecimento global a dois graus centigrados no século”. 

Sua declaração foi uma ducha de água fria nos otimistas de plantão, mas também representou um claro sinal de que em Paris, dificilmente, se chegará a um consenso sobre o clima no planeta, em que pese a boa vontade da maioria dos chefes de Estado presentes na abertura da conferência do clima.



Mas se por um lado houve um alerta grave sobre o que pode acontecer na Cop 21, que encerra no próximo dia 11, por outro, os especialistas da Amazônia continental apontaram saídas concretas para melhorar o relacionamento dos países que formam a maior floresta tropical do planeta.

A diretora geral do Sinchi colombiano (equivalente ao Inpa de Manaus), Luz Marina Cárdenas, disse que “é na floresta amazônica que se encontra a maior parte das respostas aos problemas de saúde do planeta, dentro da gigantesca biodiversidade vegetal. Estamos trabalhando pela ciência em parceria com o Brasil (Inpa) e outras instituições da região nesta direção”, comentou.

Juan Fernandez Reyes, diretor geral da Articulação Regional Amazônica (ARA), instituição que reúne mais de 50 ongs panamazônicas, disse que a comunidade internacional da região precisa estar unida, para protagonizar o sucesso da reversão da devastação florestal em grande escala, junto com a sociedade, e que o exemplo do Brasil, no que se refere ao controle do desmatamento é fundamental para os ouros países da região.

O superintendente da Fundação Amazonas Sustentável (Fas), Virgílio Viana, destacou que a ONU tem trabalhado para encontrar o ponto de equilíbrio das florestas do planeta, através das lideranças locais; e que o evento teve esta finalidade dentro da representatividade dos membros participantes, à luz da Cop 21.  

José Melo cria força tarefa ambiental

O governador José Melo colocou em cheque a banca internacional que financia os projetos ambientais pelo mundo afora, ao dizer que o seu Estado com apenas 1% de desmatamento histórico, os outros 2% são onde estão as cidades e comunidades em geral, não pode ser penalizado por preservar.

“Será que vão esperar que o povo da nossa floresta provoque destruição, para verem que precisamos de ajuda para construir escolas, hospitais, cadeias sustentáveis de produção de peixe em cativeiro e fruticultura em grande escala. Creio que não, e nem é esse o nosso propósito. Queremos reconhecimento pela preservação da maior floresta tropical do planeta, onde somos responsáveis por 97% da manutenção de sua cobertura vegetal somente no Amazonas, o Estado com mais florestas contínuas da Terra”, disse na COP 21. Melo declarou, ainda, que está criando uma força tarefa ambiental de porte internacional para trazer ao Amazonas, as mais importantes autoridades ambientais; agentes financeiros que atuam na área; e lideranças globais em floresta e sustentabilidade em janeiro de 2016.

Governador pede apoio internacional

“Vamos convocar o mundo para nos ajudar a fazer uma revolução de desenvolvimento regional sustentável, onde as pessoas que vivem na floresta recebam, em forma de qualidade de vida, pelo muito que estão fazendo para preservar a natureza local”, declarou José Melo. Ele reivindicou financiamentos globais para os seus projetos no Amazonas, tendo como vanguarda a psicultura e a fruticultura, bem como o manejo florestal e o restante dos serviços ambientais. O governador do Acre, Tião Viana, apresentou na COP o sucesso das iniciativas de REDD (crédito de carbono voluntário) do seu Estado. Instituições europeias como o KFW teve um papel decisivo, já que os alemães investiram milhares de euros no Acre, como disse Cristhiane Erinhaus, a principal agente do banco germânico.

Prêmio da ONU para Carauari e Manacapuru

No evento foi entregue o prêmio SDSN de Sustentabilidade, da ONU, para a Associação das Casas Familiares Rurais (Arcafar) de Medicilândia, no Pará; Coca Cola, pelo investimento no açaí de Carauari e Manacapuru; e a Universidade Ikiam (Equador) pelo projeto de infraestrutura sustentável de suas instalações.



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