Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
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Economia brasileira: Plano Real comemora 19 anos

Lançado em 1º de julho de 1994, plano combateu com êxito a hiperinflação como nenhum outro havia conseguido antes



1.jpg Em abril de 2013, era assim que estava o preço do tomate em Manaus, fato que pesou no custo da cesta básica
02/07/2013 às 09:21

Famoso por ter conquistado a tão sonhada estabilização da economia brasileira, o Plano Real completou nesta segunda-feira (01) 19 anos nesta, com a inflação acumulada do tomate  registrando 1.716,2%. Nos supermercados de Manaus, o quilo desse produto não sai por menos de R$ 8, podendo chegar a R$ 15, dependendo da variedade.

Criado em 1994 pela equipe do então ministro da Fazenda, Fernando Henrique Cardoso, durante o governo Itamar Franco, a nova moeda conseguiu o que vários outros planos econômicos não alcançaram: debelar a hiperinflação.

Segundo o economista da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Leonardo Weller, especialista em História Econômica, ouvido ontem pelo jornal “Estadão”, o êxito do Real se deve a três questões principais: liberalização comercial, câmbio estável e desindexação.

A liberalização comercial foi basicamente uma grande abertura do país ao capital estrangeiro. A medida veio acompanhada de uma taxa de câmbio estável, aumentou a concorrência aos produtos brasileiros e pressionou os preços para baixo.

Já a desindexação da economia consistiu em reduzir mecanismos de repasse automático da inflação, como os gatilhos salariais, que não permitiam que os preços se estabilizassem.

A inflação chegou a 916,46% no ano de 1994 e foi estabilizada em níveis baixos nos anos seguintes, mas não deixou de existir.

Entre 1994 e 2013, a taxa acumulada, segundo o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), foi de 332,33%. Alguns produtos, como o tomate, que se causou polêmica nas listas de compras no início deste ano, está no topo da lista dos produtos que mais subiram de preço: segundo o IBGE, o aumento acumulado é de 1.716,2% nos últimos 19 anos.

O preço das tarifas de ônibus urbano foi outro grande vilão, com alta de 684%. Em São Paulo, a tarifa subiu de R$ 0,50 em 1994 para R$ 3 atualmente.

Todos subiram

Nenhum dos componentes principais da dieta dos brasileiros subiu menos que a inflação. O feijão-carioca teve variação de 785,9% desde a criação do plano Real. Neste período, o salário mínimo subiu de R$ 64,79 para R$ 678, uma elevação de 1046,45%. Para Weller, mesmo com as recentes altas da inflação, o país não corre mais o risco de passar por uma nova hiperinflação. Isso porque a economia do País está mais inserida no conceito de economia de mercado.

Entretanto, o economista assinala que os protestos que têm tomado ruas recentemente são o primeiro sintoma de perda da “ilusão monetária”.

“As pessoas perceberam que o ganho do salário nominal (sem descontar a inflação) nos últimos anos está sendo corroído pela inflação. Houve uma queda no salário real. E isso foi percebido rapidamente”, afirma Weller.

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