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Economia colaborativa é opção em tempos de crise financeira

Eles trocaram o modelo de negócios tradicional por um onde a colaboração é a base e no qual todos saem ganhando 08/02/2016 às 09:09
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Marcus Bessa e Juliana Teles acertam os detalhes para abertura oficial do espaço colaborativo Impact Hub Manaus
juliana geraldo ---

Sair da cultura do ‘eu’ e implementar a cultura do ‘nosso’. Imagine fazer parte de um mundo onde o principal não seja a competição. Um tipo de empreendedorismo onde a networking e a troca de benefícios entre as partes seja tão (ou mais) valorizada que o lucro? Sim, é possível se alcançar essa atmosfera na rotina de trabalho. É o que acredita a economia colaborativa, também conhecida como economia compartilhada ou sharing economy.

O termo foi cunhado para identificar um tipo de gestão que contraria a forma de se fazer negócios hoje. Com uma maioria de profissionais autônomos e jovens empreendedores, a colaboração do modelo vai desde o espaço compartilhado (coworking) - onde diversos profissionais se unem para trocar ideias, experiências e trabalhar juntos - até a troca em si. O formato é pensado na troca de habilidades e porque não dizer de “favores” para que todos os lados envolvidos saiam ganhando. Sai a agressividade das mesas de negociação, entra a sinergia e o trabalho em equipe.

Mesmo parecendo utópico aos olhos mais conservadores, o modelo já tem, em sua defesa, vários negócios de sucesso em todo o mundo, sendo os mais conhecidos, o couchsurfing - serviço de hospitalidade com base na internet - e o Uber - serviço de “carona remunerada”. No Brasil também sobram exemplos como da plataforma Airbnb que permite às pessoas anunciarem ou descobrirem acomodações de baixo custo. E Manaus, aos poucos vai entrando nesse clima colaborativo. Essa semana +Dinheiro conversou com alguns desses empresários que não têm medo de ajudar uns aos outros no caminho para o sucesso.

Central de impactoParceiros em projetos variados e adeptos do empreendedorismo há alguns anos, Marcus Bessa e Juliana Teles, se debruçaram sobre o seguinte objetivo: apresentar uma nova forma de fazer negócios. “Queríamos conectar as pessoas, mas sozinhos não ‘tínhamos braços’. Foi quando entramos em contato com o Impact Hub, um projeto que existe em 80 cidades no mundo, exatamente com esse intuito - criar uma central de impacto para empreendedores”, conta Juliana Teles.

Junto com Marcus, ela acerta os detalhes para a inauguração do espaço físico onde funcionará o negócio, após longas fases de seleção para fazer parte da equipe global. “O processo demandou tempo porque não se trata só de um espaço compartilhado. A proposta inclui a criação de um ambiente mais produtivo, onde as pessoas possam se integrar e oxigenar ideias”, acrescenta Marcus.

Além do espaço, serão oferecidos cursos, eventos, serviços de profissionais diversos, como advogados e contadores e haverá um cuidado por parte da equipe para conectar melhor os membros do grupo, provocando mais sinergia entre as relações, o que, segundo eles, pode resultar em excelentes negócios.

A união faz a força Quem também resolveu se aliar em busca de benefícios para a comunidade empresarial, foram alguns donos de food trucks em Manaus Juntos, Camila Gonçalves, Fernando Vieira e Fernando Fonseca - proprietários dos trucks Veraneio, Bora Lá e Urbano, respectivamente - adquiriram o galpão e criaram o Vila Food Park, visando maior segurança e consequentemente mais movimento para seus negócios. “Vivíamos com medo de assaltos e não podemos estacionar os trucks em qualquer lugar. O ‘Villa’ foi uma excelente solução e beneficiou a todos”, avalia Camila.

Além do galpão, eles compartilham custos e também podem sublocar os espaços restantes para outros caminhões, trailers e food bikes. “Juntos somos infinitamente mais fortes”, comemora a empresária.

Voluntariado Já Wagner Cardoso, um dos sócios do Arawak Jungle Hostel, comemora dois anos se utilizando de uma das vertentes da sharing economy: o voluntariado. “A ideia partiu de uma necessidade nossa. Estávamos com poucos recursos para contratação de pessoal e muito serviço a fazer. Foi quando eu vi uma matéria na internet sobre hostels que empregavam pessoas do mundo inteiro em troca de hospedagem. Procurei as agências que fazem a ‘ponte’ com os interessados e resolvi tentar”, lembra.

No principio, os voluntários eram utilizados só para a construção da horta. Depois, passaram a fazer serviços de limpeza, cozinha, atendimento ao cliente e mais recentemente, administrativos. Em média, o hostel funciona com quatro voluntários por mês, mas já chegaram a ser 15 ao mesmo tempo e a lista de espera é grande. “Me senti dentro de um processo evolutivo da economia. Temos qualidade no serviço e uma rica troca de experiências. Os hóspedes adoram e os voluntários fazem tudo com muito empenho. Não se trata só de dinheiro. Ele já deixou de ser o ponto central há muito tempo”.

Nos Estados Unidos,

44% dos adultos já conhecem o termo ‘sharing economy’ e 8% utilizam serviços como o de transportes colaborativos (carros e bicicletas compartilhadas)

Serviço

Impact Hub
Espaço e serviços compartilhados para empreendedores
Info: 98212-2861

Arawak
Hostel próximo à praia de Açutuba
Web: www.arawakhotel.com

Villa Food Park
End: R. São Luís, Adrianópolis

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