Terça-feira, 19 de Outubro de 2021
Alta de preços

Economista alerta sobre o risco de hiperinflação

Denise Kassama critica medidas adotadas pelo governo para conter a inflação como o aumento da taxa selic, que afeta o consumo e a produção



Kassama_87AA87E0-947A-4CA6-856C-05FC3D87EFFA.jpg Para Denise Kassama, um instrumento mais adequado para alavancar a economia seria o fomento a indústria nacional
26/09/2021 às 08:27

Com a prévia da inflação para o mês de setembro ficando em 1,4%, maior patamar para o mês desde 1994, a possibilidade da volta da hiperinflação começa a ser cogitada por economistas. A vice-presidente do Conselho Federal de Economia (Cofecon), economista Denise Kassama, analisa que se nenhuma medida for tomada pelo governo federal a hiperinflação pode voltar. 

Na visão dela, o governo Bolsonaro usa a taxa de juros para tentar frear a inflação, sem sucesso. Segundo a economista, a abordagem não funciona e prejudica o consumo das famílias, um dos principais motores da economia do país. 



“Com o aumento da taxa selic (de juros) o governo passa a mensagem para a gente consumir menos e pegar o dinheiro para investir. Mas a situação das famílias já é acachapante. Na minha opinião, não é o melhor remédio, porque começa a paralisar a produção industrial. Sem as pessoas não compram, a indústria não produz. 

Para ela, um instrumento mais adequado seria o fomento da indústria local. Denise destaca que o governo já baixou o imposto de importação para facilitar a entrada de produtos produzidos no exterior, prejudicando, conforme a economista, indústrias instaladas no Polo Industrial de Manaus (PIM). 

Sem risco

O presidente do Conselho Regional de Economia (Corecon), economista Martinho Azevedo, destaca que a inflação é de consumo e afasta a probabilidade do retorno de uma inflação fora de controle aos moldes daquela sentida pelos consumidores após a retomada democrática no início da década de 90.  

“O processo inflacionário é mundial decorrente de um processo de pandemia e é o que se chama em economia de inflação de oferta. Houve realmente uma queda na oferta da maioria dos produtos e isso impactou em níveis de preço toda a economia, seja ela brasileira, ou mundial”, explica Azevedo.

Na opinião de Martinho, a chance de hiperinflação é remota porque os agente econômicos já estão atuando e que o cenário de hoje é diferente daquele do início da década de 90, por causa da aprovação da lei de responsabilidade fiscal e mais recentemente do teto de gasto, que limita o gasto público à inflação do período. 

“Se formos avaliar lá atrás as condições que alimentavam o processo inflacionário é do próprio superendividamento da economia brasileira. Para que a economia retome níveis de atividade e de consumo demanda um tempo. A ideia por trás do aumento do juro é que possa segurar um pouco a demanda, enquanto a oferta se recupera”, complementou. 

Acumulado
No ano, o índice acumula alta de 7,02%. E, em 12 meses, passou de 9,30% em agosto para 10,05% em setembro. A taxa está 6,3 pontos percentuais acima da meta de inflação de 2021, que é de 3,75%. Também está fora do intervalo de tolerância, de 2,25% a 5,25%.

O Banco Central e o Ministério da Economia reconhecem que haverá o descumprimento da meta inflacionária neste ano. Em setembro, 8 dos 9 grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE tiveram alta no mês. O maior impacto (0,46 p.p.) e a maior variação (2,22%) vieram do grupo Transportes.
A 2ª maior alta veio de Alimentação e bebidas (1,27%). Na sequência, Habitação cresceu 1,55%. Os combustíveis subiram 3% em setembro, acima de 2,02% de agosto. A gasolina teve alta de 2,85%, acumulando expansão de 39,05% nos últimos 12 meses. O etanol e o diesel subiram 4,55% e 1,63% no mês, respectivamente.


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