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Cotidiano
Propina para a arena

Eduardo Braga é citado na delação de executivos da Andrade Gutierrez

Escolha da construtora para a obra da Arena Amazônia foi na gestão do ex-governador, que diz ter recebido com indignação a citação do seu nome em ‘supostos depoimentos ligados’ à operação Lava Jato 08/04/2016 às 22:50
acritica.com Manaus (AM)

O “Jornal Nacional” divulgou, nesta sexta-feira (8), que teve acesso a novos trechos da delação premiada de executivos ligados à empreiteira Andrade Gutierrez. Eles mencionam o pagamento de propina a três então governadores responsáveis pela construção de estádios da Copa do Mundo, entre eles aparecem o nome do ex-governador do Amazonas Eduardo Braga, ministro de Minas e Energia.  Braga nega envolvimento e afirma ter sido surpreendido com a citação do seu nome como um dos beneficiários do esquema de distribuição de propina.

A delação também detalha a contribuição pra campanha da presidente Dilma Rousseff, em 2014. Segundo o documento, sete empresas doaram, no total, R$ 700 milhões. Algumas chegaram a R$ 180 milhões. A Andrade entrou com R$ 100 milhões.

Em nota publicada nas redes sociais, Eduardo Braga informa que saiu do governo em 2010, “sem ter assinado contrato e nem realizado pagamento para obras relacionadas com a Copa do Mundo, muito menos para a Arena da Amazônia”. 

Braga diz, ainda, ter recebido com indignação a citação do seu nome em “supostos depoimentos ligados à Lava Jato”. “Tenho certeza que a apuração correta dos fatos mostrará que, se tais citações realmente ocorreram, foram fruto de engano ou má fé”, registra a nota.

Apesar da obra ter sido realizada no governo de Omar Aziz (PSD), foi na gestão de Braga que a Andrade Gutierrez foi escolhida para realizá-la. O resultado da licitação foi anunciado dia 04 de março. O atual ministro, então governador, participou inclusive do lançamento da pedra fundamental, no dia 20 de março de 2010.

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Os executivos da Andrade Gutierrez dividiram as confissões em seis temas: desvios em obras da usina de Belo Monte; do Complexo Petroquímico do Rio, Comperj; da Ferrovia Norte Sul, da Usina de Angra 3; em estádios da Copa do Mundo; e em campanhas eleitorais. O ex-presidente da construtora Otávio Azevedo contou que ouviu do ministro da Secretaria de Comunicação, Edinho Silva, então tesoureiro da campanha de Dilma em 2014, que as sete empresas mais beneficiadas em contratos com o governo tinham um compromisso: cada uma deveria doar R$ 100 milhões, totalizando R$ 700 milhões para a campanha eleitoral.

A construtora já tinha repassado R$ 60 milhões e foi cobrada, segundo a delação, porque o repasse foi feito ao ex-tesoureiro João Vaccari Neto. A solução foi pagar os R$ 40 milhões que restavam a Edinho. A Andrade Gutierrez também destinou propina em obras de estádios da Copa. Do contrato do Mané Garrincha, em Brasília, saiu repasse para o ex-governador Agnelo Queiroz, do PT; da arena da Amazônia, em Manaus, para o ex-governador Eduardo Braga, do PMDB, hoje ministro de Minas e Energia. E do Maracanã, propina para Sérgio Cabral, do PMDB, então governador do Rio.

Segundo a delação, Cabral também recebeu propina de obras no Comperj. Os executivos explicaram também que a participação da Andrade Guttierrez em obras do setor elétrico foi uma compensação, uma estratégia para garantir espaço à segunda maior empreiteira do Brasil no esquema. Isso porque ela foi menos contemplada nos contratos da Petrobras, dedicados principalmente à Odebrecht e à Camargo Corrêa. 

Além de políticos, os desvios também tiveram outros beneficiários. No caso da usina de Angra 3, no Rio, segundos os delatores, a propina foi toda direcionada ao almirante Othon Luiz Pinheiro, ex-presidente da Eletronuclear. Os pagamentos foram feitos a uma empresa dele. A Aratec, que pertence ao almirante, já é investigada na Lava Jato por ter recebido da Andrade Gutierrez R$ 4,5 milhões pagos por meio de intermediários. 

OUTRO LADO

A defesa de João Vaccari Neto e do ex-governador do Rio Sérgio Cabral nega a participação de seus clientes no esquema. A Odebrecht não quis se manifestar. A defesa de Othon Luiz Pinheiro não retornou as  ligações. A construtora Camargo Corrêa disse que firmou acordo de leniência para colaborar com a Justiça, corrigir irregularidades e ressarcir prejuízos causados. O coordenador jurídico da campanha de reeleição de Dilma, Flávio Caetano, afirmou que a suposta delação premiada do ex-presidente da Andrade Gutierrez, se confirmada, é mentirosa.
 

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