Quarta-feira, 13 de Novembro de 2019
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Eduardo Braga faz análise política

Ex-prefeito de Manaus e ex-governador do Amazonas, senador fala com propriedade sobre as eleições de 2014 e dá o tom da campanha: grandes projetos para o Estado. “A vez é do povo, sempre”, avisa ele



1.jpg Eduardo Braga faz análise política
09/06/2013 às 10:57

Declarando-se “plenamente realizado” na condição de líder do Governo Federal no Senado, o ex-governador Eduardo Braga (PMDB) afirma que somente Deus, o povo e condições políticas favoráveis ao que ele entende ser melhor para o Estado o farão ser candidato ao Governo do Amazonas em 2014.

Ao mesmo tempo em que impõe condições à própria candidatura, o senador avisa a outros pretendentes ao cargo, como o vice-governador e colega de partido dele, José Melo, que ninguém se viabiliza candidato no grito: “Essa coisa de ficar dizendo: ‘ah, é minha vez’. Não. A vez é do povo”, disse Braga.



Para o ex-governador, quem mira as eleições de 2014, tem que, antes, olhar para o futuro do Estado, discutir projetos que tenham início, meio e fim. “Eu não tenho receio e nem problema de falar, com absoluta humildade, sobre tudo isso”, afirmou o senador.  A seguir, trechos da entrevista que Eduardo Braga concedeu para A CRÍTICA.

O quanto as ações do atual Governo do Estado estão alinhadas com os projetos que o senhor defende?

O Omar (Aziz, governador) tem bastante conhecimento, até porque ele foi meu vice-governador durante oito anos. E durante todo esse período ele estava lá conosco, percebendo toda essa estratégia de desenvolvimento que se está lutando por ela. E ele defende o que é o bom para o Amazonas. Obviamente, que existem pessoas que pensam de uma forma e pessoas que pensam de outra forma. Mas posso dizer que, no geral, ele tem percepção do que nós estamos falando, sim (leia mais sobre os projetos no box ao lado).

Que avaliação o senhor faz do quadro político no Estado após o resultado das eleições de 2012?

Eu sou um político que acredita muito na relação direta com o povo. A relação verdadeira de qualquer projeto para o Amazonas depende da vontade do povo. E não dá para você achar que toda eleição é uma repetição da outra. A razão de voto em uma eleição municipal é uma, numa eleição estadual é outra. Sociologicamente, são distintas. Se você for analisar, ah, o PMDB fez tantos prefeitos e o PSD fez tantos, o PT fez tantos, e achar que essa matemática é exata, muito provavelmente ela vai ser desmentida pela vontade da população em 2014. A única verdade que eu acredito é a verdade de você construir um projeto que possa ter começo meio e fim, para preparar o Amazonas melhor para o futuro. Por isso me dedico às questões estruturantes. Esta é a fórmula para o bom embate político. Essa é a grande leitura que eu tenho do processo atual. Temos que pensar nos grandes problemas e nas grandes soluções. Essa coisa de ficar dizendo: ah, é minha vez. Não. A vez é do povo, sempre. Não é minha, não é sua, não é dele. É sempre do povo.

O vice-governador José Melo  tem dito que essa é a vez dele concorrer ao cargo de governador. Só dizer que é a vez dele não basta?

Claro. Eu nem comento essa questão. Porque eu acho que não é por aí. Acho que o que nós temos que ter é um projeto que consolide nossas posições e que possam dar respostas à demanda da população. Sempre entendi que a política é em função do coletivo, nunca em função do individual.

O vice-governador não pode defender o projeto do qual faz parte hoje como sendo do coletivo também?

Claro que pode. O vice-governador pode defender todos os projetos, inclusive ele participou do meu governo. Só que é preciso ter novos instrumentos. Inovação sobre novos problemas para que a gente possa avançar nas respostas e nas demandas que a população está a espera. Debater a questão de 2014 não pode ser pela vez. Tem que ser pelas soluções dos projetos e dos programas. Isso não significa dizer que ele não possa vir a defender os projetos e os programas que aí estão. Não é isso que estou dizendo. É que, até agora, mão vi a discussão sobre esses temas que a gente está abordando aqui.

Está definida a saída do vice-governador do PMDB?

Eu só ouço isso pela imprensa, por blog. Nunca, nunca ele me comunicou. Nunca comunicou o partido. Só ouço isso de terceiros.

O senhor vai ser candidato ao governo em 2014?

Sempre disse uma coisa: o futuro e o destino de um homem público não lhe pertencem, depende da vontade de Deus e da vontade do povo. Se reunirem as questões políticas, as questões objetivas, e tendo um projeto que represente um avanço para o povo do interior, para o povo da capital, como o nosso governo representou, eu não tenho nenhum problema de discutir sobre isso. Mas isso depende da vontade de Deus e do povo.

O senhor tem contato com o ex-prefeito Amazonino Mendes? Como definiria sua relação com ele?

É uma relação cordial. Não tenho uma relação política com o ex-prefeito há muito tempo. Tenho falado aqui e acolá com ele, por telefone. Principalmente quando do problema de saúde dele. Não tenho conversado pessoalmente para tratar de política, etc. Mas reconheço no Amazonino um homem que fez história e que marcou o seu tempo. Posso discordar de muitas coisas, mas eu tenho respeito pela história política dele.

A história política dele chegou ao fim?

Ele é ainda uma peça importante. Não o vejo como uma peça fora do tabuleiro. Mas isso depende muito da vontade dele, da saúde, do desejo que ele possa alimentar. Não conversei com ele sobre temas desse tipo, portanto não posso falar por ele. O Amazonino é uma liderança que foi três vezes prefeito da capital, três vezes governador e senador da República. Portanto, merece que nós o olhemos com a experiência que ele possui.

E o prefeito Artur Neto?

É uma liderança. Tem uma segunda oportunidade para mostrar que amadureceu, que se reciclou, que aprendeu com os erros e com os acertos, porque nós somos falíveis. A gente pode errar, pode acertar, mas só o tempo dirá.

O senhor foi um dos entusiastas da Copa para Manaus. A um ano do evento, era essa a Manaus que o senhor via quando defendeu o projeto?

Olha, eu vejo com um misto de preocupação e otimismo. Otimismo porque está aí o aeroporto praticamente pronto, e tenho orgulho de dizer que participei juntamente com os companheiros da bancada para que o aeroporto fosse hoje o único em obras no País com recursos da Infraero. No entanto, andou pouco ou quase nada a questão do nosso porto. A questão do estádio está andando, mas eu tenho preocupações. Torço para que tudo dê certo. Tenho preocupações.

Quais preocupações?

É que nós estamos no mês de junho. Você viu agora o susto que passou o Rio de Janeiro. Mesmo o Maracanã com toda a sua tradição, toda a sua experiência de futebol carioca. Se você apronta muito em cima, você corre riscos. E todos os estádios que eu vi até agora aprontar, apronta, mas leva pelo menos dois a três meses consertando detalhes. É o gramado que não fica bem, é o problema externo que não está concluído, é o problema de iluminação. Ou seja, uma obra dessa envergadura tem que ter tempo para fazer ajustes, principalmente com a logística complicada que nós temos em Manaus. Além disso, nós sabemos que o Fun Park vai ser na Ponta Negra, e aí a gente tem visto como nós estamos tendo desafios por lá. Manaus não precisa estar na Copa do Mundo para não conseguir se deslocar de um ponto A para um ponto B com menos de uma hora e meia de trânsito. E mais, o Centro da cidade, no estado que se encontra... Tenho preocupações, mas torço para que tudo dê certo.

Quem são os vilões nessa história? Quem poderia ter feito mais?

Eu não vejo vilões. A realidade no Brasil é bastante complexa. Tem vários comandos de controle e de fiscalização. Tem meio ambiente. Você tem Iphan, uma serie de questões. Todas as 12 sedes estão enfrentando, bem ou mal, problemas da mesma natureza. Umas avançaram mais, umas avançaram menos. Minha preocupação não é querendo arrumar culpados. É porque nós estamos em junho, a um ano da Copa, e nesse tempo, seis meses são de sol de verão e os outros seis meses são de chuva. Temos seis meses para fazer obras.

Não houve exagero no legado prometido?

Eu vejo que o monotrilho não está jogado fora. Não está andando como a gente imaginava que iria andar, mas ele hoje não faz parte do PAC da Copa, mas faz parte do PAC. Ou seja, mesmo passando a Copa, não vamos perder os recursos. Mas veja, quando colocamos uma série de obras que seriam o nosso grande legado da Copa, foram obras que a gente imaginava plausíveis. Tanto é que várias cidades conseguiram avançar. Cada qual sabe o sapato e o calo que lhe aperta. O que nós temos que ter consciência é que nós estamos a um ano do projeto Copa do Mundo e temos que ficar atentos a essas questões.

 

O que o senhor diz do acordo que Prefeitura de Manaus e Governo do Estado fizeram para colocar o  Proama para funcionar?

Eu idealizei e construí o Proama. E o Omar concluiu. Depois tivemos vários impasses, eu já fora do governo. Uma convicção eu tenho: a solução do problema de água em Manaus passa pelo Proama. O tempo está mostrando que esta é uma verdade inexorável. Esse consórcio entre prefeitura e Estado é um modelo que eu espero que funcione, rapidamente. Nós estamos com o verão chegando. A obra está há pelo menos três anos praticamente pronta. E o povo continua sem água.

Novo modelo econômico para o interior

Apesar de considerar a Zona Franca de Manaus (ZFM) o modelo econômico de desenvolvimento regional “mais bem sucedido do mundo”, o senador Eduardo Braga disse que já estão fortalecidas as bases para o interior do Estado experimentar novos modelos econômicos.

Um dos potenciais econômicos para o interior do Estado, segundo Braga, é a agroindústria, apoiada na produção do açaí, reforçada pela já consolidada produção industrial do guaraná

“A presidente Dilma Rousseff (PT) acaba de dar 50% de desconto no IPI do açaí. Estamos muito avançados para consolidar a fábrica que use o açaí. É a famosa agroindústria, a grande fronteira para desenvolver o interior do Amazonas”, afirmou Braga.

A área mineral é outra vocação do Estado, disse o senador. “Sabemos que temos a segunda maior reserva do mundo”, lembra Braga. Para esse potencial sair do papel, diz que é preciso avançar em infraestrutura.

Para o senador, o problema energético está prestes a ser resolvido com a conclusão das usinas Jirau e Santo Antônio, no rio Madeira, aliadas à linha de transmissão Tucuruí-Macapá-Manaus, prevista para ser inaugurada nos próximos dias. “Isso viabilizará a energia que nós precisamos para poder transformar a silvinita em potássio”, afirmou.

Resolvida a questão energética, cria-se terreno também para explorar as potencialidades do gás-natural, pois a necessidade de gerar energia oriunda do gás diminuiria. “Eles poderão ser usados para a produção de uréia, produzindo nitrogênio e fazendo com que finalmente o Amazonas entre na indústria petroquímica”, aponta o ex-senador.



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