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Cotidiano
Geração ‘Alpha’

Pais falam sobre os desafios de educar os filhos na ‘era da tecnologia’

Esse é o grande desafio dos novos pais do século 21: permitir ou proibir o acesso a tablets e smartphones? 09/06/2016 às 09:17
Show f  e ivans
Fernanda e Ivanildo usam o tablet para estimular e acalmar o filho (reprodução Arquivo Pessoal)
Isabelle Valois Manaus (AM)

“Hoje as crianças nascem mexendo no celular, smartphone, tablet e computador”. Quem nunca ouviu essa frase? Com os avanços da tecnologia, ultimamente tem sido mais fácil encontrar uma criança desvendando os segredos de um novo  aplicativo do que aprendendo a dar um simples laço no tênis. Mas até que ponto o contato precoce com a tecnologia pode beneficiar ou prejudicar o desenvolvimento desses futuros profissionais? 

O casal de físicos Fernanda e Ivanildo Barros são pais de primeira viagem do pequeno Ivan Guilherme Barros, de 2 anos. Nascido na ‘era da tecnologia’, ele cresceu com os olhos - e os dedos - na telinha de equipamentos eletrônicos, que fazem parte da rotina do pequeno. Os pais disseram que não pretendem impedir o filho de ter contato com celulares, tablets e outras tecnologias, pois foi com os “dedinhos” na tela que Ivan aprendeu as letras e as formas geométricas, quando tinha apenas 1 ano.

Fernanda diz se valer da tecnologia não só para incentivar no aprendizado do filho, mas também para acalmá-lo e entretê-lo quando precisam levar o pequeno para reuniões de trabalho. “Às vezes o tablet consegue manter o Ivan quietinho, mas nem sempre funciona. Acreditamos que, com uso moderado e consciente, a tecnologia pode nos ajudar na educação do nosso filho”. 

Sem exageros

Apesar dos “avanços notáveis” promovidos com ajuda da tecnologia, especialistas alertam: a exposição intensa à tecnologia pode ser prejudicial. É por isso que os pais de Ivan não o deixam extrapolar nas brincadeiras tecnológicas. “Ele utiliza o tablet, mas sempre com controle”, reforçou Fernanda.

Mas claro que essa supervisão nem sempre é constante, até pelo perfil da família, envolvida com a tecnologia por trabalhar com a comunicação, por mídias e plataformas digitais, da Catedral de Manaus, igreja Matriz de Nossa Senhora da Conceição. O trabalho do casal faz com que eles estejam sempre “conectados”. “Certas vezes, devo admitir que quando nos damos conta, olhamos para o lado e os três estão com o celular. Daí a gente dá  aquela gargalhada, largamos os aparelhos e vamos brincar, correr ou mesmo contar uma historinha pro nosso filho. Temos consciência que, na faixa etária dele, é necessário toda a nossa atenção, pois ele está na fase de formação, de interação sentimental e social, precisa brincar, conversar, dar carinho, enfim, tudo para que ele se desenvolva de forma saudável”, comentou Fernanda.

Exposição demanda monitoramento

A  criação das crianças que nasceram na última década, expostas à tecnologia cada vez mais cedo, é envolta em polêmica. De acordo, com psicóloga Julie Almeida Gurgel do Amaral, que trabalha com Terapia Cognitiva Comportamental, essa exposição precoce oferece riscos, por isso demanda moderação e supervisão.
“A criança precisa aprender a conviver com o próximo, saber identificar as emoções, superar situações, para que, no futuro, não seja um adulto frustrado. As tecnologias devem ser utilizadas para o bem. Conhecer os aplicativos, controlar horários e evitar exposição das crianças na internet é fundamental”, alertou. 

Outra dica da especialista é que os pais acompanhem com detalhes a utilização dessas tecnologias pelos filhos, inclusive os jogos de videogame. “Entenda qual o objetivo do jogo, avalie, pois muitas vezes os jogos até aparentam ser dedicados para crianças, mas pode ter conteúdos não apropriados. Com as crianças maiores, que têm um conhecimento maior, é necessário manter o diálogo aberto, alerta para os perigos. E o mais importante: respeitar a classificação indicativa de faixa etária”.

Exposição na rede

A empresa AVG Technologies (que vende anti-vírus de computador) realizou uma pesquisa em 2014 sobre crianças que utilizavam computador, smartphone e tablets e para quais fins eram utilizado. No Brasil, a empresa descobriu que 97% das crianças entre 6 e 9 usam a internet por meio desses equipamentos e que 54% tinam perfil no Facebook.

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