Quarta-feira, 12 de Agosto de 2020
RISCO

Efeitos da pandemia de Covid-19 pode afetar avanços contra a Aids

Relatório sobre aids mostra que metas para 2020 não serão cumpridas no mundo por causa do coronavírus, diz ONU



zDIA0307-2_p01_770F80F2-21C7-482F-A9ED-02E9B5D07E51.jpg Foto: Divulgação
News thumb afp d084093c bf21 4ede 853c 0cfb6068260d AFP
07/07/2020 às 09:30

O número de mortes causadas pela aids continua diminuindo e o acesso aos tratamentos melhorando, mas esses avanços podem ser comprometidos nos próximos meses devido à pandemia de covid-19, alertou a agência Unaids ontem.

Em 2019, 690.000 pessoas morreram no mundo por doenças relacionadas à aids, contra 770.000 em 2018 e 1,7 milhão em 2004, quando ocorreu o pico da epidemia. O número de soropositivos com acesso aos tratamentos antirretrovirais não deixa de aumentar, com 25,4 milhões de um total de 38 milhões, ou seja, dois terços do total, uma porcentagem histórica.



No entanto, a covid-19 pode reverter essa tendência, alertou o relatório anual da Unaids. Segundo as estimativas de modelos recentes, a interrupção total da terapia antirretroviral por seis meses pode provocar mais de 500.000 mortes adicionais por doenças oportunistas ligadas à aids, como a tuberculose na África Subsaariana em 2020-2021”, disse a agência.

“No momento em que a propagação do coronavírus ameaça saturar o sistema de saúde e que o confinamento reduz os deslocamentos e coloca a economia sob pressão, as pessoas que vivem com HIV e as mais expostas a contraí-lo são vítimas da interrupção dos serviços de saúde e do combate” a esta doença, continuou.

Essa interrupção pode frustrar os compromissos de 2020, que se resumem na fórmula 90-90-90, ou seja, que 90% das pessoas com aids estejam cientes de sua condição, que 90% destas últimas estejam sob tratamento e que 90% deste grupo tenha uma carga viral indetectável.

Em 2019, essas porcentagens foram de 81%, 82% e 88%, com disparidades regionais.

A Unaids ficou ainda mais alarmada com as consequências do confinamento e do fechamento de fronteiras em relação à “produção e distribuição de medicamentos”. “Estimamos que o custo final dos tratamentos antirretrovirais produzidos na Índia (onde é fabricada a maioria dos medicamentos genéricos) pode disparar entre 10 e 25%”, de acordo com o relatório.

Em 2019, foram registradas 1,7 milhão de novas infecções com o vírus da aids no mundo, ou seja, uma queda de 23% desde 2010. “Isso se explica em grande parte por uma redução significativa de 38% no leste e sul da África, mas ao mesmo tempo houve um aumento de 72%  na Europa do leste e Ásia central, de 22% no Oriente Médio e no norte da África e de 21% na América Latina”, destacou a diretora executiva da Unaids, Winnie Byanyima.

“Não atingiremos a meta de 2020 de reduzir para menos de 500.000 o número de mortes e o número de novas infecções”, lamentou. A publicação do relatório coincide com o início da Conferência Internacional sobre a Aids, organizada este ano online devido à pandemia.

África

Mulheres e meninas na África Subsaariana continuam sendo as mais afetadas e foram responsáveis por 59% de todas as novas infecções por HIV na região em 2019, com 4.500 meninas e mulheres jovens entre 15 e 24 anos infectadas por HIV por semana. As mulheres jovens representaram 24% das novas infecções por HIV em 2019, apesar de constituírem apenas 10% da população na África Subsaariana.

No entanto, onde os serviços de HIV são fornecidos de forma abrangente, os níveis de transmissão do HIV são reduzidos significativamente. Em Suazilândia, Lesoto e África do Sul, uma alta cobertura de opções de prevenção combinada, incluindo apoio socioeconômico para mulheres jovens e altos níveis de cobertura de tratamento e supressão viral para populações anteriormente não alcançadas, reduziu as desigualdades e reduziu a incidência de novas HIV infecções.


Mais de Acritica.com

Sobre Portal A Crítica

No Portal A Crítica, você encontra as últimas notícias do Amazonas, colunistas exclusivos, esportes, entretenimento, interior, economia, política, cultura e mais.