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Cotidiano
POLÍTICA

Eleição: Iván Duque derrota Gustavo Petro e é eleito presidente da Colômbia

Com 54,07% dos votos, o ex-senador de 41 anos venceu com boa margem o ex-guerrilheiro Gustavo Petro (41,72%) 17/06/2018 às 18:16 - Atualizado em 17/06/2018 às 19:16
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Iván Duque. Foto: Reprodução/Internet
AFP Bogotá (Colômbia)

O direitista Iván Duque, afilhado político do ex-presidente Álvaro Uribe, foi eleito neste domingo (17) presidente da Colômbia, derrotando o ex-guerrilheiro Gustavo Petro, no primeiro e segundo turno polarizado entre direita e esquerda da história da Colômbia.

Duque obteve 53,97% dos votos, derrotando com boa margem o ex-guerrilheiro Gustavo Petro, 41,81%, com base na apuração de 98% das urnas. A abstenção foi de 48%, alinhada à média histórica de 50%.

O ex-senador Duque, 41 anos, será o presidente mais jovem da Colômbia desde 1872 e o mais votado da história do país, passando de dez milhões de votos.

Petro, de 58 anos, um ex-guerrilheiro do dissolvido grupo M-19, defendia os acordos de paz e grandes reformas para romper o histórico controle da direita. 

"Por enquanto, não seremos governo", escreveu o ex-prefeito de Bogotá no Twitter, ao reconhecer a vitória de Duque.

O prolongado conflito com as guerrilhas havia adiado por décadas o tradicional duelo entre direita e esquerda na quarta economia da América Latina.

E os colombianos se inclinaram por Duque, que promete modificar o acordo de paz que desarmou a ex-guerrilha das Farc e endurecer as condições do diálogo em curso com os rebeldes do Exército de Libertação Nacional (ELN).

Apesar de ter evitado 3 mil mortes no ano passado, o acordo com as Farc dividiu profundamente uma sociedade anestesiada por mais de meio século de violência.

Duque e Petro ofereciam caminhos diametralmente opostos sobre este e outros temas.

"Quero um país de legalidade, de luta frontal contra a corrupção, um país onde se respire segurança em todo território. Quero um país de empreendimento", afirmou Duque, ao votar em Bogotá no primeiro turno.

Exceto por surpresas, Duque recuperará a presidência para uma direita contrária ao acordo com as Farc, que deseja reduzir os impostos sobre as empresas e liderar a pressão internacional contra o governo de Nicolás Maduro na Venezuela.

Duque já conta com a maioria no Congresso e com o apoio da elite política e empresarial. 

Herdeiro político de Uribe, Duque promete modificar o pacto de paz de 2016 para impedir que os rebeldes que já entregaram as armas e estão envolvidos em crimes atrozes possam atuar na política sem antes cumprir um mínimo de tempo na prisão.

Na campanha, Duque batalhou para não parecer um "fantoche" de Uribe, embora tenha a mesma agenda: investimento privado, Estado austero e valores familiares tradicionais. Também propõe "recuperar a economia, eliminando o desperdício", mediante uma reforma para reduzir o funcionalismo público.

Impacto regional

A questão da emigração em massa a partir da Venezuela foi um dos tópicos da campanha e servirá de prelúdio para Duque para promover uma eventual reorganização política na região.

A esquerda olhava atenta para a Colômbia após as derrotas na Argentina e no Chile, enquanto México e Brasil observavam o movimento de pêndulo político colombiano, visando às suas eleições em julho e outubro, respectivamente.

Quero "cimentar a cultura da legalidade, onde se diga ao criminoso que aqui se faz e aqui se paga", declarou Duque ao votar neste domingo.

O ex-senador quer que os líderes rebeldes culpados por crimes atrozes cumpram um mínimo de pena e fiquem impedidos de ocupar as dez cadeiras reservadas às Farc no Congresso.

Vencedor do primeiro turno com 39% dos votos, Duque tem experiência política de quatro anos. Embora tenha se destacado no Senado, chegou ao Parlamento por uma lista fechada liderada por Uribe.

"Nada é dele, tudo foi alavancado pelo capital político que o ex-presidente Uribe tem", garantiu Fabián Acuña, cientista político da Universidade Javeriana.

Duque pretende recuperar o cargo máximo do país para uma direita contrária ao acordo com as Farc, diminuir os impostos para as empresas e aumentar a pressão internacional contra o governo Maduro.

Em um país de 49 milhões de habitantes, com 27% de pobreza e o maior produtor mundial de cocaína, Petro defendia uma série de reformas destinadas a "aprofundar a paz", que ele apoiava de modo irrestrito.

Suas propostas de tributação de latifúndios improdutivos, migração para uma economia menos dependente do petróleo e do carvão, empoderamento dos camponeses e críticas às políticas antidrogas atuais preocupavam as elites.

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