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Eleições 2014: Marcelo Ramos elege motivos para votar em Melo e é criticado por Chico Preto

Terceiro colocado na eleição para o Governo do Amazonas no primeiro turno declarou voto, mas disse que não fará campanha eleitoral para o candidato 10/10/2014 às 10:19
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Deputado Marcelo Ramos, que obteve quase 180 mil votos no primeiro turno da eleição, quer disputar prefeitura em 2016
Luciano Falbo Manaus-AM

O deputado estadual Marcelo Ramos (PSB), que ficou em terceiro lugar na disputa pelo Governo do Estado no primeiro turno, declarou, nesta quinta-feira (9), voto ao candidato à reeleição José Melo (Pros) no segundo turno. Ramos apresentou quatro justificativas para sustentar a opção pela candidatura do governador. A principal, segundo ele, é defender os interesses de Manaus, onde obteve 167.685 votos. “A minha decisão deve, acima de tudo, levar em conta os interesses do povo da minha cidade e não é bom para a cidade um governador inimigo do prefeito”, disse Ramos.

Com já havia adiantado, Marcelo Ramos afirmou que não vai fazer campanha para Melo. O parlamentar também declarou que a opção pelo governador adia em apenas quatro anos “o projeto de mudança”, enquanto Eduardo Braga (PMDB), se eleito, poderá disputar a recondução em 2018. O parlamentar afirmou que o Amazonas corre o risco de ficar sem representante no Senado com a eleição de Braga. “Não podemos correr o risco de entregar uma vaga de senador para um gaúcho que defende os interesses de São Paulo”, disse Ramos, referindo-se ao segundo suplente de Braga no Senado, Lírio Parisotto (PMDB).

As declarações foram dadas na Assembleia Legislativa (ALE-AM) em coletiva de imprensa, quando o deputado leu e distribuiu nota sobre a decisão. Marcelo Ramos chegou ao local com duas horas de atraso, às 12h. Demonstrando um nervosismo atípico, ao fim da entrevista, o deputado revelou: “isso foi mais difícil que ter sido candidato no primeiro turno”.

O parlamentar disse que foi procurado por interlocutores dos dois candidatos que avançaram para o segundo turno. “Eu fui procurado por todo mundo, por muita gente. Inclusive, adiantei esse processo de decisão para diminuir o nível de pressão que envolve uma decisão como essa”, disse.

Esclarecidos

Ele voltou a afirmar que sua declaração de voto não tem a intenção de induzir a escolha de seus eleitores, os quais classificou como esclarecidos e conscientes. “Não sou dono dos votos de meus eleitores. Eles são homens e mulheres conscientes que saberão tomar suas decisões, levando em conta os interesses do Estado do Amazonas”, afirmou.

Ramos voltou a dizer que os dois candidatos representam “a mesma velha política”. “Farei minha escolha mesmo reconhecendo que as duas candidaturas representam o mesmo projeto que governa o Amazonas há 32 anos”, disse. O socialista reforçou que não considera voto nulo ou branco um ato democrático.

Marcelo Ramos afirmou que não autorizou a campanha de José Melo a utilizar seu nome em nenhuma propaganda – impressa, na televisão, no rádio ou na Internet. O deputado disse que vai acionar a Justiça Eleitoral caso tenha seu nome associado à candidatura do governador. O deputado reafirmou que tem intenção de disputar a Prefeitura de Manaus em 2016, mas ressaltou que a indicação do seu nome depende de questões político partidárias.

Relação teve peso na decisão

Na coletiva do PSB anteontem, quando ainda não havia confirmação do voto de Marcelo Ramos, o governador José Melo agradeceu a escolha do deputado socialista. “Me sinto muito honrando com o voto do Marcelo Ramos. Ele é um moço talentoso, que sai dessa eleição vitorioso. Portando, declarar o voto nas nossas propostas é motivo de muito orgulho”, disse o candidato.

O presidente de honra do PSB-AM, Serafim Corrêa, afirmou que a escolha por Melo é para que Manaus e o Amazonas tenham quatro anos de “parceria e paz”. Serafim Corrêa afirmou que pesou na decisão a relação do governo com a Prefeitura de Manaus. Segundo ele, quando o PSB administrava Manaus (2005/2008) e Eduardo Braga era governador, a relação “era ruim e conflituosa, com atropelos e interferências”.

“Antes eles eram farinha do mesmo saco”

O deputado estadual Chico Preto (PMN), que concorreu ao governo e que teve 1,8% dos votos, declarou ontem que vai ficar neutro no segundo turno das eleições no Amazonas. “Os dois palanques trazem consigo contradições históricas, e têm consigo respostas que nunca foram dadas e qualquer tipo de aproximação com um ou com outro, que já está descartada, seria pelo viés programático”, disse Chico em entrevista coletiva na sede do PMN, no conjunto Eldorado, Zona Centro-Sul.

Chico Preto disparou contra Marcelo Ramos e acusou a candidatura do socialista de ser parte de um estelionato eleitoral. “Ao longo desta campanha, eu que fui vítima de uma campanha difamatória nas redes sociais e vejo se confirmar a máxima de que a verdade é filha do tempo. Não precisamos sequer de quatro dias para que as máscaras caíssem. Antes aquilo era farinha do mesmo saco, uma dessas farinhas se tornou mais saborosa”, disse. “E agora se vê confirmar o maior estelionato eleitoral dos últimos tempos do candidato terceiro colocado (Ramos) e seu partido (PSB), de apoiar a candidatura do governador José Melo”, disparou.

“O PSB foi durante toda essa eleição, segunda linha do candidato Melo e eu fui vítima de um grande processo difamatório ao longo dessa eleição. As máscaras caem, para a infelicidade de mais de 180 mil pessoas, que acreditavam que esse era um processo de mudança e de renovação. Portanto, o PMN reafirma a sua convicção. Não sabemos quem será o próximo governador, mas sabemos que estaremos na oposição, cobrando, fiscalizando e propondo”, completou.

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