Publicidade
Cotidiano
Notícias

Eleitor amazonense pede atenção política à segurança

Explosão de violência e precarização dos recursos humanos e de equipamentos produzem a insegurança na população 24/11/2013 às 09:17
Show 1
Manifestações de junho colocaram a violência como uma das bandeiras principais
Luciano Falbo Manaus, AM

Apesar dos números oficiais apontarem que houve redução na criminalidade no Estado nos últimos anos, os eleitores amazonenses tratam a segurança pública como a segunda maior preocupação que deve merecer discussão no debate eleitoral de 2014. Na lista das questões que mais preocupam os eleitores, a segurança está atrás somente da saúde.

A constatação é da última sondagem realizada pela Action Pesquisas, publicada por A CRÍTICA no domingo passado. No geral, a segurança é a principal preocupação de 15% dos 3.650 entrevistados. No interior, a questão aparece em 14%, do universo entrevistado enquanto que na capital o porcentual é 17%.

Nos municípios amazonenses, a pesquisa revela que houve crescimento elevado da preocupação das pessoas com a segurança pública. O presidente Action Pesquisas e professor da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Afrânio Soares, afirma que o tema de fato tem aparecido com mais intensidade nas sondagens feita no interior, e que antes essa preocupação figurava a partir da décima posição. “Hoje, está entre as primeiras, principalmente nos municípios próximos à capital”, completa.

Insegurança

A insatisfação com a segurança pública atinge a todos os segmentos. Uma pesquisa realizada pela Federação do Comércio do Amazonas (Fecomécio), em agosto, mostra que o índice de insatisfação do turista estrangeiro em visita a Manaus com essa questão é de 27,8%, colocando-o na segunda colocação.

Dados da Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP-AM), mostram que entre janeiro e outubro deste ano houve redução de 27,3% nos registros de homicídios em Manaus na comparação com igual período de 2012.

Os números da SSP-AM divulgados na “Mensagem Governamental” entregue à Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), na abertura do ano legislativo, apontam que o número de ocorrências registradas pelo programa Ronda no Bairro registrou queda de 27% entre 2011 e 2012.

Entretanto, os dados apresentados contrastam com a ‘sensação de insegurança’ relatada pela população. Bem como a implantação do Ronda no Bairro, programa a qual se atribui redução dos índices de criminalidade.

O secretário estadual de Segurança Pública, coronel Paulo Roberto Vital, disse a A CRÍTICA reconhecer que a estrutura e o efetivo policial ainda não são os ideais, mas ressalta que os investimentos no setor quase dobraram no últimos anos.

Ronda no Bairro veio para ficar

O programa Ronda no Bairro será uma política permanente. É o que afirmou o secretário Paulo Roberto Vital em entrevista a A CRÍTICA na quinta-feira. A questão foi levantada na semana passada, quando o governador Omar Aziz (PSD) anunciou permanência do programa independentemente da gestão que assumir o governo.

Segundo Vital, o marco  legal (as leis de criação) do programa garantem a sua característica de política de Estado, e não de um programa sem as garantias de permanência.

Apesar da legislação não dizer expressamente que o programa é permanente, o secretário-executivo do programa, o coronel Amadeu Soares disse que o conjunto das portarias e de novos decretos que regram o Ronda no Bairro garantem essa característica. “Vamos efetivar uma política que possa ser aferida, controlada e divulgada”, disse Soares.

De acordo com ele, as novas regras estabelecem os procedimentos padrões do programa e garantem a transparência. “Com isso, estamos encaixando o Ronda dentro do conceito de política pública”, disse.

Deputado vê precariedade no interior

O secretário de Segurança Pública, Paulo Roberto Vital, admite que falta estrutura e que o efetivo ainda não é o ideal. “Por mais que o governador quisesse aumentar o efetivo este ano, ele não poderia por causa da Lei de Responsabilidade Fiscal (LRF). O governador está trabalhando no limite”, justificou. Segundo o secretário, o efetivo ideal seria 15 mil policiais, que já foi aprovado pela Assembléia Legislativa do Amazonas (ALE-AM).

O presidente da Comissão de Segurança Pública da ALE-AM , deputado Cabo Maciel (PR), afirma que a criminalidade está crescendo, principalmente, no  interior do Estado. Ele reclama da falta de estrutura das polícias e de um efetivo adequado. “A falta de efetivo é um dos principais motivos para que aumente os índices de criminalidade”, disse.

“Lá (no interior) não existem equipamentos básicos e necessários, como as lanchas para se chegar às comunidades. Às vezes é preciso emprestar esse tipo de coisa”, relata o deputado Maciel para quem os investimentos não cresceram na mesma proporção do aumento do tráfico de drogas no Estado.

Publicidade
Publicidade