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Eleitores da Zona Rural de Manaus querem estar na pauta de debates durante campanha

Moradores de comunidades da capital distantes da área urbana também querem estar na pauta de debates da eleição 07/09/2014 às 22:02
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Equipe do TRE-AM orientou os eleitores da comunidade Nossa Senhora do Livramento
Luciano Falbo Manaus (AM)

Eleitores da Zona Rural de Manaus querem discutir mais propostas que afetam o seu dia a dia. Na comunidade Nossa Senhora do Livramento, a 30 minutos de barco do Cento da capital, que fica dentro da Reserva de Desenvolvimento Sustentável (RDS) do Tupé, a principal reclamação é a falta energia elétrica regular. Os eleitores também dizem que não vão tolerar irregularidades das campanhas dos candidatos.

No sábado, uma equipe do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-AM), comandada pela presidente da Corte, desembargadora Socorro Guedes, esteve na comunidade para orientar os eleitores sobre os crimes eleitorais e a responsabilidade do voto. O encontro também teve a presença de líderes de outras comunidades da bacia do Igarapé Tarumã Mirim.

Um dos fundadores da comunidade do ‘Livramento’ – como é popularmente conhecido o local –, o aposentado Naval Xavier de Carvalho afirma que gosta do contato “olho no olho” com os canidatos. “Eu voto desde o tempo do Álvaro Maia e nunca deixei de votar. Faço questão porque gosto. Eu gosto de ouvir os homens falar. Prefiro que o candidato venha aqui para gente conhecer e conversar”, observa Naval Xavier. “Temos que mostrar que estamos com uma crise de falta energia”, emenda o aposentado de 84 anos.

“O cara que é moco (surdo, na linguagem popular), como diz a história, que não pára para ouvir, não é sujeito bom. O cara tem que sair para ver como são as coisas. Por exemplo, aqui é uma situação, mas lá em Fonte Boa é outra totalmente diferente. Se o caro não sai, não sabe como é que está. Mas, não basta só ouvir e fingir que vai fazer. Tem que é arregaçar as mangas e partir pra luta.”, afirma Naval. “Grana tem, só que o dinheiro vai ficando nas mãos dos governantes, dos deputados, dos prefeitos, dos vereadores e quando chega pra nós é quase nada”, reclama o aposentado.

O presidente da comunidade, Paulo Messias, também aponta a energia como principal demanda da localidade a energia elétrica. “A luz está indo embora todo dia. Segundo o que eles dizem lá é o alimentar que não está jogando luz suficiente pra cá”, afirma.

Para José Salmarco, presidente da comunidade Agrovila que também fica localizada na bacia do Tarumã Mirim, todos os eleitores tem que se envolver no processo eleitoral para garantir um pleito limpo.“Tem muita gente que fica chateada comigo porque eu não fecho com candidato nenhum por dinheiro. As pessoas não entendem que o nosso voto não é mercadoria. Você pega uma certa quantia e aquilo acaba. Durante os quatro anos você vai viver do quê? Você vai bater na porta de um político desse e ele vai dizer: eu já te paguei”, afirma.

Orientação

A equipe do TRE-AM distribuiu cartilhas pediu ajuda dos eleitores na fiscalização. A professora do ensino fundamental Maria do Céu sugeriu  que todos comunitários presentes no encontro (40 pessoas) se tornem multiplicadores dos esclarecimentos e no trabalho da fiscalização. “A gente sozinho não é nada. Mas, se agente se junta, fica forte”, disse.  

O juiz da propaganda, Henrique Veiga, fez alerta aos eleitores sobre a importância dos cargos disputados. “Vamos colocar agora cinco dos maiores e mais relevantes cargos. São os que fazem as leis e que administram os recursos”, disse.

Henrique Veiga também explicou sobre a eleição proporcional, “que possibilita a coligação eleger mesmo aquele que não teve a maioria dos votos”. “Por isso o eleitor deve estar atento e vefiricar se a coligação também está de acordo com suas expectativas”, afirmou o juiz.

“Dizer que a política não presta é um engano. Se todos os políticos não prestam, então nós estamos sendo coniventes porque nós os elegemos. Vamos parar com isso, vamos buscar saber quem é aquela pessoa em que vamos votar”, alertou.

Crime eleitoral

A desembargadora Socorro Guedes, presidente do TRE-AM, reforçou aos comunitários que a compra, e venda, de voto é crime eleitoral. “O voto é, antes de tudo, um instrumento de mudança. Com o voto, posso escolher quem me represente”, afirmou. “Não se deixem envolver por promessas. Não viemos aqui ensinar os senhores a votar. Viemos afirmar a importância do voto para a vida de todos nós. Essas pessoas que estamos colocando em pontos importantes da sociedade vão fazer as leis, que vão gerir os recursos e aplicar”, acrescentou.

Socorro Guedes também alertou sobre a importância do acompanhamento do mandato dos políticos eleitos. “Para ver se aquele candidato que mereceu confiança será digno de voto no outro pleito”, explicou.  A magistrada disse que no dia do pleito o eleitor pode levar uma cola com os números dos cinco candidatos no caso de não lembrar. Esclareceu, também, que a biometria só será utilizada em alguns municípios da região metropolitana.

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