Terça-feira, 21 de Maio de 2019
SAÚDE

Ambulatório em Balbina corre risco de ser fechado após Eletrobras encerrar gestão

A concessionária não vai mais manter a unidade de saúde criada para atender operários do consórcio que construiu a Usina Hidrelétrica de Balbina. Políticos afirmam que o fechamento é reflexo da privatização da empresa



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O anúncio do encerramento das atividades foi feito pelo gerente da Usina Hidrelétrica (UHE) Milton Menezes, na última quarta-feira (20). Foto: Reprodução
26/03/2019 às 18:55

A população da vila de Balbina, zona distrital do município de Presidente Figueiredo, está preocupada com a iminência do encerramento das atividades da unidade ambulatorial mantida pela Eletrobrás Amazonas Geração e Transmissão (GT), prevista para ocorrer nesta sexta-feira (29).

O anúncio do fim das atividades foi feito pelo gerente da Usina Hidrelétrica (UHE) Milton Menezes, na última quarta-feira (20), em Audiência Pública realizada na Câmara de Vereadores de Presidente Figueiredo, distante 117 quilômetros em linha reta de Manaus.

Por meio de nota a Eletrobrás GT informou, nesta terça-feira (26), que está em tratativas com a Prefeitura de Presidente Figueiredo para garantir a manutenção da estrutura necessária da unidade ambulatorial. A empresa ressaltou que a pedido do órgão municipal, manterá as atividades básicas no lugar até o encerramento dos trâmites, desconsiderando a previsão inicial de fechar o ambulatório nesta sexta-feira.

Preocupação  

O ambulatório existe desde a criação da usina hidroelétrica de Balbina com o objetivo de prestar atendimento de baixa, média e alta complexidade aos funcionários da obra. Com o término, e a saída dos funcionários, a unidade ambulatorial passou a atender as demandas da população local.

Por meio de uma carta, a população expressa preocupação com o fechamento do ambulatório, uma vez que ele atende as demandas de aproximadamente oito mil habitantes, entre zona rural e urbana, bem como a população mais distante, localizadas em áreas abaixo e acima do rio Uatumã.

Uma manifestação pública está programada para acontecer nesta sexta-feira (26), às 16h30, em frente à unidade ambulatorial.  

“Nossa luta é por um direito constitucional, o direito à saúde. Reivindicamos o não fechamento do único hospital que possuímos. É imprescindível que o ambulatório se mantenha aberto. É um direito da população atendimento médico de qualidade e com o fechamento do hospital a população se encontra desamparada”, diz a carta.

Posicionamento

A Eletrobrás Amazonas GT explicou que “não contempla no seu escopo de serviços atividades relacionadas à área da saúde”. Por isso enfrenta dificuldades em manter válidas as licenças necessárias junto aos órgãos de saúde para o funcionamento do ambulatório.

Questionada se adotará alguma medida para as demandas em Balbina, a Secretaria de Estado de Saúde do Amazonas (Susam) afirmou que a unidade em questão é um ambulatório de iniciativa privada, sem vínculo com o Governo do Estado, com características de Unidade Básica de Saúde (UBS).

“A Susam mantém convênio com a Prefeitura de Presidente Figueiredo para garantir o funcionamento do Hospital Geral Eraldo Neves Falcão, na sede do município, responsável pelos atendimentos de média e alta complexidade na urgência e emergência e internações. As UBSs fazem atenção primária e são de responsabilidade da prefeitura de cada município”, diz o comunicado.

Na tentativa de conhecer quais medidas a Prefeitura de Presidente Figueiredo está tomando junto a Eletrobrás GT em prol do atendimento, o Portal A Crítica entrou em contato com o prefeito do município, Romeiro Mendonça (PDT), pelos telefones (92) XXXXX – 1070/XXXXX – 7557, e com a Secretaria de Saúde, Sandra de Lima Braga, por meio do (92) XXXXX – 2559/XXXX-1156, porém nas duas ocasiões não teve retorno.

Políticos se manifestam

O deputado federal José Ricardo (PT) disse que o fechamento da unidade ambulatorial é reflexo da privatização da energia no Amazonas.“Já falávamos que, ao privatizar estatais, ações sociais que não dão lucro, como o Luz para Todos e agora serviços na área da saúde, não serão priorizadas e tendem a ser desativadas”, disse.

O deputado federal encaminhou um ofício para Eletrobrás GT solicitando informações sobre essa decisão, bem como um prazo maior antes do fechamento da unidade. “Por isso, estamos solicitando um prazo maior para esse fechamento e que o Governo possa absorver essa unidade na rede pública”, pontuou.

Outra que demonstrou desconforto sobre o assunto foi a deputada estadual Alessandra Campelo (MDB), em pronunciamento, realizado nesta terça-feira (26), ressaltou que a vila de Balbina sofre um “vazio administrativo nos últimos anos em áreas como a saúde e a segurança”. Para ela, a atitude também é reflexo da privatização da energia.


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