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Cotidiano
Setor elétrico

Eletrobras paga R$ 300 milhões à Cigás para amenizar impacto de dívida com Petrobras

A Eletrobras fez o depósito à Cigás para diminuir impacto de dívida com a Petrobras superior a R$ 3 bilhões, referentes ao fornecimento de gás natural às usinas de Manaus 05/07/2016 às 21:21 - Atualizado em 06/07/2016 às 09:18
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A inadimplência fez com que a Petrobras suspendesse, no mês passado, o fornecimento do combustível para bloco 3 do Complexo do Mauá, em Manaus (Foto: Agência Brasil)
Juliana Geraldo Manaus (AM)

A Eletrobras Distribuição Amazonas efetuou ontem um depósito de R$ 300 milhões para a Companhia de Gás do Amazonas (Cigás), com o objetivo de amenizar o impacto de uma dívida superior a R$ 3 bilhões mantida com a Petrobrás para fornecimento de gás natural às usinas termelétricas da capital amazonense.

A inadimplência fez com que a Petrobras suspendesse, no mês passado, o fornecimento do combustível para bloco 3 do Complexo do Mauá, no bairro Mauazinho, Zona Leste de Manaus. Porém, em função de uma segunda dívida, na última sexta-feira, 1, foi a vez da usina de Aparecida, na zona sul, ter o fornecimento interrompido.

A expectativa é de que o pagamento seja suficiente para que a Petrobras possa considerar a retomada do fornecimento do gás. “A ideia é amortizar uma fração da dívida, mas só a  Estatal é que pode decidir pela retomada do  abastecimento. Até o momento não recebemos nenhum comunicado nesse sentido”, afirmou o presidente da Cigás, Lino Chíxaro, que representa a empresa que distribui o gás fornecido pela Petrobras no Amazonas.

A situação é preocupante porque, segundo ele,  aproximadamente 70% da energia que abastece Manaus, hoje, vêm do gás natural. “Estamos falando da interrupção do fornecimento de 1,5 milhão de metros cúbicos de gás natural de um total de 3,7 milhões. É mais de  40%  do total” alertou.

Riscos

Enquanto o impasse não se resolve, diz Chíxaro, a distribuição do gás natural segue sendo feita pelas demais usinas do sistema Eletrobras e pelos cinco produtores independentes de energia elétrica. “Indústrias,  comércios e postos de combustíveis que operam o Gás Natural Veicular (GNV)   não enfrentam risco de interrupção de fornecimento para o funcionamento de máquinas”, garantiu.

Já a Amazonas Geração e Transmissão de Energia (AmGT) informou que a geração e transmissão  de energia  para a cidade vem sendo apoiada pelo Linhão de Tucuruí e pela Usina Hidrelétrica de Balbina. A concessionária afasta o risco de “apagão” generalizado na cidade, mas admite que  a confiabilidade operacional está reduzida, ficando o sistema Manaus vulnerável se acometido por  perturbações na perda da interligação com o sistema interligado brasileiro.

Já o outro braço da empresa, a Eletrobras Distribuição Amazonas - responsável pela operacionalização da energia - reforçou que todo o sistema elétrico do Estado está operando dentro da normalidade e sem a perspectiva de corte de carga pelo não fornecimento do gás. Entretanto, a empresa não soube informar quando o fornecimento será normalizado.

Contigenciados

Em nota, a Eletrobras disse que já renegociou com fornecedores contratos de confissão de dívidas incorridas até dezembro de 2014. “A Amazonas Energia continua negociando novos acordos com os fornecedores de combustíveis, em especial a Petróleo Brasileiro S.A ("Petrobras")  para dívidas posteriores a dezembro de 2014  até a presente data, a fim de evitar interrupção no fornecimento de combustível e o consequente corte de carga do Sistema Elétrico de Manaus”, diz a nota.

Porém, para pagar a dívida, a concessionária aguarda a liberação de um recurso atualmente contingenciado e calculado em R$ 8 bilhões.  “A Amazonas Energia está negociando a retomada dos repasses dos recursos de sua Conta de Consumo de Combustível (CCC), a fim de efetuar pagamentos aos fornecedores e garantir a manutenção do fornecimento de combustível.

Em números

O valor aproximado da dívida da Eletrobras, no Amazonas, apenas com Petrobras e Cigás, é de R$ 3 bilhões. A primeira dívida, já renegociada, gira em torno de R$ 2,4 bilhões, para débitos feitos até 2014. Já a segunda - de dezembro de 2014 até hoje é calculada em pelo menos R$ 1 bilhão.

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