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Cotidiano
ECONOMIA

Eletrobras terá condições mais favoráveis a partir de 2018, diz presidente

“Com tudo que vai ser feito ao longo de 2017, como resultado disso imaginamos que, em 2018, as nossas despesas, se comparadas com 2016, terão uma redução de cerca de R$ 1,7 bilhão por ano”, disse 19/11/2016 às 05:00
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Presidente da Eletrobras, Wilson Ferreira, afirma que o Plano Diretor de Negócios e Gestão das Empresas Eletrobras de 2017/2021 prevê investimentos de R$ 35,8 bilhões (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Cristina Indio do Brasil (Agência Brasil) Rio de Janeiro (RJ)

A reestruturação da Eletrobras vai permitir que a companhia volte a ter condições mais favoráveis a partir de 2018 e resolver o grave problema de endividamento. A expectativa é do presidente da empresa, Wilson Ferreira para quem a companhia precisa de disciplina financeira. O Plano Diretor de Negócios e Gestão das Empresas Eletrobras (PDNG) para o período 2017/2021 teve como base o Plano Estratégico 2015/2030 e indica medidas que incluem o programa de desinvestimentos, a redução de custos administrativos, o Plano de Aposentadoria Incentivada (PAI) e o Plano de Incentivo ao Desligamento (PID-A). “Com tudo que vai ser feito ao longo de 2017, como resultado disso imaginamos que, em 2018, as nossas despesas, se comparadas com 2016, terão uma redução de cerca de R$ 1,7 bilhão por ano”, disse.

Com o programa de desinvestimentos, a empresa estimou arrecadação de R$ 5,7 bilhões. Desse total, R$ 4,6 bilhões se referem à venda de participações em Sociedades de Propósito Específico (SPE). Também há a perspectiva de atingir o ganho de R$ 913 milhões com a privatização da Celg Distribuição (Celg D), empresa responsável pela comercialização de energia elétrica em 237 municípios goianos. O valor corresponde a participação da Eletrobras na empresa que vai a leilão no dia 31 deste mês com o preço mínimo de R$ 1,7 bilhão.

No Plano de Aposentadoria Incentivada, a intenção da companhia é a adesão de empregados já aposentados pelo INSS ou os que estão com idade e tempo de contribuição possíveis para entrar com o pedido na Previdência. Nesta condição estão 4.937 empregados. Há ainda cerca de 38% de empregados da Eletrobras com 51 anos ou mais que também podem aderir. Pelos cálculos da companhia, levando em consideração o último Programa de Incentivo ao Desligamento, de 2015, quando houve a adesão de 50% dos empegados, o custo do PAI neste momento será R$ 1,5 bilhão, com economia estimada em R$ 920 milhões/ano.

No Plano de Incentivo ao Desligamento, com a ativação do Centro de Serviços Compartilhados até dezembro de 2017, o custo previsto é R$1 bilhão, com economia de R$ 616 milhões/ano. Juntando os dois planos, a meta da Eletrobras é reduzir o número de empregados de 18.706 para 13.044 até 2018. “Eu não tenho poder de demissão. Tenho que fazer programas que atraiam as pessoas para isso”, disse Ferreira.

A nova estrutura organizacional da Eletrobras prevê a redução de cargos de gerenciamento. De acordo com o presidente as funções de coordenadores gerais e assessores caem 56 para 22, representando um corte de 61%. Ficam extintas também 101 divisões, mas os departamentos permanecem 56. “Só o valor das gratificações de função eliminadas dá R$ 68 milhões por ano. Não inclui as distribuidoras. É geração, distribuição e Eletrobras”.

Angra 3

O Plano Diretor de 2017/2021 prevê investimentos de R$ 35,8 bilhões, sendo que R$ 10 bilhões correspondem às aplicações em Angra 3, que está com as obras paralisadas e aguarda decisão do Conselho Nacional de Política Energética (CNPE).

O presidente disse que a companhia está trabalhando com duas consultorias externas e as avaliações devem estar concluídas para serem encaminhadas ao Ministério de Minas e Energia em dezembro. Ferreira disse que não há uma definição de quando as obras, que já têm cerca de 60% concluídas, serão retomadas, mas adiantou que a usina não ficará pronta em 2021.

Petrobras

Ferreira informou ainda que tem mantido contatos com o presidente da Petrobras, Pedro Parente, para negociar a dívida da Eletrobras para o uso de combustíveis e revelou que a expectativa é equacionar a dívida até o final de dezembro. O valor, segundo ele, inicialmente, tinha sido calculado entre R$ 6 bilhões e R$ 7 bilhões, mas com a fixação do preço definitivo pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e pela Agência Nacional do Petróleo (ANP), ficará abaixo de R$ 5 bilhões.

“É esse valor que tem que ser objeto desse equacionamento. É em cima dele que estamos trabalhando com a presidência da Petrobras. O valor terá que ser parcelado em condições que sejam favoráveis para os dois”.

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