Publicidade
Cotidiano
Notícias

Em 2014, 500 novos casos de câncer de próstata devem ser diagnosticados no Amazonas

Urologista alerta sobre sobre os riscos da doença que acomete homens acima dos 40 anos e sobre a prevenção na campanha Novembro Azul 14/11/2014 às 22:37
Show 1
Urologista Edgar Barros da Silva Júnior
Lucas Jardim Manaus (AM)

A cada sete minutos, mais um homem brasileiro será diagnosticado com câncer de próstata em 2014. O número alarmante, estimado pelo Instituto Brasileiro do Câncer (Inca), serve de alerta para o quanto a doença é comum e o quanto a prevenção é importante.

A próstata é, disparado, o órgão masculino que mais desenvolve câncer no Brasil, segundo o Inca, descontando os casos de câncer de pele não-melanoma. Só no Amazonas, a previsão é de 510 novos diagnósticos em 2014.

Tudo isso reforça a recomendação dos médicos para que a população realize o exame de toque retal. Recomenda-se que esse exame seja feito anualmente por homens com mais de 45 anos, ou 40, caso ele tenha algum parente com câncer, o que aumenta as probabilidades de se ter a doença e o que deve fazer dobrar o cuidado.

Com a campanha preventiva 'Novembro Azul', o urologista Dr. Edgar Barros da Silva Júnior, presidente da seccional Amazonas da Sociedade Brasileira de Urologia (SBU/AM) entre 2010 e 2013, concedeu entrevista explicando os procedimentos de prevenção, tipos de tumores e formas de tratamento do câncer de próstata. Confira:


Importância

Existem métodos alternativos de se constatar a doença, mas nenhum combina praticidade e precisão como o toque retal. “Alguns pacientes só fazem o exame do PSA, que é uma substância eliminada pela próstata e, quando há uma inflamação no órgão ou uma perplasia da próstata, isto é, um aumento dela, o nível dela eleva, assim como quando há câncer na próstata também. Porém, se sabe que 10% dos pacientes que tem o PSA normal podem ter câncer de próstata, então por isso que é tão importante que se realize o toque”, disse o urologista.

Ele explica os benefícios do exame. “Os níveis de PSA considerados normais são os que vão até 2,5 então, quando um paciente recebe um resultado dentro dessa faixa, ele fica tranquilo e pensa: ‘não vou fazer o toque retal’. É um exame bem preciso, pois a superfície da próstata é lisa e flexível, então quando você tem um endurecimento do órgão ou uma irregularidade na superfície dele, o médico detecta e indica a biópsia da próstata, que é o que vai dar o diagnóstico”, disse o médico.

Hiperplasia benigna

Edgar estabeleceu diferenças entre o câncer na próstata e a hiperplasia benigna, uma condição que também implica num crescimento do órgão, só que sem ser câncer. “[A hiperplasia benigna] pode levar a uma dificuldade de o indivíduo urinar, ou seja, ele tem que fazer mais força para urinar, e o jato da urina diminui. No câncer, ele pode ter, além desses sintomas, sangramento na urina”, explicou o doutor.

Tratamento

O médico ressalta a importância de o diagnóstico ser feito cedo, pois, nesse momento, o câncer ainda tem cura. “Você pode realizar uma cirurgia chamada prostatectomia radical, que é a retirada da próstata, suturando a uretra direto na bexiga”, diz Edgar.

No entanto, tumores mais avançados ou com metástase exigem tratamento com quimioterapia. “Em alguns casos, os médicos impedem que a testosterona chegue na próstata, já que esse hormônio funciona como gasolina no fogo para esse tipo de câncer”, relatou o urologista. Ele ainda que esse bloqueio pode ser por meio medicamentoso ou por meio cirúrgico, através de uma operação chamada ortectomia subcapsular.


Rede pública de saúde para os homens

O especialista vê uma lacuna muito grande entre o homem e o atendimento básico na rede pública. “O homem tem uma dificuldade muito grande de acesso à sua própria saúde. Por exemplo, a mulher tem o Instituto da Mulher, a criança tem o Pronto Socorro da Criança, e o homem? Existe uma estatística nacional que diz que o homem morre sete anos mais cedo do que a mulher. As mulheres estão ficando viúvas no Brasil e isso por que? Por causa do tabu? Tabu é coisa do passado. Ele existe, mas também existem muitos homens que querem procurar um atendimento e não o têm, infelizmente”, explicou o médico.

Ele disse que uma campanha bem sucedida de sua época de presidente da seccional Amazonas da SBU lhe fez perceber a dimensão da demanda. “Entre 2011 e 2012, nós fizemos uma campanha nacional com um consultório itinerante. Sabe quantos atendimentos fizemos só na Região Norte? 2.500. A minha sugestão aos órgãos responsáveis é que se preocupem com a saúde do homem, que montem, por exemplo, um Instituto do Homem. Tenho certeza de que a população masculina, vendo chance real de obter assistência, vai procurar”, concluiu o urologista.

Publicidade
Publicidade