Quarta-feira, 24 de Julho de 2019
Mercado de Trabalho

Em abril, indústria de transformação do AM perdeu mil postos de trabalho

Dados do Ministério do Trabalho revelam que tendência de queda na geração de empregos na indústria amazonense continua. Só no mês de abril, foram mais de mil empregos a menos nas fábricas do Distrito Industrial



empregos.JPG Os dados mostram ainda que o Amazonas perdeu 13.242 postos nos primeiros quatro meses de 2016 (Foto: Arquivo/AC)
27/05/2016 às 21:11

A indústria de transformação do Amazonas perdeu 1.030 postos de trabalho em abril deste ano. Os dados são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). O setor foi o que mais perdeu funcionários entre os setores de atividades. Em relação a todas as áreas, Manaus teve baixa de 1.935 no estoque de assalariados com carteira assinada.

O setor de indústria de transformação compreende as atividades que envolvem transformação física, química e biológica de materiais, substâncias e componentes para obter produtos novos, como produção de motos, carros, relógios, móveis, eletrônicos, papel, entre outros.

 Na síntese do comportamento do mercado de trabalho formal, o Caged leva em consideração oito setores: extrativa mineral, indústria de transformação, serviços industriais de utilidade pública, construção civil, comércio, serviços, administração pública e agropecuária.

Segundo o Caged, o saldo entre desligamentos e admissões no Amazonas chegou a 2.045 em abril, no entanto, somente a indústria de transformação registrou diminuição de 1.030 postos, seguida do setor de comércio, com 803 demissões, e serviços, com 75 vagas a menos. Os dados mostram ainda que o Amazonas perdeu 13.242 postos nos primeiros quatro meses de 2016. Nos últimos 12 meses, o Caged apontou que 42.700 postos foram eliminados, o que representa declínio de 9,24% no nível de empregos.

Menor poder de compra

Na avaliação do presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o motivo da diminuição dos postos tem relação com as condições financeiras do consumidor. Ele destaca que os setores de eletrônicos e duas rodas foram os mais prejudicados dentro da indústria. 

“O número de empregos caiu porque as pessoas perderam o poder de compra. Os que estão empregados não estão gastando com compras a médio e longo prazo, como televisões, motos, e apenas com o que é essencial. Isso reduz o consumo”, explicou Périco.

O presidente da Força Sindical do Amazonas, Vicente Filizola, acredita que o fenômeno é reflexo dos outros setores de produção. “Os outros segmentos estão em situação difícil. Uma cadeia ajuda a outra e isso não está acontecendo até agora. A indústria não está atendendo aos pedidos e eles têm que demitir. É preocupante. Estamos que com essa mudança de governo surja uma luz no fim do túnel”, declarou Filizola.

“Isso tudo foi um equívoco de seis meses atrás. Na verdade uma série de equívocos do governo anterior. Não dá pra mudar do dia pra noite. Medidas acertadas podem estancar esse processo de retração, mas isso não vai acontecer esse ano e dificilmente ano que vem. A expectativa é que o novo gestor consiga aprovar medidas responsáveis o mais breve possível”, finalizou Wilson Périco.

Brasil

 Em todo o País, a perda de empregos totalizou 62.844 postos de trabalho com carteira assinada no mês foi o menor resultado negativo desde abril de 2015. Para o secretário substituto de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Márcio Borges, esse número foi quase 30% menor que o de abril de 2015. “O que a gente observa nos setores [da economia] é que quase todos apresentaram um arrefecimento dos níveis de queda”, disse, prevendo que tendência negativa está chegando ao fim.

Queda vem desacelerando, diz governo

Para o secretário substituto de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Márcio Borges,  os dados apontam para “uma desaceleração do nível de queda no quadro de desemprego”. “Quando a gente olha os setores, percebemos que aqueles que estão negativos, praticamente todos apresentam números menores que o mês de março de 2016”.

 No acumulado dos quatro primeiros meses, o País perdeu 378.481 empregos formais. Nos últimos 12 meses, já foram reduzidas 1.825.609 de vagas formais. Os números levam em conta a diferença entre demissões e contratações. Quase todos os setores da economia demitiram mais do que contrataram. Em abril, o País registra 39,315 milhões de trabalhadores com carteira de trabalho assinada.

Resultado melhor que o esperado

Para a economista Ariana Zerbinatti, do Departamento de Pesquisas e Estudos Econômicos (Depec) do Bradesco, o resultado foi melhor do que o esperado porque alguns setores, como indústria e construção civil, já fizeram os ajustes com a crise. No ramo de serviços também houve diminuição das demissões. “Claramente a gente vê que o pior já passou. Caso a melhora de expectativas se confirme, vamos ter cada vez mais saldos negativos menores de agora em diante, com perspectiva de reversão no segundo semestre”, disse ela.

 As maiores quedas no nível de emprego foram registradas em São Paulo, Rio e Alagoas. De acordo como Caged, o desemprego em abril atingiu mais as regiões metropolitanas, com saldo negativo de 45.739 postos.

O ministro do Trabalho, Ronaldo Nogueira, admitiu que o governo do presidente interino, Michel Temer, fará um “aprimoramento da legislação trabalhista”. Após reunião com dirigentes da União Geral dos Trabalhadores (UGT), Nogueira evitou os termos flexibilização ou mudança de regras, assegurando que os trabalhadores não serão “pegos de surpresa”. As propostas devem ser apresentadas em 90 dias.

Só seis estados ficam no positivo

Em todo o País, apenas seis estados registraram aumento do emprego formal em abril deste ano: Goiás (5.170), Minas Gerais (3.886); Distrito Federal (1.202); Mato Grosso do Sul (919); Espírito Santo (466) e Amapá (50). “O Centro-Oeste apresenta número positivo, apenas com Mato Grosso com número negativo. Em especial, chama a atenção o estado de Goiás, com saldos positivos na indústria de transformação - química, construção civil e o setor de serviços e também agropecuária com números positivos de contratações”, diz o secretário substituto de Políticas Públicas de Emprego do Ministério do Trabalho, Márcio Borges.

O pior resultado por região foi no Nordeste com 25.992 postos de trabalho fechados.

 A agricultura foi o setor com maior geração de empregos, com 8.051 novos postos, um aumento de 0,52%, principalmente por razões ligadas à sazonalidade das atividades de cultivo do café e da cana-de-açúcar. A administração pública ficou em segundo lugar, gerando 2.255 postos. O setor de comércio foi o líder no fechamento de vagas em abril deste ano, com 30.507 demissões – seguido pela construção civil, que registrou 16.036 vagas fechadas.

*Colaborou Oswaldo Neto

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