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Cotidiano
‘missão pela democracia’

Em discurso, deputado peemedebista elogia o golpe de 1964 na tribuna da ALE-AM

Vicente Lopes disse que ação dos militares que resultou na ditadura foi essencial para o País 27/04/2016 às 04:00
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Vicente Lopes: os militares agiram em defesa da democracia e  impediram a instalação de uma ditadura socialista no País (fotos: Hudson Fonseca)
Aristide Furtado Manaus (AM)

Declaração do deputado estadual Vicente Lopes (PMDB) nesta terça-feira (26) tentou conferir outro sentido aos 20 anos de torturas, mortes, perseguições políticas, exílios e privação de direitos individuais e coletivos da ditadura militar no Brasil. Na tribuna da Assembleia Legislativa do Amazonas (ALE-AM), palco no fim do ano passado de homenagem a um deputado federal de orientação racista e homofóbica, o parlamentar afirmou que o golpe de 1964 foi uma “missão pela democracia”.

O discurso ocorreu na sessão especial que homenageou o Exército brasileiro proposta pelo deputado Carlos Alberto (PRB). Vicente Lopes pertence ao PMDB, partido oriundo do antigo MDB (Movimento Democrático Brasileiro), legenda criada para se opor ao regime militar implantado no País a partir de 1964.

Ao ser questionado pela reportagem sobre o teor de seu discurso, por telefone, o parlamentar explicou que, na avaliação dele, os militares agiram em defesa da democracia e  impediram a instalação de uma ditadura socialista no País.

“No sentido de que o País estava vivendo um momento parecido com o de hoje, onde a maioria quer mudar o País. Isso foi dito com todas as letras pelo ex-deputado Fernando Gabeira de que eles lutavam pela instalação de uma ditadura socialista. O que o Exército fez foi impedir uma ditadura socialista. Como disse o Fernando Gabeira: ‘nós da luta armada defendíamos uma ditadura socialista’. O Eduardo Jorge (presidenciável do PV) também disse isso. É nesse sentido que falei. Sei que é polêmico mas é a minha visão”, disse o deputado, ressaltando que a intervenção militar foi importante para o Brasil ser hoje um País democrático.

Apologia

Na segunda-feira, a Ordem dos Advogados do Brasil, seccional do Rio (OA/RJ), entregou  à Câmara pedido de cassação do deputado federal Jair Bolsonaro (PSC) que, em seu voto pelo impeachment de Dilma, elogiou o coronel  Alberto Brilhante Ustra, apontado em decisão judicial como responsável por torturas durante o regime militar. No documento, a OAB-RJ afirma que  não é possível que um deputado utilize sua imunidade parlamentar “para defender e fazer apologia a um torturador”. No final do ano passado, Bolsonaro foi agraciado com a medalha do mérito Legislativo, na ALE-AM, em homenagem proposta pelo deputado Platiny Soares que foi contestada por movimentos de defesa dos direitos humanos.

Comentário: deputado José Ricardo (PT)

“Em  1964 foi aplicado  um golpe militar, civil e midiático. Teve apoio de parlamentares, como agora, e da grande mídia. O resultado foram  perseguições, prisões, torturas, mortes, desaparecimento, humilhações, parlamentares cassados e perseguidos. Muitos tiveram que se exilar. Direitos individuais e coletivos foram tolhidos.Essa foi a ditadura implantada com o golpe no Brasil. Se algum parlamentar não conhece tem que ler os livros  de história, falar com familiares de quem foi torturado, morto e desaparecido. O Tomazinho, de Parintins, está no rol de desaparecidos. Todos que vivenciaram o período sabem muito bem o que aconteceu. Houve um rompimento do estado democrático. Naquela época  foram  os militares. Até a OAB apoiou o golpe e depois foi perseguida. Tanto que  se tornou a grande baluarte do combate à ditadura. Mas antes havia  apoiado. Se o deputado (Vicente Lopes) acha que é outra coisa... todo parlamentar representa um segmento da sociedade”.

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