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Em dois dias, duas mil pessoas assinam documento pela cassação do prefeito de Iranduba (AM)

Mesmo preso, Xinaik Medeiros continua prefeito da Iranduba. População faz abaixo-assinado para abrir processo de cassação na Câmara Municipal da cidade 17/11/2015 às 14:32
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População se mobilizou para pedir a cassação do prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros
Natália Caplan Manaus

Cerca de 2 mil assinaturas em prol da cassação do prefeito de Iranduba, Xinaik Medeiros (Pros), foram recolhidas em apenas dois dias. De acordo com o organizador do abaixo-assinado, Paulo Onofre, a meta é chegar a 5 mil nomes ainda esta semana.

“Mesmo assim, queremos dar entrada na Câmara Municipal de Iranduba ainda hoje”, disse, ao ressaltar o interesse da população. “Começamos no domingo  (15) porque teve uma chuva muito forte no dia anterior. Mas é um bom número para tão pouco tempo”, completou.

Segundo o funcionário público, que trabalha na Câmara Municipal de Manaus (CMM), o motivo da mobilização é mostrar a indignação da comunidade e explicar às pessoas que a prisão do político não significa que ele tenha perdido o mandato.

“Estamos reforçando o pedido junto aos vereadores, pressionar e mostrar que a população está atenta”, declarou. “Todos têm que entender que o Xinaik ainda é prefeito. É um prefeito preso, mas é prefeito. Ele não teve o mandato cassado ainda”, enfatizou. 


Aos 82 anos, Francisca Brito fez questão de ir pessoalmente à Câmara Municipal de Iranduba para assinar o documento. “Uma vez eu o abracei e disse: ‘oh, meu prefeito, eu preciso falar com o senhor’. Mas ele me tratou mal e disse que não ia perder tempo comigo”, lembrou indignada. “Um prefeito tem que gostar de idosos, não nos tratar mal desse jeito”, completou.

A aposentada citou, ainda, o descaso do gestor com outro idoso e reclamou que as políticas públicas para a terceira idade praticamente não existem no município. “Um senhor foi pedir R$ 10 dele para comer, mas ele gritou ‘se eu tivesse R$ 10, eu estava rico’! Pior que ficou rico mesmo, enquanto não tem nem água no centro de atividade para idosos”, lamentou.

Mesmo com uma visão limitada, Francisco Nascimento, 36, também colocou o nome no abaixo assinado. “Nós elegemos o prefeito para ele melhorar a nossa cidade. Só vemos obras pela metade por todo lado. São os R$ 56 milhões? Não vi esse dinheiro até agora”, esbravejou o deficiente visual. Ele teve ajuda da universitária Aurineide de Oliveira, 22, para assinar.


“Eu já estava recolhendo assinaturas para a campanha contra a corrupção do MPF [Ministério Público Federal]. Vou ajudar a fazer a diferença também nessa situação”, declarou a moça. “O mais incrível de estar acontecendo isso em Iranduba é que eu estudo justamente no curso de Gestão Pública da UEA [Universidade do Estado do Amazonas]”, afirmou.

Operação Cauxi

Xinaik Medeiros está preso no Comando de Policiamento Especializado (CPE) da Polícia Militar, em Manaus, desde terça passada, dia 10, quando foi preso na Operação Cauxi, realizada pelo Ministério Público Estadual com apoio da Polícia Civil e da Corregedoria-Geral da União.

Na operação, foram cumpridos 20 mandados judiciais na cidade para combater uma organização que fraudava licitações e tenha causado prejuízo de R$ 56 milhões à Prefeitura. Treze pessoas são acusadas de fazer parte do esquema, incluindo secretários, vereadores e servidores.

Operação Dízimo

Ontem, segunda (17), outra operação foi realizada na cidade. A Polícia Federal deflagrou a Operação Dízimo para combater um esquema de desvios de verbas públicas federais na prefeitura. Sete pessoas foram presas, porém o prefeito Xinaik não está envolvido.

Prefeita em exercício

Com a prisão de Xinaik, a vice-prefeita de Iranduba, Madalena de Jesus (sem partido), assumiu como prefeita em exercício do município. Ela fez viagem a Manaus para acompanhar a abertura de documentos suspeitos apreendidos nas operações Cauxi e Dízimo.

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