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Em entrevista exclusiva, Lula diz que eleitorado do Amazonas é estratégico para o PT

Ex-presidente Lula chega a Manaus para reforçar a importância da vitória de Dilma no Amazonas e nos outros Estados do Norte 16/10/2014 às 08:23
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Lula esteve em Manaus pela última vez no dia 11 de agosto de 2014
Janaina Andrade e André Alves Manaus (AM)

O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou, nesta quarta-feira (15), que o Norte é estratégico para a campanha da reeleição de Dilma (PT)  não só pelo número de votos, mas porque  a vitória da petista na região Amazônica representará o apoio da sociedade à política de desenvolvimento e inclusão social promovida pelo Governo do PT. A declaração faz parte da entrevista concedida por Lula para A CRÍTICA  por e-mail.

Hoje, o ex-presidente desembarca em Manaus com a missão de turbinar as campanhas de Dilma e Eduardo Braga no Estado. “A vitória da Dilma aqui vai expressar o apoio da sociedade à nossa política de desenvolvimento e superação das desigualdades, que é boa para a Amazônia e é fundamental para o Brasil”, disse Lula. No primeiro turno Dilma obteve 54,54% dos votos do Amazonas, contra 21,53% de Marina (PSB) e 19,41% de Aécio (PSDB).

Ao ser questionado sobre o peso do Amazonas e da região Norte na campanha petista, Lula disse que os governos do PT e dos partidos aliados sempre trabalharam para superar a desigualdade no País. “Nós pensamos no Brasil como um todo, um País melhor e mais justo para todos. Historicamente, essa é uma atitude inovadora por parte do governo federal. Eu me lembro da campanha de 2002, quando abraçamos a causa da Zona Franca, que não era somente do povo do Amazonas, era do interesse do Brasil”, afirmou.

Lula alfinetou os tucanos afirmando que os adversários não têm a mesma visão geopolítica. E afirmou que as expressivas votações obtidas por ele e Dilma nos últimos 12 anos refletem os investimentos feitos na região. “Nesses 12 anos nós conseguimos estabelecer um excelente diálogo com a região Norte, valorizando a Zona Franca, fazendo grandes investimentos como o gasoduto Coari-Manaus, gerando empregos e estendendo à região as políticas sociais mais amplas”, avaliou.

Sobre as tática para frear o avanço do tucano nos Estados do Norte, o ex-presidente disse que a eleição  põem em confronto dois projetos para o País. “O nosso projeto representa o desenvolvimento com inclusão social, ou seja: criar mais empregos, valorizar o salário e promover a transferência de renda, para fazer o País crescer em benefício de todos. Em nossos governos, nós garantimos a estabilidade econômica em sintonia com o objetivo de melhorar a vida das pessoas. O projeto do PSDB significa uma volta ao passado, em que o Brasil era governado por uma pequena elite que só conseguia ver os interesses de uma pequena parcela da população. É um modelo que perpetua as desigualdades sociais e regionais. Nós estamos prontos para fazer esse debate em qualquer região, em qualquer estado, em qualquer rua desse País.  A Dilma está fazendo esse debate”, disse.

‘Minha opção é clara pelo Eduardo’

Lula afirmou que é amigo do senador eleito Omar Aziz (PSD), que respeita o governador José Melo (Pros), mas que pedirá votos para o líder do Governo no Senado, Eduardo Braga (PMDB) na corrida pelo Governo do Amazonas.

 “Eu tenho Eduardo Braga como um grande amigo e parceiro. Ele fez um trabalho extraordinário de parceria com a presidenta Dilma como líder do governo no Senado. Durante seu governo, eu era presidente, e nós implantamos o Bolsa Família e o Luz Para Todos em todo Amazonas. Também fizemos obras estruturantes de extrema importância, como o Linhão de Tucuruí, o gasoduto Coari/Manaus e a Ponte Rio Negro”, enfatizou o ex-presidente.

Segundo ele, além de ser do PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, Braga é um “grande parceiro.  Eu valorizo muito  a solidariedade que Eduardo teve comigo e admiro a capacidade dele de trabalhar unindo o Estado ao Governo Federal. (...) Também sou amigo do ex-governador e futuro senador Omar Aziz, e respeito o governador José Mello  e a importância do apoio  do Pros como nosso aliado na base governista, mas a minha opção é clara pelo Eduardo”, disse.

Qual o peso do Amazonas, e dos Estados do Norte do Brasil, na estratégia do PT de reeleição à Presidência da República?

Os governos do PT e dos partidos aliados sempre trabalharam para superar a desigualdade no país – tanto as desigualdades sociais quanto as regionais. Nós pensamos no Brasil como um todo, um país melhor e mais justo para todos. Historicamente, essa é uma atitude inovadora por parte do governo federal. Eu me lembro, por exemplo, da campanha de 2002, quando nós abraçamos a causa da Zona Franca, que não era somente do povo do Amazonas, era do interesse do Brasil. Nossos adversários não pensam assim, mas nós acreditamos que um país só é forte e desenvolvido quando todas as suas regiões são fortes e desenvolvidas. Isso também é uma questão de justiça. Nesses doze anos nós conseguimos estabelecer um excelente diálogo com a região Norte, valorizando a Zona Franca, fazendo grandes investimentos como o gasoduto Coari-Manaus, gerando empregos e estendendo à região as políticas sociais mais amplas. Isso se traduziu nas votações expressivas que eu e a presidenta Dilma recebemos aqui. Os Estados do Norte têm uma grande importância na campanha da reeleição, e não apenas pela quantidade de votos. A vitória da Dilma aqui vai expressar o apoio da sociedade à nossa política de desenvolvimento e superação das desigualdades, que é boa para a Amazônia e é fundamental para o Brasil. 

De que modo o partido pretende frear o avanço tucano em regiões até então consolidadas pelo PT?

Mais uma vez essas eleições põem em confronto dois projetos para o país. O nosso projeto representa o desenvolvimento com inclusão social, ou seja: criar mais empregos, valorizar o salário e promover a transferência de renda, para fazer o país crescer em benefício de todos. Em nossos governos, nós garantimos a estabilidade econômica em sintonia com o objetivo de melhorar a vida das pessoas. O projeto do PSDB significa uma volta ao passado, em que o Brasil era governado por uma pequena elite que só conseguia ver os interesses de uma pequena parcela da população. É um modelo que perpetua as desigualdades sociais e regionais. Nós estamos prontos para fazer esse debate em qualquer região, em qualquer estado, em qualquer rua desse país.  A Dilma está fazendo esse debate. É verdade que, no primeiro turno, outros candidatos tiveram mais  votos em algumas cidades governadas pelo PT, mas também é verdade que nós e nossos aliados vencemos em estados governados pelo PSDB. Agora, é uma disputa de projetos, um confronto mais nítido. E tenho certeza que, nesse confronto, a sociedade vai apoiar o nosso projeto, que faz o Brasil avançar com mais justiça e menos desigualdade.

Por que, no planejamento do PT, a eleição de Eduardo Braga (PMDB) é importante, se o partido do governador do Amazonas José Melo, o Pros, também faz parte da base governista?

Eu tenho Eduardo Braga como um grande amigo e parceiro. Ele fez um trabalho extraordinário de parceria com a presidenta Dilma como líder do governo no Senado. Durante seu governo, eu era presidente, e nós implantamos o Bolsa Família e o Luz Para Todos em todo Amazonas. Também fizemos obras estruturantes de extrema importância, como o Linhão de Tucuruí, o gasoduto Coari/Manaus e a Ponte Rio Negro. Além de ser do PMDB que é um partido que tem sido um grande parceiro na nossa base. Eu valorizo muito  a solidariedade que Eduardo teve comigo e admiro a capacidade dele de trabalhar unindo o Estado ao Governo Federal. Eu acho que está sendo apresentado ao povo do Amazonas o que tem sido feito e o que pode ser feito. Também sou amigo do ex-governador e futuro senador Omar Aziz, e respeito o governador José Mello  e a importância do apoio  do Pros como nosso aliado na base governista, mas a minha opção é clara pelo Eduardo.

As novas denúncias de corrupção na Petrobras não minam a credibilidade do PT no governo?

A credibilidade do PT, nesse aspecto, está relacionada à nossa coragem de enfrentar a corrupção, onde quer que ela se encontre. Eu duvido que denúncias como estas que vemos hoje seriam investigadas e expostas na imprensa em um governo do PSDB. Quem viveu aquele tempo se recorda: o procurador-geral da República era conhecido como engavetador-geral. Ele arquivou mais de 400 denúncias de improbidade administrativa e outros mal-feitos contra autoridades e políticos ligados ao governo tucano. Que autoridade tem essa gente para nos apontar o dedo em matéria de combate à corrupção? Nós nomeamos sempre procuradores-gerais independentes, indicados em eleição pelo Ministério Público. Nós demos à Policia Federal todas as condições para trabalhar sem constrangimento político, com mais pessoal, melhores salários e melhor equipamento. Criamos a Controladoria Geral da União, o Portal da Transparência e a Lei de Acesso à Informação, que são importantes instrumentos para fiscalizar o uso de dinheiro público. Nós não temos medo de investigações quando elas são feitas com seriedade e independência. E a população sabe distinguir o que é investigação séria e o que é denúncia de época de eleição. A Petrobras é uma instituição nacional que foi muito valorizada nos últimos 12 anos. Eu tenho certeza que a presidenta Dilma é a primeira a querer saber sobre a conclusão de qualquer investigação na Petrobras, mas precisa ser uma investigação séria e sigilosa e não pode haver manipulações eleitorais.

Usar a ‘tática do medo’ para diminuir a força do PSDB junto ao eleitor não é lançar mão de uma estratégia anteriormente criticada pelo próprio PT?

O PT não fez isso. Não há tática do medo. O que há é um debate de posições, e consequências dessas posições, que é muito importante para o cidadão. Continuo sendo contra a tática do medo, como sou contra a tática do ódio que eles estão alimentando hoje. Eles estão tentando fazer com que o petista se sinta envergonhado de defender o que sempre defendeu. Quando você pergunta o motivo, eles repetem chavões que nem eles próprios conseguem explicar ou acreditar. Quando eu vejo tantas mentiras que eles contam, as vezes com a ajuda da imprensa, e de preferência às vésperas da eleição...cada vez me dá mais vontade de militar por esse partido para continuar as mudanças que o Brasil precisa para construirmos um país mais próspero e justo para todos.


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