Quinta-feira, 18 de Julho de 2019
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Em evidência, Mídia Ninja quer ampliar alcance no País

Sob os holofotes desde o início da onda de protestos no Brasil, o coletivo Narrativas Independentes, Jornalismo e Ação, ou NINJA, faz planos ambiciosos para o futuro



1.jpg Membros da Mídia Ninja planejam expansão das atividades e depositam fé no financiamento coletivo de simpatizantes
07/08/2013 às 19:58

"O nosso ideal é ajudar a criar uma rede financeiramente viável que dê conta não só da demanda do público por informação de qualidade, mas também da oferta de jornalistas que não encontram vagas no mercado ou que estão sendo despedidos das grandes redações", disse o jornalista Bruno Torturra, um dos membros do grupo em São Paulo.

O primeiro passo começa nesta semana, com o lançamento de uma campanha de financiamento coletivo para dar estrutura a equipes de produção e, em seguida, do site oficial do coletivo, que deve reunir conteúdo de grupos espalhados por todo o país.

Além da organização do conteúdo de centenas de fotografias e horas de vídeos documentando as manifestações, o grupo também pretende responder aos pedidos do público e dos críticos por mais textos e material editado pelos jornalistas ─ um desafio para quem tem milhares de colaboradores e afirma não ter uma linha editorial única. "A gente tem uma teia", diz Torturra.

A "teia" reúne grupos de produção cultural e comunicação em todo o país, ligados ao Fora do Eixo ─ uma rede de coletivos criada em 2005 para organizar festivais de música independentes. "Através do Fora do Eixo já estamos em todos os Estados, mas são pessoas com múltiplas funções, que são ativistas, produtores e que podem fazer a função de ninjas", explica.

Atualmente, mais de 20 pessoas se dedicam exclusivamente à produção de conteúdo para a Mídia Ninja nas equipes de São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Fortaleza, Porto Alegre e Salvador.

"Um número um pouco maior de pessoas nos dá apoio, inclusive offline (não apenas nas transmissões na internet). Depois temos ainda centenas de pessoas que são colaboradoras eventuais, mandam uma foto, um parágrafo. É algo que nem dá pra contar, vem em fluxo. E agora (depois do início das manifestações) temos mais de 1.500 pessoas inscritas para trabalhar para o Mídia Ninja, que ainda não organizamos e não sabemos como vamos organizar", diz.

Fama
A procura por fazer parte da Mídia Ninja deu um salto após o início dos protestos em todo o país. Usando smartphones, laptops e acesso 3G, os colaboradores do grupo atualizavam sua página oficial no Facebook e transmitiam as manifestações ao vivo.

Em São Paulo, atingiram a marca de cerca de 100 mil espectadores ao transmitirem com detalhes os confrontos entre a Tropa de Choque e os manifestantes na noite de 18 de junho.

Nos protestos contra o governador Sérgio Cabral, no Rio, os ninjas tiveram o triplo de audiência e foram também protagonistas ─ dois deles foram detidos e soltos depois. Em frente à 9ª DP, no bairro do Catete, uma multidão se aglomerou aos gritos de "Ei, polícia, solta a Mídia Ninja".

Com a rejeição dos manifestantes à mídia tradicional, muitas vezes acusada de omitir o vigor dos protestos, os ninjas ganharam apoio e credibilidade junto aos participantes dos atos públicos em todo o país.

Desde então, o grupo foi objeto de reportagens nos principais meios de comunicação nacionais, nos jornais americanos New York Times e Wall Street Journal e no britânico The Guardian.

"A popularidade facilitou o nosso trabalho mais do que dificultou. Tem mais gente enchendo o saco, tem mais gente querendo sabotar e cada vez mais calúnias sobre nós. Mas a polícia agora nos trata como jornalistas e recebemos muito apoio e informação de gente que está nas ruas", diz Torturra.

A cobrança dos leitores, segundo o jornalista, também aumentou, assim como as críticas aos erros e aos posicionamentos do grupo. "Temos o nosso ponto de vista claro, mas não somos tendenciosos. Acho que ter o ponto de vista dos jornalistas claro é justamente o que torna a transmissão honesta", defende.

O novo site pretende reunir o conteúdo dos núcleos de produção jornalística ninja no país ─ o que incluiria textos, blogs, documentários, vídeos e reportagens com pontos de vista diversos. Mas Torturra admite que algum tipo de controle será necessário.

"Vamos analisar se algo for muito agressivo, muito ofensivo ou muito fora do que a maioria acredita que é razoável ─ desde um material de má qualidade, mal apurado, até uma edição que não seja justa. Mas (a seleção do material) é (feita com base) na construção de um bom senso coletivo, não em uma chefia que vai aplicar um manual de redação."

Financiamento
A popularidade também aumentou os questionamentos sobre o financiamento das operações do grupo. A Mídia Ninja, de acordo com Torturra, conta somente com parte dos recursos da rede Fora do Eixo e com o investimento voluntário da sua própria equipe.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico, o produtor cultural Pablo Capilé, um dos fundadores do Fora do Eixo, afirmou que a rede é autogestionada ─ arrecada dinheiro através de eventos e atividades organizadas pelos coletivos e por editais ou licitações públicas. O dinheiro de editais, no entanto, seria o equivalente a entre 3% e 7% do caixa.

Leia a matéria na íntegra aqui

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