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Em frente à sua casa, vereador encontra documentos de empresa laranja em esquema no Iranduba

O vereador Irapuã, que integra a comissão especial processante responsável por avaliar o pedido de cassação do prefeito Xinaik Medeiros, disse ao MP que envelopes com certidões e notas fiscais foram deixados na frente de sua casa 18/11/2015 às 14:19
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Vereador Antônio Irapuã encontrou documentos e levou ao MP de Iranduba
joana queiroz Manaus (AM)

Onze envelopes contendo documentos diversos foram entregues na manhã desta quarta-feira (18) na sede do Ministerio Público do Iranduba pelo vereador Antônio Irapuã. De acordo com o vereador, os envelopes foram deixados na porta de sua casa na noite de terça para quarta-feira, e encontrado pela manhã desta quinta.

Nos envelopes contém certidões, notas fiscais e de empenho, entre outros documentos oficiais, todos em nome da empresa laranja Iranduba Comercio e Servicos Ltda, pertencente à família do prefeito afastado Xinaik Medeiros e peça-chave no esquema que suspeito de desviar mais de R$ 56 milhões em verbas públicas.

A empresa é alvo de investigação das operações Cauxi, deflagrada pelo do Ministério Público Estadual na última semana, e da Dízimo, conduzida pela Polícia Federal no município ao longo desta semana.

A organização do crime

Documentos apreendidos na Prefeitura Municipal de Iranduba durante a operação Cauxi, poderão revelar o destino dos recursos públicos que foram desviados pelos integrantes da organização criminosa (Ocrim) liderada pelo prefeito Xinaik Medeiros, secretários, servidores municipais e familiares deles. Ontem pela manhã iniciou o deslacre dos pacotes com material apreendido durante a operação.

De acordo com o procurador de Justiça Mauro Veras, os pacotes possuem documentos, notebooks anotações que foram apreendidos pelos policiais e que serão analisados criteriosamente por funcionários da Corregedoria Geral da União (CGU) e por membros do MPE.De acordo com a denúncia oferecida pelo MPE, os membros da Ocrim vêm agindo há bastante tempo e ainda permanecem unidos e associados para a “prática de crimes em organização estruturalmente ordenada”, em que  cada um tem uma função específica na estrutura hierarquizada, com o único objetivo de “obter vantagem econômico-financeira ilicitamente, em detrimento do erário público”. 

O prefeito Xinaik aparece nas investigações como um dos líderes da organização e um dos principais beneficiários do esquema, detentor do poder político. É ele quem “consegue”, com o Poder Público, os contratos e demais benefícios de interesse da organização, bem como indicava membros ou pessoas de confiança para cargos comissionados. O secretário de finanças David Queiroz também aparece como um dos líderes da organização, “mentor intelectual” e um dos principais beneficiários do esquema.

Segundo o MPE, era ele quem decidia quais empresas deveriam vencer as licitações e quem devia receber ou não os valores desviados. A tesoureira do Fundo Municipal de Saúde, Nádia Medeiros, irmã do prefeito Xinaik, completa o primeiro escalão da organização criminosa.  Nádia atua diretamente na organização criminosa, por meio das licitações.

Empresas

Amarildo Medeiros aparece como real proprietário de, pelo menos, duas empresas que ganharam licitações no município de Iranduba, além de atuar em outras empresas por meio de “testas-de-ferro” com o fito de dar aparência de legalidade aos certames.

Sérgio Souza da Silva, sócio da empresa Souza e Prestes Construções Ltda., é “membro empresarial” da organização, e utilizava suas empresas para canalizar os recursos obtidos por meio de licitações fraudulentas para, depois, repassá-los, em forma de propina, aos líderes do esquema. Outro sócio da empresa Souza e Prestes, o empresário Almir da Silva também é apontado como membro empresarial da organização e, assim como Sérgio, conseguia recursos por meio de licitações fraudulentas e os repassava aos líderes.

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