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Em meio à cheia no Acre, ladrões furtam casas alagadas

Animais estão morrendo e ladrões estão invadindo as casas alagadas e abandonadas para roubar pertences que sobraram. Ontem (2) a cheia superou a marca histórica 03/03/2015 às 09:24
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Cheia do Rio Acre subiu 45 centímetros e alcançou 17,92 metros, ontem (2)
Marcelo Brandão (Agência Brasil) Brasília

O Corpo de Bombeiros de Rio Branco informou que moradores da região estão encurralados pela água, animais estão morrendo e ladrões invadindo as casas alagadas e abandonadas para roubar os poucos pertences que não foram destruídos. A informação foi divulgada ontem (2) pela Agência Brasil.

A cheia do Rio Acre alcançou 17,92 metros ontem (2). Apenas na capital, Rio Branco, 75 mil pessoas foram atingidas. A cheia já superou a marca histórica, de 1997, quando o rio subiu 17,66 metros. São 6 mil pessoas alojadas em abrigos montados pelo governo e várias famílias esperando uma vaga.

“Aumentou a onda de assaltos. Tive relatos de cinco invasões de casas na periferia. Animais morrendo, gritando por socorro nas áreas alagadas. Isso é chocante. Fora a desolação no semblante das pessoas”, descreveu Irineida Nobre, moradora de Rio Branco em entrevista à Rádio Nacional.

Irineida pede que outros estados ajudem com doações para minimizar a perda dos milhares de moradores de Rio Branco e regiões próximas, como Xapuri, Brasileia e Epitaciolândia.

Com sua casa atingida, ela teve que se mudar para o apartamento de uma amiga. Ao seu redor, Irineida vê o desespero tomando conta da cidade. Também com a casa tomada pela água, uma amiga cogita se arriscar para salvar algum pertence. “A gente está tentando fazer com que ela não volte lá. No auge do desespero ela quer entrar, ver o que consegue salvar.”

Três pontes que ligam as duas partes da capital do estado estão interditadas. Duas delas por questões de segurança e a terceira por moradores que, com suas casas inundadas, exigem vagas em abrigos. Apenas uma ponte, em uma área mais afastada, está livre para circulação. Com isso, longos congestionamentos acontecem no local.

“O abrigo onde a babá da minha filha está não teve condição de oferecer café da manhã para todo mundo hoje de manhã. Fico me perguntando se isso vai ser agravado. A cada hora chegam mais pessoas para esse e para outros abrigos”, disse Irineida. “Me parece que, a nível nacional, as pessoas têm tido uma dimensão muito menor do que estamos vivendo.”

No site oficial, o governo do Acre informa como as pessoas podem ajudar os desabrigados. “Se vissem as imagens do que a gente está vivendo, muita gente ia se mobilizar para doar, para ajudar de alguma maneira as vítimas. A gente não está nem na metade do sofrimento que essa enchente vai causar, porque as águas ainda estão subindo”, diz, com voz embargada.

De acordo com o capitão Cláudio Falcão, da Defesa Civil do Acre, a água tem subido de dois a três centímetros por hora. “Nas últimas horas não tem parado de subir. É uma situação muito difícil que a população passa neste momento”.

O governo do estado e a prefeitura de Rio Branco decretaram ponto facultativo para os servidores. A tentativa é minimizar o caos instalado na cidade. “As equipes de socorro estão empenhadas, as secretarias de estado, trabalhando para auxiliar as famílias. Temos uma demanda enorme, mas estamos trabalhando intensivamente para que todos sejam atendidos”, explica Falcão.

De acordo com o governo do estado, o Ministério da Integração Nacional providenciou o envio de 17 mil kits humanitários individuais, além de liberar verba de R$ 3 milhões. A previsão é que o rio continue subindo.

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