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Cotidiano
POLÍTICA

Em oposição a fundador do PT, lideranças do AM defendem integridade do partido

Historiador afirmou em entrevista ao A CRÍTICA que o partido se aliou às práticas que combatia. Parlamentares afirmam que essência mudou, mas imagem continua preservada 29/01/2018 às 09:10
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Professor aposentado Aloysio Nogueira é um dos fundadores da sigla no Amazonas e criticou o que chama de ‘lulismo’ (Foto: Arquivo/AC)
Camila Pereira Manaus (AM)

Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) do Estado rebateram as declarações dadas pelo professor aposentado Aloysio Nogueira, um dos fundadores da sigla no Amazonas, em entrevista ao A CRÍTICA. No entanto, eles destacam que o PT precisa continuar mantendo a essência de ser um partido dos movimentos sociais.

Na entrevista, publicada na edição de ontem, o professor, que atualmente não é mais filiado ao partido, avaliou que a sigla nascida contra à política conservadora acabou se aliando às práticas que combatia e que ao longo dos anos perdeu a sua essência.

“Permaneci no PT até a publicação da chamada Carta aos Brasileiros de 2002. Embora, muito antes, o PT já não priorizasse a política histórica de defesa dos interesses dos trabalhadores e de seus mais diversos movimentos sociais. Por isso, agigantou-se no PT uma forma de fazer política que mais adiante se tornou conhecida como Lulismo, desprovido dos propósitos essências das origens do próprio PT”, afirmou Nogueira.

O presidente estadual do partido, Sinésio Campos (PT), avalia que a maioria dos partidos no Brasil perderam a “essência”.

“Houve um redirecionamento dos partidos. Afinal, a sociedade é dinâmica. Diferente de 30 a 40 anos atrás”, afirmou o dirigente. “Os partidos têm que fazer indistintamente  um redirecionamento e constante reavaliações de suas trajetórias políticas. A sociedade espera isso de todos os partidos”.

Sinésio Campos relembra que o PT nasceu “de forma plural, com concepções ideológicas diferentes”. “Essa questão de perder a essência, creio que veio de algumas alianças políticas, coligações, composições políticas. Por aí, houve alguns rachas. E assim surgiram outros partidos. Agora começa a consolidar um novo momento do PT”, ressalta, acrescentando que o partido sempre buscou manter o diálogo com a sociedade.

Já o vereador Sassá da Construção Civil (PT), único representante da sigla na Câmara Municipal de Manaus (CMM), defende que o partido continua com a imagem preservada.

“O PT foi o único partido, até hoje, que teve geração de emprego acima da meta. O único partido com projetos sociais. Teve respeito pela classe trabalhadora. As pessoas estão vendo que teve uma pouca caída. A questão política, no final do mandato de Dilma, teve uma perda grande para as pessoas, porque os partidos deixaram de lutar pelas pessoas, para lutar por eles mesmos”, afirmou ele.

O vereador afirma que a crise que se abateu no partido se deve aos arcos de aliança formados no passado. “O que acabou com o nosso partido foram algumas pessoas mal intencionadas e coligações que o partido fez”, observou o parlamentar.

‘O que o PT implantou está sendo copiado’

Para o deputado estadual José Ricardo Wendling, os programas sociais criados pelo PT são reconhecidos até hoje. “Tanto, que o País saiu do mapa da fome da ONU. Aquilo que o governo do PT implantou está sendo copiado pelos países mais pobres”.

O parlamentar defendeu a candidatura do ex-presidente Lula à presidência. “Lula é o melhor nome, em função do reconhecimento da população. Por isso, está bem nas pesquisas. Em relação, às alianças políticas que o PT fez, aqueles que estavam apoiando o partido foram os golpistas. Tiraram a presidente eleita e, infelizmente, vemos a corrupção que envolvem todos estes partidos, que eram aliados do PT”.

O deputado diz ainda que o partido precisa estar presente em movimentos sociais. “Concordo que quando o partido começou, em seu processo de formação de filiados havia um rigor maior que existe hoje - algo que está se discutindo internamente. Precisamos trazer aquilo que foi desde o início. Concordo que o PT precise estar nos movimentos sociais, porque nasceu dos movimentos sociais, dos trabalhadores. O professor Aloysio repete aquilo que é essência que os partidos de esquerda precisam ter. Lutar para mudar as desigualdades. Tem que estar nas ruas. Se não está o suficiente, tem que estar mais”.

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