Quarta-feira, 17 de Julho de 2019
POLÍTICA

Em oposição a fundador do PT, lideranças do AM defendem integridade do partido

Historiador afirmou em entrevista ao A CRÍTICA que o partido se aliou às práticas que combatia. Parlamentares afirmam que essência mudou, mas imagem continua preservada



zPOL0529-801_p01.jpg Professor aposentado Aloysio Nogueira é um dos fundadores da sigla no Amazonas e criticou o que chama de ‘lulismo’ (Foto: Arquivo/AC)
29/01/2018 às 09:10

Lideranças do Partido dos Trabalhadores (PT) do Estado rebateram as declarações dadas pelo professor aposentado Aloysio Nogueira, um dos fundadores da sigla no Amazonas, em entrevista ao A CRÍTICA. No entanto, eles destacam que o PT precisa continuar mantendo a essência de ser um partido dos movimentos sociais.

Na entrevista, publicada na edição de ontem, o professor, que atualmente não é mais filiado ao partido, avaliou que a sigla nascida contra à política conservadora acabou se aliando às práticas que combatia e que ao longo dos anos perdeu a sua essência.

“Permaneci no PT até a publicação da chamada Carta aos Brasileiros de 2002. Embora, muito antes, o PT já não priorizasse a política histórica de defesa dos interesses dos trabalhadores e de seus mais diversos movimentos sociais. Por isso, agigantou-se no PT uma forma de fazer política que mais adiante se tornou conhecida como Lulismo, desprovido dos propósitos essências das origens do próprio PT”, afirmou Nogueira.

O presidente estadual do partido, Sinésio Campos (PT), avalia que a maioria dos partidos no Brasil perderam a “essência”.

“Houve um redirecionamento dos partidos. Afinal, a sociedade é dinâmica. Diferente de 30 a 40 anos atrás”, afirmou o dirigente. “Os partidos têm que fazer indistintamente  um redirecionamento e constante reavaliações de suas trajetórias políticas. A sociedade espera isso de todos os partidos”.

Sinésio Campos relembra que o PT nasceu “de forma plural, com concepções ideológicas diferentes”. “Essa questão de perder a essência, creio que veio de algumas alianças políticas, coligações, composições políticas. Por aí, houve alguns rachas. E assim surgiram outros partidos. Agora começa a consolidar um novo momento do PT”, ressalta, acrescentando que o partido sempre buscou manter o diálogo com a sociedade.

Já o vereador Sassá da Construção Civil (PT), único representante da sigla na Câmara Municipal de Manaus (CMM), defende que o partido continua com a imagem preservada.

“O PT foi o único partido, até hoje, que teve geração de emprego acima da meta. O único partido com projetos sociais. Teve respeito pela classe trabalhadora. As pessoas estão vendo que teve uma pouca caída. A questão política, no final do mandato de Dilma, teve uma perda grande para as pessoas, porque os partidos deixaram de lutar pelas pessoas, para lutar por eles mesmos”, afirmou ele.

O vereador afirma que a crise que se abateu no partido se deve aos arcos de aliança formados no passado. “O que acabou com o nosso partido foram algumas pessoas mal intencionadas e coligações que o partido fez”, observou o parlamentar.

‘O que o PT implantou está sendo copiado’

Para o deputado estadual José Ricardo Wendling, os programas sociais criados pelo PT são reconhecidos até hoje. “Tanto, que o País saiu do mapa da fome da ONU. Aquilo que o governo do PT implantou está sendo copiado pelos países mais pobres”.

O parlamentar defendeu a candidatura do ex-presidente Lula à presidência. “Lula é o melhor nome, em função do reconhecimento da população. Por isso, está bem nas pesquisas. Em relação, às alianças políticas que o PT fez, aqueles que estavam apoiando o partido foram os golpistas. Tiraram a presidente eleita e, infelizmente, vemos a corrupção que envolvem todos estes partidos, que eram aliados do PT”.

O deputado diz ainda que o partido precisa estar presente em movimentos sociais. “Concordo que quando o partido começou, em seu processo de formação de filiados havia um rigor maior que existe hoje - algo que está se discutindo internamente. Precisamos trazer aquilo que foi desde o início. Concordo que o PT precise estar nos movimentos sociais, porque nasceu dos movimentos sociais, dos trabalhadores. O professor Aloysio repete aquilo que é essência que os partidos de esquerda precisam ter. Lutar para mudar as desigualdades. Tem que estar nas ruas. Se não está o suficiente, tem que estar mais”.

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