Terça-feira, 25 de Junho de 2019
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Em visita ao AM, ministro Unger prega discurso longe da prática

Ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos conversou autoridades locais sobre desenvolvimento da Amazônia, mas foi criticado por entidade dos municípios amazonenses



1.gif Prefeito de Manaus, Artur Neto, em conversa com ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger
05/05/2015 às 09:52

Na contramão do discurso do ministro-chefe da Secretaria de Assuntos Estratégicos, Mangabeira Unger, em defesa de uma política de desenvolvimento pautada nas realidades das grandes regiões do País, a União, historicamente, segundo o vice-presidente da Associação Amazonense dos Municípios, João Campelo, ignora até as dificuldades de logística de localidades isoladas da Amazônia.

Em visita a Manaus, Mangabeira Unger se reuniu, ontem, com o governador José Melo (Pros), o prefeito Artur Neto (PSDB) e técnicos da Superintendência da Zona Franca de Manaus (ZFM). “Nós estamos tentando construir uma nova estratégia nacional de desenvolvimento. Uma estratégia voltada para a produção e a oferta não apenas para o consumo e a demanda. Uma estratégia produtivista, capacitadora e includente. Essa estratégia só vai se efetivar se tocar o chão da realidade, que é a realidade das grandes regiões do País”, disse Unger após encontro com Artur.

Para o ministro, a Amazônia pode assumir um papel de vanguarda no projeto nacional de desenvolvimento. “A Zona Franca de Manaus pode ter como vocação ser o terreno privilegiado de um novo vanguardismo na Amazônia. Um vanguardismo que reúna empresas médias de ponta com ciência e tecnologia. É isso que nós queremos. Não apenas depender das multinacionais. Mas construir as nossas soluções de dentro para fora”, afirmou o ministro. “Eu entendo que a Amazônia pode ser uma vanguarda do novo projeto nacional, desse projeto produtivista”, ressaltou.

Prefeito de Itamarati, município distante 980 quilômetros de Manaus, João Campelo, afirma que o governo federal trata regiões diferentes como se fossem iguais. “O Governo desconsidera as desigualdades regionais. Vou dar um exemplo de dificuldade que nós vivemos: uma obra do governo federal que é liberada para Presidente Figueiredo, uma Unidade Básica de Saúde,  das menores, no valor de R$ 408 mil, é o mesmo valor para  Itamarati. Enquanto o cimento custa aqui R$ 26,  lá custa R$ 50. Temos dificuldades diferenciadas até dentro do Estado”, disse o vice-presidente da AAM.

Segmento fundamental na proposta de desenvolvimento nacional pregada pelo ministro de Assuntos Estratégico, o setor da Educação, de acordo com o prefeito, também desconsidera as dificuldades de região para região.

“Muitos ministérios são governados por pessoas que não conhecem o País. O mesmo valor que é liberado por aluno para um município do Sul do País é liberado para o meu município. Municípios de um Estado como Minas Gerais você circula de carro. Para ir a Itamarati leva nove dias de barco e até 48 horas de barco da sede para algumas comunidade para distribuir merenda escolar. Eles não entendem a questão da logística e nem conseguem entender a questão de custo. Um pacote de biscoito que custa R$ 0,15 no Sul do País no meu município custa R$ 2”, comparou. 

Com orçamento anual de R$ 17 milhões e total dependência dos repasses constitucionais do Fundo de Participação dos Municípios (FPM) e Imposto Sobre a Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), Itamarati ocupa a 5556ª colocação no Índice de Desenvolvimento Municipal (IDHM), a décima pior posição do País. “Somos obrigados a gastar 25% com educação, 15% com saúde, 6% com a Câmara. Todos os anos aumenta o salário mínimo. Nossa folha está no teto. Não sobra dinheiro para investimentos”, disse Campelo durante encontro na ALE-AM.

Falta federalismo cooperativo

O ministro Mangabeira Unger negou, ontem, que o governo da  presidente Dilma Roussef (PT) favoreça aliados na distribuição de recursos financeiros.  “O governo central tem um compromisso com a integridade das relações federativas. Mas ainda nos falta um desenho adequado de federalismo cooperativo. Estamos tentando construi-lo”, disse Unger ao lado do prefeito Artur Neto ao final do encontro no Palácio Rio Branco, Centro.

Desde a campanha eleitoral do ano passado, Artur dispara críticas à presidente. Afirma que, por ser de um partido de oposição, verbas prometidas pelo Planalto não são liberadas.

Ao ser questionado sobre a importância da conclusão de projetos do governo federal como a conclusão da BR 319, para o desenvolvimento da região, Mangabeira Unger disse: “Muito importante persistir na unificação física da Amazônia, na integração de rodovias com as hidrovias. Mas a curto prazo o mais importante e mais factível é a aviação regional de um lado e os caminhos vicinais de outro. Nós temos que unificar a Amazônia fisicamente. A unificação física da Amazônia é o palco de uma obra institucional transformadora”.

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