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Embate político no AM: José Melo e Artur Neto vão para o confronto com Eduardo Braga

Na leitura da mensagem governamental na Assembleia Legislativa, o governador abandonou a defensiva e não poupou ataques ao ministro das Minas e Energia, Eduardo Braga, autor da ação que resultou na cassação de seu mandato. Melo menciona episódios atribuídos a Braga, sem citá-lo. Já o prefeito Artur preferiu o ataque direto, afirmando que o ministro estaria envolvido na Lava-Jato 02/02/2016 às 11:09
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Mensagem Governamental de 2016 foi lida na ALE-AM na manhã desta segunda-feira (1º)
Janaína Andrade Manaus (AM)

Em recado ao seu principal adversário político, Eduardo Braga (PMDB), o governador José Melo (Pros) utilizou a leitura da mensagem governamental, ontem pela manhã, na Assembleia Legislativa do Estado (ALE/ AM), para dizer que nunca fez “armação para ganhar eleição” e listou algumas situações. Sem mencionar o nome do hoje ministro Eduardo Braga, o governador falou de  episódios atribuídos ao seu oponente.

Ao contrário do governador, o prefeito Artur Neto (PSDB) deu nome a quem dirigia seus ataques, ontem, ao falar com a imprensa na chegada à ALE-AM. “Como não sou de meias palavras, me refiro ao ministro Eduardo Braga”.

Segundo o prefeito, Eduardo Braga, que “está envolvido até a raiz do cabelo na Lava-Jato”, tenta desestabilizar o governo de José Melo. “Ele perdeu a eleição. Não pode dizer que teve a eleição roubada. Ele ajudou a roubar a minha, em 2010. Ele levou uma surra eleitoral e não está se conformando com isso”, disparou Artur.

Braga é autor do processo que resultou na cassação de Melo e do vice-governador, Henrique Oliveira (SD), há uma semana, no Tribunal Regional Eleitoral (TRE/AM), pelo crime de compra de votos.

“Nunca fiz armação para ganhar eleição. Em todas, tomei a decisão de apresentar propostas. Nunca perdi uma eleição no Amazonas, nunca. Porque,  como professor,  nunca me arredei daquilo que acredito,  que eram as propostas. Ganhamos a eleição para governador com mais de 173 mil votos de diferença. Nós tivemos 869.992 votos e o nosso adversário,  696.465 (votos),  55,54% dos votos;  11, 08% foi a diferença que nós tivemos para com o nosso adversário”, enfatizou Melo.

Em seguida, o chefe do Executivo elencou algumas ocasiões atribuídas a Braga. “Nunca levantei a minha mão para agredir um deficiente físico, nunca fiz isso [contra alguém] cujo pecado foi o de querer tirar uma foto,  Nunca fiz isso,  ao contrário,  eu e minha mulher sempre tivemos uma dedicação  enorme nesse campo sem nunca termos saído em nenhum meio de comunicação, porque é assim que sempre quisemos que fosse”, disse.

Em 26 de julho de 2014, Braga foi acusado de agredir um fotógrafo amador durante carreata de campanha no município de Maraã, na região do Alto Solimões. O caso foi encaminhado pelo Ministério Público Federal no Amazonas (MPF/AM) ao procurador-geral da República, Rodrigo Janot.

O governador afirmou ainda: “nunca mandei ninguém jogar ovo em candidato meu para simular uma agressão, nunca fiz isso”. Melo se referia ao ocorrido em 11 de setembro de 2012, durante eleição, quando a senadora Vanessa Grazziotin (PCdoB), foi agredida com ovadas na entrada de uma TV local, onde participaria de um debate.

Receita aquém do esperado

A frustração na Receita Estadual, em 2015, foi de R$ 1,5 bilhão, em relação ao que estava planejado na Lei Orçamentária Anual (LOA), declarou o governador José Melo, durante a leitura da Mensagem Governamental. “Somente no ICMS, nossa principal fonte de arrecadação, perdemos R$ 393,4 milhões em relação a 2014”, disse.

Nas duas reformas administrativas realizadas em 2015 - a primeira em março e a segunda em outubro - Melo afirmou que reduziu os gastos em R$ 410 milhões referentes a custeio e investimentos.

“Repactuamos mais de 640 contratos com fornecedores, cortamos em 20% os gastos com passagens aéreas, reduzimos em 30% os gastos com a frota automotiva do Estado”, detalhou o governador.

Investimentos na área da saúde, que em 2015, representou 23% do orçamento do Estado, foi destaque. Para 2016, Melo afirmou que “a prioridade das prioridades” será a educação. Ações do Fundo de Promoção Social (FPS), aumento no volume  de apreensões de drogas e combate ao crime organizado, além dos programas Banco do Povo e Plano Safra também foram destaques na leitura.

Blog: José Melo, Governador do Amazonas

"Eu nunca usei,  mesmo quando estava com força, nunca usei da minha força para fechar órgão de imprensa. Nunca simulei sequestro de ninguém. Nunca mandei ninguém jogar ovo em candidato meu para simular uma agressão. Nunca,  em toda minha vida,  agredi um adolescente de 16 anos,  nunca fiz isso. Nunca levantei a minha mão para agredir um deficiente físico, nunca fiz isso, cujo pecado foi o de querer tirar uma foto. Também não fui ao Careiro Castanho  mandar os meus seguranças  agredir a um homem do Povo do Careiro (Castanho) que estava exercendo o seu direito de reclamar. Nunca apresentei dossiê,  nunca publiquei  coisas que denegrissem a imagem de qualquer candidato.  Também,  em todas as minhas eleições,  nenhum carro,  nenhuma Kombi que estava a serviço  da minha eleição  foi sair por aí fazendo arrastão,  simulando assaltos para demonstrar à população que havia insegurança na cidade de Manaus. Nunca me utilizei dessas coisas. Respeito a justiça da minha terra,  respeito o TRE/AM. Decisão judicial você cumpre ou vai até a até última instância. Portanto,  eu vou fazer isso,  porque eu,  nas minhas convicções, sei que tenho que fazer isso até o fim, porque é impossível acreditar que quase 900 mil pessoas do meu Estado querido, que me deu berço  e que eu amo, tenham vendido o seu voto."

Eduardo Braga responde

Procurado pela reportagem, por meio de sua assessoria de imprensa, o ministro Eduardo Braga (PMDB) afirmou que lamenta as declarações de Melo e que se sentiu agredido com o que classificou de “ataques descabidos e cheios de inverdades”.

“Enquanto estou trabalhando, o governador José Melo me agride covardemente, e eu lamento. Esperava que o governador usasse a mensagem governamental para prestar contas do trabalho dele em 2015 e mostrar para o povo do Amazonas o que está planejando”, divulgou a assessoria do ministro Eduardo Braga.

O processo em que Melo foi cassado é de autoria da coligação “Renovação e Experiência”, que denunciou suposta compra de votos a favor do governador José Melo, apontando Nair Blair como responsável por uma “empresa-fantasma” que recebeu verba pública ilegalmente destinada à captação ilícita de sufrágio.

A Polícia Federal apreendeu R$ 11,7 mil e documentos que incluíam notas fiscais, listas de eleitores e recibos com assinaturas de Blair e do irmão do governador, Evandro Melo. Evandro foi quem coordenou a campanha de Melo nas  eleições de 2014.


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