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Emissão de gases poluentes põe em risco saúde dos Amazonenses

Em um flagrante feito pela reportagem de A CRÍTICA, dois ônibus que trafegavam pelo Centro, mostraram o risco exposto em forma de fumaça 04/06/2013 às 08:18
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O Código de Trânsito Brasileiro também prevê penalidades como multa e retenção para regularização do veículo cujos índices de emissões de gases poluentes seja alto
Joelma Muniz ---

Distúrbios respiratórios, circulatórios, mutações genéticas, doenças na pele, cânceres de pulmão e mama são algumas doenças que uma pessoa exposta às fumaças lançadas na atmosfera por veículos automotores podem adquirir ao longo da vida. De acordo com o Professor Doutor em Física Atmosférica pela Universidade de São Paulo, Paulo Eduardo Artaxo Netto, é eminente a necessidade da criação de uma rede de monitoramento da qualidade do ar em Manaus.

Em um flagrante feito pela reportagem de A CRÍTICA, nesta segunda-feira (03), dia em que teve início a Semana do Meio Ambiente - comemorado mundialmente no próximo dia 5 - dois ônibus que trafegavam pela avenida Getúlio Vargas, Centro, mostraram o risco exposto em forma de fumaça. Os coletivos de placas JXO 6954 e OAH 5679 aparecem emitindo considerável quantidade de poluentes.

A Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Sustentabilidade (Semmas), em 2013, não realizou nenhuma fiscalização para avaliar a situação dos ônibus que integram o sistema de transporte coletivo de Manaus. A Semmas informou ainda que as ações são realizadas quando os carros estão nas garagens, para não atrapalhar a rotina dos usuários. E servem para identificar apenas a presença da fumaça preta.

Segundo o professor doutor, Paulo Artaxo, o automóvel que produz fumaça deve passar por uma revisão, já que o normal é o veículo não lançar fumaça. “O normal e o aceitável é que o automóvel não emita qualquer tipo de fumaça, seja ela cinza ou preta. Quando isso acontece, ele não está realizando a combustão de forma completa”, ressaltando que dentre tantas substâncias liberadas por veículos, estão o monóxido de carbono (CO), óxidos de nitrogênio e dióxido de enxofre (SO2).

Segundo Paulo Eduardo Artaxo Netto, professor doutor que já trabalhou na Nasa (Estados Unidos), e nas Universidades de Antuérpia (Bélgica), Lund (Suécia) e Harvard (Estados Unidos), a toxicidade das fumaças cinzas ou pretas, podem equivaler a de uma grande queimada. “Dependendo da intensidade e do período de tempo em que é lançada, a fumaça pode ser tão perigosa quanto a de um incêndio ou de uma queimada”, disse.

“Nos últimos anos Manaus apresentou números expressivos no que diz respeito ao aumento da frota de veículos. A população também vem crescendo de forma considerável o que serve de alerta para os responsáveis pela saúde pública e ambiental. Manaus é uma das poucas metrópoles que conheço que não possui uma rede para monitorar a qualidade do ar”, alertou Paulo Eduardo Artaxo Netto. O alergista e dermatologista, Simão Pecher, concorda com as afirmações do Professor Doutor Paulo Atarxo. Para Pecher, a fragilidade do ser humano e da natureza diante da agressão dos gases tóxicos deve ser levada a sério pelas autoridades.

De acordo com o Censo 2010 feito pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 2,7 milhões de pessoas vivem na área urbana da cidade, que possuía em abril passado, 297 mil automóveis em circulação, conforme dados do Departamento Estadual de Trânsito do AM (Detran).

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