Sábado, 12 de Outubro de 2019
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Empresa Andrade Gutierrez faturou R$ 314 milhões com obras no Estado do Amazonas

Suspeita ligação com o esquema de corrupção na Petrobras, construtora executou projeto da Arena da Amazônia



1.jpg Empresa executou obras civis e instalou a estrutura de cobertura, elétrica, hidráulica e os sistemas de ar-condicionado da Arena da Amazônia
29/01/2015 às 09:22

Nova integrante da lista de construtoras investigadas pela possível ligação com o esquema de corrupção na Petrobras, a Andrade Gutierrez é responsável por obras emblemáticas da capital amazonense acumulando contratos milionários com o governo estadual. Construtora da Arena da Amazônia, a empresa faturou, só no ano passado, negócios que somam R$ 97,5 milhões. De 2010 a 2014, a construtora faturou R$ 314,4 milhões com obras no Estado.

O montante é referente apenas às obras que a pasta de Infraestrutura (Seinfra) administrou com a Andrade Gutierrez no ano passado. Segundo é possível acessar no site transparência do governo, as maiores parcelas desse valor, uma de R$ 39 milhões e outra de R$ 20 milhões, referentes a termos aditivos para a execução de obras na Arena da Amazônia. O contrato da construtora com o Estado para a construção do estádio é de R$ 550 milhões.

A empresa não é a primeira responsável por grandes construções no Amazonas a ser investigada pela Polícia Federal nos desdobramentos da Operação Lava Jato. Citadas na primeira turma de construtoras pelo ex-diretor da estatal, Paulo Roberto Costa, a Camargo Corrêa executou a obra da Ponte Rio Negro e a OAS fez parte do consórcio responsável pela obra do gasoduto Urucu-Manaus.

Obra administrada pela Petrobras, o gasoduto construído na gestão do ex-governador e atual ministro de Minas e Energia, Eduardo Braga (PMDB), é, no entanto, a única construção diretamente envolvida no esquema. Entre 2007 e 2008, o Tribunal de Contas da União (TCU) passou a investigar cerca 26 irregularidades nos contratos com a OAS.

A Andrade Gutierrez e outras dez empresas passaram a ser investigadas a pedido do delegado Eduardo Mauat, da PF em Curitiba, base da Lava Jato. No pedido enviado a Justiça Federal na última sexta-feira (23), ele ressalta a “necessidade de abertura de novos inquéritos para apurar dados relativos a outras empresas possivelmente envolvidas nas fraudes”.

A PF lista, além da construtora, as empresas alvo da nova etapa da investigação: MPE Montagens e Projetos Especiais, Alusa Engenharia, Promon Engenharia, Techint Engenharia e Construção, , Skanska Brasil, GDK S/A, Schahin Engenharia, Carioca Christian Neilsen Engenharia, Setal Engenharia Construções e Perfurações.

O delegado levou em conta informações obtidas pela PF na delação premiada do doleito Alberto Youssef como base para abrir os novos inquéritos. Além disso, houve análise em diversos documentos, recibos e comprovantes de depósitos que comprovariam a ligação entre essas empresas e o esquema de corrupção na estatal.

Empreiteira pede absolvição

A defesa do empresário Sérgio Cunha Mendes, vice presidente da empreiteira Mendes Júnior, pediu sua absolvição sumária à Justiça Federal no Paraná sob alegação de que ele foi vítima de “achaque”.

Para assegurar contratos com a Petrobras, Sérgio Mendes teria sido obrigado a repassar valores ilícitos para o ex-diretor de Abastecimento da Petrobras, Paulo Roberto Costa, “com o auxílio” do doleiro Alberto Youssef.

Costa e Youssef, personagens centrais do suposto esquema de corrupção e propinas que se instalou na estatal petrolífera, estão presos desde março de 2014. Eles fizeram delações premiadas.

A tese da defesa da Mendes Júnior foi apresentada à Justiça Federal em resposta à acusação do Ministério Público Federal. Segundo a força tarefa da Lava Jato, no período de 2004 a 2014, o vice presidente e outros executivos da Mendes Júnior Trading Engenharia S/A (MJTESA) teriam praticado crime de corrupção ativa.


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