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Cotidiano
Meio Ambiente

Empresa Sovel contesta denúncias de moradores sobre poluição no Lago do Aleixo

Empresa rechaçou as críticas feitas pela comunidade da Colônia Antônio Aleixo, na Zona Leste, destacando o que já foi feito, e o que está sendo realizado, para manter o local preservado 30/04/2016 às 03:55 - Atualizado em 30/04/2016 às 14:32
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O gerente da empresa Sovel, Gastão Justu, apresentou documentos de licenciamentos ambientais à imprensa / Fotos A Crítica e Winnetou Almeida
Paulo André Nunes Manaus (AM)

Citada pelos moradores da Colônia Antônio Aleixo como uma das causadoras da poluição existente no Lago do Aleixo, a empresa Indústria de Papel Sovel da Amazônia Ltda, por meio da sua assessoria jurídica e gerência, rechaçou as críticas feitas pela comunidade destacando o que já foi feito, e o que está sendo realizado, para manter o local preservado.

Na última quinta-feira (28), A Crítica publicou matéria na qual a empresa é descrita por representantes do Centro Social e Educacional do Lago do Aleixo (Csela) como poluidora das águas do lago com dejetos oriundos da sua fábrica. Os comunitários também destacaram que os outros causadores da poluição são a Unidade Prisional do Puraquequara (UPP), unidades de saúde pública e empresas do Distrito  Industrial 2.

Há 11 anos, uma das barragens da empresa desmoronou, durante um período chuvoso, e o material que estava nele foi arremessado no Lago do Aleixo, forçando a empresa a assinar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC).

A advogada da Sovel, Carolina Postigo, confirmou que a Sovel responde a uma ação civil pública movida pelo Ministério Público Federal do Amazonas (MPF-AM) em relação ao Lago do Oscar (uma das partes do Lago do Aleixo), mas que a mesma ainda está em tramitação.

Outra ação, esta partindo do Ministério Público do Estado (MPE) em relação só ao Lago do Aleixo, teve denúncia rejeitada pela Justiça.

“Nossa empresa rechaça o que foi veiculado a partir das declarações dos próprios moradores. Não existe mais nada de degradação ou de despejo de dejetos de papelão ou de papel. Isso não é mais despejado no lago. A área está revitalizada e a empresa está interessada em fazer a manutenção. Temos equipamentos e ferramentas com pessoal qualificado e especializado para impedir que qualquer coisa dessa passe ou desça para o lago”, informou a advogada.

Ela destaca que a empresa está em conformidade com sua documentação ambiental. “Estamos com as nossas licenças em dia, e o Ipaam e o Ibama vem aqui e nos fiscalizam. Somos fiscalizados demais. Não sofremos nenhuma multa nos últimos anos do Ipaam, Semmas ou qualquer órgão”, afirma a representante jurídica.

Mutirões e comunidade

Carolina Postigo frisou que “os principais responsáveis pela poluição são os próprios moradores, que não têm zelado pela preservação ambiental, até porque as fotos da matéria mostram desperdício doméstico, com garrafas pets e comidas. E a empresa não utiliza esses materiais no seu processo de produção”.

Em relação ao despejo das garrafas pets, a própria empresa garante ter organizado, voluntariamente, mutirões de limpeza junto à comunidade do Lago do Aleixo até o ano de 2013. “Por quatro anos seguidos fizemos esses mutirões, e sem cobrar qualquer custo pelo fato da comunidade não dispôr de saneamento básico e nem ter onde despejar seu esgoto. E tinha mais a situação do lixo, onde a gente sabe que os moradores muitas vezes jogam seu lixo no rio por não passar lixeiro. Os mutirões foram veiculados na imprensa, onde a empresa estava ajudando a comunidade a fazer a limpeza desses garrafas, sacos plásticos e de tudo. Era o nosso projeto ambiental e social, pois a empresa Sovel é comprometida com isso", detalha a representante jurídica

Carolina Postigo disse que a parceria chegou ao fim porquê a própria comunidade não manifesta mais interesse de participar: "A comunidade tem feito descaso com o próprio local onde mora, continuando a jogar pets, garrafões, no rio. E é importante chamar a atenção para o fato que esses produtos não fazem parte do processo de produção da empresa".

Ela também ressaltou que não existem laudos, nem documentos, por parte de nenhum órgão, que ateste que as doenças alegadas por moradores da Colônia Antônio Aleixo tenham partido de qualquer atividade da empresa Sovel. “Se existem essas mazelas, isso não tem qualquer relação com a empresa”, garante ela.

Documentos

Gerente da Sovel, Gastão Justu apresentou à imprensa documentos atualizados e expedidos junto a orgãos fiscalizadores ambientais como o Cadastro Técnico Federal do Ibama, e a Certificação de Licença Operacional do Ipaam.

O gerente também apresentou slides de fotos mostrando que, na época de seca, os resíduos tratados e eliminados pela empresa, por meio dos seus canais de escoamento, não estavam degradando o ambiente. E fotos de março e deste mês de abril também apresentavam vegetação crescendo pela beirada do lago, estando esverdeada.

Ao ser questionado sobre o que seria a poluição denunciada pelos moradores onde um deles mostrou, com um remo, o estado da vegetação sem vida sobre o Lago do Aleixo, Gastão Justu disse que ela é, na verdade, o natural "resíduo da recuperação do período da fase da vazante".

O gerente afirmou que o Plano de Recuperação das Áreas Degradadas (PRAD) realizado pela Sovel vem apresentando resultados bastante satisfatórios. "Quando o lago seca, lá por novembro, nós começamos todo um trabalho de recuperação nele, limpando e tirando papel, garrafas pet, sacos de lixo. Entre 2014/2015, nós retiramos do lago um volume significativo; de 2015 a 2016 nós só tiramos 8% do que tinha no ano anterior. Ou seja, todo o trabalho que fizemos de otimização está dando resultado”, disse Gastão Justu.

Estações

A empresa informa possuir duas estações de tratamento do esgoto doméstico – uma unidade atende uma parte da fábrica e o refeitório, e a segunda, o restante da Sovel. “A capacidade das estações de esgoto é para suportar mais de 500 funcionários, mas hoje atendem cerca de 280 colaboradores”, diz o gerente. “Diariamente realizamos monitoramento da qualidade da água que entra e sai da estação de tratamento. E de 2 em 2 meses fazemos análise em laboratório externo e o resultado é enviado para o Ipaam”, completa Gastão Justu.

“Nosso resíduo industrial não vai para junto com a água: segue para a empresa que faz a incineração. Nosso lixo doméstico, também. Temos um plano de gerenciamento de resíduos sólidos e não podemos jogar as coisas apenas em uma lixeira fora da fábrica, onde é feita toda uma gestão disso. Não jogamos garrafas pets no lago. Nem refrigerantes usamos aqui na fábrica. Compramos baldes de suco concentrado e esses mesmos baldes viram lixeira. Nosso processo não é químico, é físico, mecânico”, explicou o gerente.

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