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Empresário é preso suspeito por estupro de índias em São Gabriel da Cachoeira

Marcelo Carneiro Pinto havia sido preso pela Polícia Federal na operação ‘Cunhantã’ acusado de estuprar índias de 9 a 14 anos 30/09/2015 às 11:11
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Assim que foi solto, em março de 2014, ele fugiu para o município de São Gabriel da Cachoeira; foi preso novamente, ontem
joana queiroz ---

O empresário Marcelo Carneiro Pinto foi recapturado na manhã desta terça-feira (29) a casa dele, no município de São Gabriel da Cachoeira (a 852 quilômetros de Manaus) e deverá ser trazido de volta para Manaus ainda nesta semana. Ele foi colocado em liberdade no dia 17 de março desde ano, pela desembargadora da 2ª Câmara Criminal, Encarnação das Graças Salgado, alegando que o preso estava sofrendo constrangimento e que estava com excesso de prazo, pois a instrução processual dele, na época, ainda não havia sido nem marcada, entretanto, teve a liminar cassada no dia 30 de março e no dia seguinte expedido o mandado de prisão pelo desembargador Mauro Bessa.

De acordo com informações de moradores do município, Marcelo estava escondido em sua casa, um imóvel de três andares, possivelmente num depósito, na avenida Getúlio Vargas, Centro da cidade de São Gabriel da Cachoeira, desde abril, logo depois de ter ganhado liberdade. Ontem, por volta das 6h, policiais federais foram à casa do empresário e deram cumprimento ao mandado de prisão preventiva decretada pelo desembargador Mauro Bessa.

Marcelo foi preso pela Polícia Federal em 2013 na “Operação Cunhatã”, (que significa menina na língua tupi) que desarticulou uma rede de exploração sexual de adolescentes indígenas no município de São Gabriel da Cachoeira. Ele é acusado de manter relações sexuais com meninas indígenas virgens, com idades entre 9 anos e 14 anos, em troca de dinheiro, presentes, alimentos e bombons.

Na operação, além dele, mais nove réus foram presos por crimes de estupro de vulnerável, corrupção de menores, satisfação de lascívia mediante presença de criança ou adolescente, favorecimento da prostituição de vulnerável, rufianismo (tirar proveito da prostituição alheia) e coação no curso do processo. Os réus também são duas mulheres, três comerciantes, um ex-vereador e servidores públicos.

Segundo a investigação, os homens acusados têm poder econômico elevado e se aproveitaram da situação de pobreza das meninas. Dois deles são acusados por crimes previsto no art. 241-B do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA): “Adquirir, possuir ou armazenar, por qualquer meio, fotografia, vídeo ou outra forma de registro que contenha cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente”.

Vítimas são indígenas de São Gabriel

O Ministério Público Fereral (MPF/AM) também entendeu que a ofensa à dignidade sexual das vítimas prejudica não apenas a elas próprias, mas também a identidade indígena de toda a comunidade a qual pertencem.

De acordo com os autos, as vítimas de Marcelo Carneiro Pinto são adolescentes das etnias tariano, wanano, tukano e baré, que vivem na periferia de São Gabriel da Cachoeira cuja população é 90% indígena. Marcelo estava preso no Centro de Detenção Provisória (CDP), no km 8 da BR-174, e foi colocado em liberdade por meio de habeas corpus deferido pela desembargadora Encarnação das Graças Sampaio Salgado durante o plantão no dia 17 de março. Mas o desembargador Mauro Bessa cassou a liminar no dia 30 de março.

Ameaças

De acordo com o delegado da Delegacia Especializada em Vigilância e Captura ( Polinter) Antônio Rondon, Marcelo passou a ser um dos alvos de captura. Muitas pessoas ligavam para a Polinter querendo saber se Marcelo Carneiro Pinto havia sido recapturado. Pessoas de São Gabriel da Cachoeira dizem que ele é perigoso e que depois que ganhou liberdade passou a ameaçar vítimas e testemunhas.

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