Domingo, 19 de Maio de 2019
Indústria e comércio

Empresários da indústria e comércio do AM projetam um 2017 de estabilidade econômica

Cautelosos, dirigentes projetam estancamento da crise econômica que assola o País desde 2015 e lenta retomada do crescimento



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O Brasil encerrou 2016 com um contingente de 12,1 milhões de desempregados, segundo o IBGE (Foto: Divulgação/internet)
01/01/2017 às 05:00

O piloto não sumiu, mas é bom apertar os cintos. Com o ano novo batendo à porta, lideranças do comércio e indústria fazem um prognóstico desalentador para 2017 - reflexo de um período de recessão econômica que ainda se faz notar nos setores.

“Nós estamos acumulando anos ruins. 2014, 2015, 2016 - todos ruins. Eu entendo que a economia chegou ao fundo do poço que agora deve começar a estabilizar. Nada de crescimento espetacular, uma vez que ajustes econômicos de grande monta ainda precisam ser feitos em todos os níveis: município, Estado e principalmente União”, comentou José Roberto Tadros, presidente da Federação do Comércio do Estado do Amazonas (Fecomércio).

A indústria, por sua vez, não vislumbra esse crescimento tão cedo. “Nós temos que ter a seguinte perspectiva: vamos ter um primeiro trimestre de 2017 com muita dificuldade e, a partir do segundo trimestre, talvez as coisas ou melhorem ou ao menos parem de piorar. Com a chegada do segundo semestre, estamos alimentando a esperança de que, com um cenário político e institucional do País mais organizado e livre dessa confusão que estamos vendo, possamos ter de volta algo de que precisamos urgentemente, que é a credibilidade. Só com ela teremos investimentos e emprego para uma retomada”, comentou Nelson Azevedo, vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), destacando, no entanto, que essa retomada somente dará conta das perdas que o setor teve nos últimos anos: “Crescimento real mesmo, só em 2018”.

Ralph Assayag, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Manaus (CDL-Manaus), nem se arrisca a prever tão longe. “2017 vai ser essencialmente bimestral, não temos como falar em períodos de tempo maiores que esse. Nós da CDL estamos acreditando nas palavras tanto do governo quanto da prefeitura, que alegam ter recebido dinheiro para realizar obras pela cidade. Nós sabemos que esse tipo de atitude movimenta os comércios de cada bairro e aquece a economia, no entanto, precisamos saber se isso é verdade e essas obras vão realmente ocorrer”, apontou o dirigente.

Para Ezra Benzion, da Federação das Câmaras de Dirigentes Lojistas do Estado do Amazonas (FCDL-AM), o comércio deve ficar independente. “Do governo, a gente não pode esperar nada. O do Estado, por mais esforços que tenha feito, nos deu de presente o aumento do ICMS. A taxa da Suframa, que já foi até tida como inconstitucional, voltou. Eu acho que se o poder público não aumentar nada, já vai ter cumprido a parte dele”, arrematou o empresário.

Combate ao desemprego

Para as lideranças da indústria e do comércio, o desemprego é a principal consequência da atual crise que precisa ser combatida. “Nós não temos 13 milhões de desempregados. Nós temos 20 milhões. Dessa diferença, 6 milhões são pessoas que já desistiram de procurar emprego e o resto foram as que migraram para o sub-emprego. Elas não entram na estatísticas do governo, mas esse exército existe. Para comparar, é o dobro da de Portugal. Não à toa, nós tivemos, em 2016, o pior Natal dos últimos 12 anos”, comentou José Roberto Tadros, dirigente da Fecomércio-AM.

Ezra Benzion, da FCDL-AM, é ainda mais categórico. “Nosso vilão é o desemprego. Enquanto as pessoas não tiverem dinheiro e, logo, meios de consumir, não vejo saída para esta crise. Ela está diretamente relacionado ao poder de compra e a contratação está ligada ao poder da economia. Se os empresários pararem de demitir, isso vai ser uma grande mensagem dentro do nosso cenário. Vai ser como dizer: ‘Não podemos mais reduzir. Queremos crescer e precisamos de gente’. Aí a situação evolui”, disse.

“Não precisa ser economista para saber disso. Começou a contratar, a economia volta. É simples assim. O comércio tem que ser otimista e acreditar que isso vai ser viável, senão não adianta. Ele fecha as portas”, declarou Ralph Assayag, da CDL-AM.

Aumento de impostos

Apesar de demonstrarem fé nas medidas econômicas anunciadas pelo governo Michel Temer (PMDB), os dirigentes apontaram a burocracia estatal do trâmite aduaneiro do Polo Industrial de Manaus (PIM) e das licenças de operação do comércio como grande empecilhos para e economia, e repudiaram qualquer medida de saída da crise que envolva aumento de tributos.

“O Executivo e o Legislativo não podem gastar de forma a exceder as expectativas de receita. Se eles quiserem fechar essa conta com aumento de carga tributária, você vai tirar a rentabilidade das empresas e desestimular a economia. Se você olhar para o que aconteceu nos últimos anos, as únicas empresas que se mantiveram altamente rentáveis eram aquelas intimamente ligadas com o governo, muitas com acordos escusos. Isso só mostra como nossa carga já é alta e nos torna um país excessivamente caro”, detalhou José Roberto Tadros.


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