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Empresas do polo de duas rodas estimam fazer exportações maiores para combater a crise

Indústrias do polo de duas rodas traçam estratégias e miram nos mercados da América Latina para ampliar as vendas 28/01/2016 às 20:49
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Moto Honda detém 87,1% das exportações de motocicletas, principalmente dos modelos CG 150cc, Biz 125cc e Tornado 250 cc. Argentina é o principal comprador
Cinthia Guimarães Manaus (AM)

A indústria de duas rodas em Manaus não se abate com resultados de 2015 e projeta crescimento de 8,5% nas exportações em 2016 ou US$ 200 milhões em vendas. Esta é uma das saídas para combater a crise que abate o setor há pelo menos quatro anos.

A expectativa para 2016 é de exportar 75.000 unidades, o que representa um crescimento de 69.123 em relação ao volume de 2015. A projeção é positiva, levando em consideração que 2015 foi um ano ruim quando as exportações caíram -21,5% comparadas a 2014.

Representante do Sindicato das Indústrias metalúrgicas, Mecânicas e de Materiais elétricos de Manaus (SIMMMEM), o empresário Athaydes Mariano Félix disse que a desvalorização do real ante o dólar (que ontem fechou a R$ 4,08) tem ajudado a fomentar as exportações.

As exportações significam 5,47% da produção total de motos (cerca de 1,220 milhão). Segundo Mariano, a expectativa a médio e longo prazo é de chegar até 40% para exportação, se as condições estruturais nos favorecerem.

Os principais mercados consumidores para as motocicletas fabricadas no Polo Industrial de Manaus (PIM) são Argentina, Colômbia, Peru, EUA e o Chile. Só a Argentina abocanha 70% das exportações da Moto Honda.

No ano passado, a montadora japonesa deteve  87,1% de participação no mercado externo, seguido pela Yamaha (12,7%) e a Kawasaki (0,2%) -  vide tabela 2. Os modelos mais requisitados são CG 150cc, Biz 125cc e Tornado 250 cc, informou o gerente de relações institucionais da Moto Honda, Mário Okubo. “Aproveitamos a crise e a taxa do dólar para exportar”, ressaltou Okubo.

Por outro lado, Okubo destacou o custo-Brasil como empecilho para o crescimento das exportações. Isso inclui fatores como altos, taxas, mão de obra mais produtiva e, principalmente, dificuldades de infraestrutura logística.

Os produtos saem de Manaus por rota fluvial até Belém e depois seguem por estrada para o Sudeste, até os mercados consumidores. Empresários acreditam que a rota rodo-fluvial passando pelos estados de Rondônia, Acre até chegar o Oceano Pacífico abririam novos mercados.

“A Argentina é o nosso principal mercado. Mas tivemos dificuldades com governo da presidente Cristina Kirchner. Exportamos e não conseguia receber as vendas. Espero que com este novo governo as coisas se acertem”, explicou Okubo.

Sondagem industrial

A pesquisa Sondagem Industrial só teve resultado positivo no crescimento da quantidade de exportação. O índice cresceu de 50,1 pontos, em dezembro, para 52,4 pontos, em janeiro.

Setor forte

O setor de duas rodas  é o segundo mais importante do PIM, com 16,89% de participação em termos de faturamento. Ele é composto por 13 fábricas montadoras e uma cadeia formada por um cluster 60 empresas componentistas. São fábricas que produzem motocicletas, bicicletas, motonetas, triciclos, entre as quais estão Moto Honda, Yamaha, Dafra, Suzuki, Kawasaki, Triumph, Bramont, Harley-Davidson. No total, as fabricantes do Polo Industrial geram aproximadamente 16 mil empregos diretos em Manaus.

Vendas em geral nada animadoras

As vendas de motos em 2015 não foram bem. No acumulado do ano, foram produzidas 1.262.708 motocicletas, 16,8% a menos do que o registrado em 2014 (1.517.662), segundo a Abraciclo.

No entanto, a Abraciclo, associação que reúne os fabricantes brasileiros do setor, não está tão pessimista para 2016 e planeja um fim da queda.

A projeção é de apenas 10 mil vendas a mais, no total de 1,22 milhão de unidades - produção de 1,28 milhão -, mas já representa um quadro menos desanimador. "Não estamos muito otimistas, claro, mas achamos que essa crise política e econômica do Brasil vai ser aliviada e baseamos nossos números no segundo semestre. Resta agora torcer para ser assim", disse o presidente da Abraciclo, Marcos Fermanian. 


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