Quinta-feira, 27 de Junho de 2019
CONTRAMÃO

Empresas optam pelo talento e contratam mulheres grávidas

Em algumas empresas é defendida a ideia de que a gestação não significa a incapacidade de a profissional mostrar suas habilidades



mae_14CF0DB3-96D2-4000-A6A4-924C73517419.JPG Foto: Arquivo/AC
13/05/2019 às 09:31

No Dia das Mães, um assunto que ganha destaque é a contratação de mulheres grávidas. Embora pouco comum, algumas empresas ao redor do Brasil e do mundo já aderiram a esse tipo de contratação, defendendo a ideia de que a gestação não significa a incapacidade de a profissional demonstrar seu talento no mercado de trabalho, desde que sejam respeitadas as condições previstas na legislação.

A psicóloga e consultora organizacional Sônia Maria Barbosa foi desligada de uma empresa no período de experiência por estar grávida, mas continuou prestando serviços como consultora para a instituição. Segundo ela, contratar mulheres grávidas deveria ser visto pelas empresas do País como uma questão de compromisso social.

“As pessoas devem ser a avaliadas por suas capacidades e competências. Vale lembrar que essas contratações estão relacionadas à questão humana. Além de não haver impedimento, a atitude reforça a missão da empresa e chama a atenção para uma gestão mais humana e acolhedora”, diz a consultora.

Foi exatamente com esse pensamento que o fundador da Trackmob, Jonas Araújo decidiu contratar a jornalista e advogada Anna Lethicia Rosseto, que estava no 9º mês de gestação para atuar na startup.

“Simplesmente não fazia sentido não optar pela profissional que foi superbem em um processo seletivo envolvendo cerca de cem candidatos por causa de uma questão de curto prazo, que é a gravidez. Se eu olhar o negócio a longo prazo, a contratação dela não tem problema algum, muito pelo contrário”, disse o empresário em entrevista ao portal de notícias UOL.

Anna assumiu o cargo de head de Marketing Digital e deu à luz ao seu filho apenas 20 dias após a contratação. Agora a profissional está em licença-maternidade e deve retomar ao posto no mês de agosto.

Limitações

Segundo o advogado Renan Correa, que atua em causas trabalhistas, algumas questões devem ser analisadas com cautela no que diz respeito à contratação de mulheres grávidas no mercado de trabalho. Renan destaca alguns fatores passíveis de análise jurídica.

“Contratar uma advogada gestante, à primeira vista parece ser um negócio extraordinário. Mas se você comparar com uma atendente de caixa gestante ou serviços gerais gestante ou outro trabalhador que vende a força física de trabalho, fica evidente que a iniciativa é tímida. Nobre, mas, tímida”, destaca.

Mudando o cenário

De acordo com a legislação em vigor, não há qualquer impedimento de ordem jurídica para a contratação de mulheres grávidas por parte das empresas. No entanto, com a gestação, a funcionária precisa de um acompanhamento diferenciado, além de a empresa ser obrigada a conceder a licença-maternidade, o que desmotiva algumas empresas decidem a contratar gestantes, evitando esses gastos. Mas as contratações que já estão acontecendo ao redor do mundo, tendem a mudar esse cenário, conforme explica Sônia Maria Barbosa.

“Essa iniciativa causa repercussão e traz reflexões sobre o assunto. Acredito que é um começo, mas não acredito em mudanças muito rápidas quanto à postura dos empregadores em relação a esta condição”, observa.

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