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Empresas privadas patrocinaram eleitos no Amazonas com R$ 13 milhões em 2014

Mais de 60% de um total de R$ 20 milhões arrecadados são oriundos de empresas. Fim de doações privadas está na mira do STF. Deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB) teve campanha mais cara arrecadando R$ 5,5 milhões 09/11/2014 às 09:43
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Participação de empresas pode ser ainda mais elevada com depósito de comitês
RAPHAEL LOBATO Manaus (AM)

Os oito deputados federais eleitos e o ex-governador vitorioso na disputa pelo Senado, Omar Aziz (PSD), tiveram mais da metade dos recursos obtidos nas campanhas financiadas por doações diretas do empresariado. Empreiteiras, bancos e indústrias engordaram o caixa das campanhas com R$ 13,3 milhões, o que representa 64,6% de todo o montante que foi arrecado pelos eleitos para bancada federal, de R$ 20,6 milhões.

O deputado estadual Arthur Bisneto (PSDB) teve a campanha mais cara entre os que saíram vitoriosos na disputa. Tendo arrecadado R$ 5,5 milhões, o parlamentar foi também recordista de doações entre todos os tucanos do País que se elegeram para a Câmara. A campanha de Bisneto foi maior financeiramente até do que a de Omar Aziz, que registrou R$ 4,4 milhões.

O tucano líder de votos teve 71% (R$ 3,9 milhões) dos recursos de campanha depositados diretamente por empresas. Os financiadores de Bisneto estão também na lista das empresas que fizeram os maiores depósitos durante a campanha. No topo da folha de doações, estão: Supermercados DB (R$1,5 mi), além das construtoras Andrade Gutierrez (R$ 500 mil), Camargo Corrêa (R$ 500 mil) e Odebrecht (R$ 500 mil).

Em seguida, a campanha de Omar Aziz teve 77,3% (R$3,4 mi) dos recursos de campanha depositados pelos empresários. A lista de financiadores envolve empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM), além de construtoras, bancos e consultoras. Os maiores depósitos partiram das empresas: Banco Bradesco (R$ 1.057 milhões), Recofarma (R$ 300 mil) e Tapajós Comércio (R$ 200 mil).

De saída do Senado, Alfredo Nascimento (PR) teve a terceira campanha mais cara entre os eleitos para a Câmara Federal, de R$ 2,8 milhões, dos quais 39% (R$ 1,1 mi) partiram de doações diretas. O ex-ministro dos Transportes e presidente nacional do partido que ainda controla a pasta recebeu doações das empresas de engenharia Ecovix (R$ 200 mil) e Edeconsil Desmatamento (R$ 200 mil), além da processadora de carnes, Friboi (R$ 300 mil).

Na campanha do deputado federal Pauderney Avelino (DEM), a maior doação foi da empresa Auxílio Agen. De RH (R$ 400 mil) e na da deputada estadual Conceição Sampaio (PP) foi da indústria JR Rodrigues (R$ 353,8 mil).

Já os eleitos Marcos Rotta (PMDB), Silas Câmara (PSD) e Átila Lins (PSD) tiveram as maiores doações depositadas pelas empresas Sorvepani (R$ 250 mil), Umanizzare – de gestão prisional – (R$ 500 mil) e Serval Serviços (R$ 160 mil), respectivamente. Os dados foram coletados no portal de prestação de contas do Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Troca de repasses

Pode ser ainda mais elevada a participação de empresas no financiamento das campanhas da bancada eleita. O montante relatado pela reportagem leva em consideração apenas os repasses feitos diretamente aos eleitos e não abrange as doações depositadas pelos comitês financeiros dos partidos, que também recebem os valores e dividem entre os candidatos.

A troca de recursos entre comitês aliados, sem mapeamento da origem pelo TRE, movimentou R$ 5.067 milhões, ou 24,5% do valor das campanhas da bancada federal. O maior repasse dessa natureza foi recebido por Alfredo Nascimento, que teve R$ 1,5 milhões depositados pelo PR nacional, presidido por ele mesmo. A campanha da deputada Conceição Sampaio, do PP, contou com a ajuda do PMDB do senador Eduardo Braga, que doou R$ 315 mil.

O comitê de Braga ajudou também a campanha do PPS de Hissa Abrahão com a quantia de R$ 80,3 mil. Já o comitê do governador reeleito José Melo (Pros) doou R$ 28 mil para a campanha de Pauderney Avelino.

STF analisa fim das doações

O fim das doações privadas para as campanhas eleitorais já esta na mira do Supremo Tribunal Federal (STF). Em março deste ano, a corte iniciou análise de uma ação da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) contrária ao sistema. Quando o julgamento estava em 6 a 1 pelo fim das doações, o ministro Gilmar Mendes pediu vista e a sessão foi suspensa.

Uma nova data ainda não foi marcada. Ainda faltam os votos de quatro ministros (Gilmar Mendes, Rosa Weber, Cármen Lúcia e Celso de Mello). Teori Zavascki votou pela continuidade da doação de empresas. Até o final do julgamento, todos os ministros podem mudar os votos, embora isso seja improvável.

O fim das doações também está nos planos da presidente Dilma Rousseff (PT), que agora discute com o Congresso a reforma política, pacote que também abrange o de financiamento das campanhas.

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