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Encolhimento da Seind causa reação de indignação entre comunidades indígenas

Lideranças indígenas querem uma audiência com José Melo para argumentarem não apenas pela permanência da secretaria, mas também por sua ampliação 14/02/2015 às 12:52
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Na última quinta-feira, dez lideranças indígenas do Movimento Etno Cultural de Mobilização do Amazonas (MECMAM) estiveram na Aleam
Janaína Andrade Manaus (AM)

A informação de que a Secretaria de Estado para os Povos Indígenas (Seind) será reduzida a um departamento da Secretaria Estadual de Assistência Social (Seas) no projeto de reforma administrativa do governador José Melo (Pros), que será encaminhado para a Assembleia Legislativa do Estado (ALE-AM) na próxima quinta-feira, mobilizou lideranças indígenas que são contrárias a essa decisão.

Na última quinta-feira, dez lideranças indígenas do Movimento Etno Cultural de Mobilização do Amazonas (MECMAM) estiveram na Casa Legislativa em reunião com a Comissão de Assuntos Indígenas e Cidadania, presidida pelo deputado Vicente Lopes (PMDB).

Na ocasião, além de discutirem a possível extinção da Seind, os líderes também fizeram uma reivindicação ao deputado: uma audiência com o governador do Estado, José Melo, para argumentarem a necessidade, não apenas da permanência da secretaria, mas também de sua ampliação.

Coordenador do MECMAM, José de Souza Ferreira, o Zeca Cocama, da etnia de mesmo nome, de Tabatinga (a 1.105 quilômetros de Manaus), contou que os dez líderes indígenas estão em Manaus há três semanas, e que só pretendem retornar para suas respectivas regiões quando forem recebidos por Melo.

“Ficamos sabendo da extinção da Seind a partir de uma fala do deputado David Almeida a um jornal local, e no mesmo instante sabíamos que teríamos que nos reunir e lutar pela nossa causa. E não queremos que a Seind acabe, na verdade queremos que ela permaneça, e o que precisa ocorrer é uma mudança na administração da secretaria. E queremos ser ouvidos, pois estamos sendo prejudicados”, declarou.

Sinésio Tikuna, de Santo Antônio do Iça (a 888 quilômetros), defendeu a importância da Seind para as 3.280 famílias indígenas de seis municípios do Alto Solimões. “A gente está lamentando essa informação, mas queremos acreditar no governador Melo. A nossa proposta é realmente pela continuação da Seind, independente da escolha de um novo secretário para a pasta, pois isso cabe ao governador. Nós queremos ajudar ele (José Melo), contribuir para o seu projeto de governo”, falou a liderança indígena.

Eledilson Corrêa Dias, com o nome indígena Kauixe, da etnia kaixana, de Santo Antônio do Içá (a 888 km de Manaus em linha reta) defendeu que os indígenas não podem “ficar sentados” diante da possível extinção da Seind. “Agora é a nossa vez. Antigamente era arco e flecha: hoje nós temos a Constituição. Somos cidadãos”, afirmou.

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