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Enquanto população reclama de pagamento, Coari recebeu R$ 210 milhões de repasses em 2014

Cidade padece por falta de serviços essenciais e atraso no pagamento de funcionários públicos, mesmo recebendo repasses federais de royalties do petróleo e gás natural e tributos estaduais 15/01/2015 às 13:46
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Moradores promoveram dia de fúria em Coari, na quarta-feira (14)
Luciano Falbo Manaus (AM)

Em meio a uma revolta popular, sob a justificativa de atraso no pagamento dos servidores do município, Coari (a 370 quilômetros de Manaus) recebeu ano passado R$ 210,7 milhões em recursos públicos do Estado e da União. Foram R$ 160,5 milhões em repasses federais - o maior entre os municípios do interior do Amazonas. E R$ 50,2 milhões em recursos repassados pelo Governo do Estado.

Os R$ 160,5 milhões de repasses federais são referentes à soma das transferências constitucionais obrigatórias, como o Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação (Fundeb) e o Fundo de Participação dos Municípios (FPM), com os royalties da exploração do gás natural de Urucu.  

É como se cada cidadão de Coari recebesse R$ 1.952,55 de recursos transferidos pela União, o maior registrado ano passado no Estado, quantia maior que a de Manaus. O valor per capita corresponde à quantia de recursos divida pelo número de 82,2 mil habitantes da cidade.

Parintins, a cidade mais populosa do interior, com 110,4 mil habitantes, recebeu 101 milhões em repasses federais, o equivalente a R$ 914,85 por pessoa.

Com 95,7 mil habitantes, Itacoatiara recebeu R$ 88,4 milhões do Governo Federal em 2014. O repasse representa R$ 923,71 por cada morador do município.

Manacapuru, por sua vez, com 92,9 mil habitantes, recebeu R$ 90,4 milhões em repasses federais. Ou, R$ 973,08 por habitante.

Repasses do Governo do Estado

Coari também foi o município que mais recebeu repasses estaduais. Em 2014, foram R$ 50,2 milhões referentes ao Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), maior fatia do montante, R$ 49,8 milhões, e Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores (IPVA), R$ 402,6 mil.

Voz na web

Moradores de Coari postaram comentário no portal acritica.com sobre o abandono da administração do segundo município mais rico do Amazonas, como atraso no pagamento dos funcionários públicos e problemas de infraestrutura.

Raiane de Souza reclamou: "Lamentável, ele dizer que estar tudo em dia...!!! O que está tudo em dia é a comida dele, porque a maioria da população humilde estar passando fome.... Está em dia o dinheiro da população que vai para o bolso dele, para gastar com casas para ele e sua família!!! Absurdo isso, a população se revolta querendo os seus salários atrasados, o décimo que ele diz ter pago metade não existe, metade de um 13º não resume em R$ 130,00, como apareceu em muitas contas de funcionários, tanto como contratado e efetivo.... O FUNDEB..?! Quem dera, era uma vez....!!!!"

O internauta Tiago Batista também comentou: "Lamentável a situação desta quarta feira a qual demonstra a revolta do povo, discordo com o vice prefeito ao relatar que esta tudo em dias em Coari, só sabe quem sofre... este ano que passou o comercio local não sentiu suas vendas aumentarem no natal pois o 3º terceiro como ele afirma ter pago muitos não receberão os que receberão era apenas R$ 130,00 e salário veio a cair neste dia 10. passa natal e ano novo com 130,00 reais... é brincadeira, né, sem falar nas ruas em péssimas condições, que ficam maquiando os buracos com cimento.. cadê o tão prometido asfalto?".

Na matéria " Prefeito cassado de Coari (AM), Igson Monteiro, que está de férias, declara: 'A população está triste", a internauta Priscila disse. "Mas é muita cara de pau desse cidadão, se podemos o chamar assim... Não paga o salário dos servidores públicos do município e ainda diz que a população tá triste... O povo coariense acordou e não tá aceitando mais o roubo do dinheiro público... Coari está em estado de calamidade pública.. e ninguém faz nada..."

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