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Enquanto uns defendem o uso recreativo da maconha, outros apontam suposto dano social

Organizadora da Marcha da Maconha em São Paulo declara que filhos usam maconha e são mais produtivos quando fumam. Declaração é contestada por profissionais da área da saúde e da justiça do Estado do Amazonas 13/06/2015 às 17:57
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Uma das organizadoras da Marcha da Maconha, Ronete Rizzo, que tem dois filhos usuários, defende a legalização da maconha
Nelson Brilhante Manaus (AM)

Ronete Rizzo, fundadora da Associação Cultural Cannábia (SP) e uma das organizadoras da Marcha da Maconha, também em São Paulo, fez declarações fortes essa semana, durante um debate na Rádio Acrítica FM. “O cara que fuma maconha não sai batendo em pais, não rouba para comprar e nem mata. Tenho um casal de filhos adultos, com curso superior, que fumam maconha e são extremamente amáveis. Quando fumam ficam muito mais produtivos”, declarou.

A posição é contestada por Sidney Chalub, membro da Comissão Estadual de Drogas, do Conselho Regional de Medicina do Amazonas (CRM-AM). “Como uma pessoa que usa droga vai desenvolver uma atividade profissional? Sou cirurgião e, antes de qualquer procedimento cirúrgico, eu me preparo. Já pensou um piloto de avião, antes de decolar, usar uma substância psicotrópica?”, questiona o médico.

O delegado Thiago Tenório, titular do Departamento Estadual de Narcóticos (Denarc), tem posição definida sobre o asunto.  “Sou contra a legalização de qualquer droga ilícita. A não ser que se comprove a necessidade do uso para fins medicinais. Não aceito esse negócio de dizer que fumar maconha de forma recreativa é normal.  Se seu médico fumar, você vai se operar com ele?”, questiona.

Entra na discussão o Deputado Federal Osmar Terra (PMDB-RS), autor de um projeto que prevê o aumento das penas para traficantes de drogas. A pena mínima passaria de cinco para oito anos de reclusão e a máxima permaneceria em 15 anos. “Hoje, droga é o mais grave problema de segurança pública do Brasil. Fui secretário de Saúde e conheço bem do assunto. Não há um lugar do Brasil que não tenha ‘cracolândia’. A maconha é extremamente danosa. Atua em todo o cérebro, diferente de todas as outras. O Hospital de Clínicas do Rio Grande do Sul pesquisou durante um ano todos os acidentes de trânsito com vítimas fatais e comprovou que a maconha, além de mais usada pelos motoristas, provoca efeito pior que o álcool em acidentes”, declarou o deputado.

Segundo ele, o canabidiol, um dos componentes da maconha, ainda está em fase de testes para uso medicinal e pode até ser aproveitado, assim como a morfina, que é elemento da heroína. “Mas ninguém vai receitar heroína ou recomendar o fumo da maconha para ficar bom de alguma doença. São elementos de uso controlado”, critica Terra.

Ele afirma que o Brasil é o país com o maior número de homicídios do mundo e a “mãe da violência é epidemia das drogas”. “Então, temos que enfrentar, restringindo o uso de drogas e não liberando. Muito mais sério que o tráfico é o transtorno mental de milhões de pessoas. O Brasil não tem política de segurança pública, a população está jogada ao ‘Deus dará’, à deriva e milhões de famílias estão sofrendo”, conclui.

Sem alarde

Não é de hoje que a descriminalização das drogas frequenta pautas de discussão em todo o País. Em 2013, Brasília recebeu, durante três dias, representantes de 21 países, num “silencioso” seminário em que, discretamente, o assunto era esse. Embora fosse de tamanha dimensão, curiosamente, o evento começou e terminou sem nenhuma citação na mídia.

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