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Cotidiano
desafio diário

Entenda como funciona a caçada a foragidos da lei no Amazonas

Delegacia Especializada em Capturas e Polinter tem 5,7 mil mandados de prisão para dar cumprimento. Falta de estrutura e o espaço territorial do Estado são as principais dificuldades do trabalho 22/10/2016 às 19:41 - Atualizado em 23/10/2016 às 09:48
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Polícia conta com diversas fontes de informação paa chegar aos foragidos
Joana Queiroz Manaus (AM)

Dar cumprimento a um mandado de prisão em Manaus não é tarefa fácil para quem faz. A falta de estrutura e o espaço territorial do Estado são as principais dificuldades que a Delegacia Especializada em Capturas e Polinter (DECP) do Amazonas têm hoje para dar cumprimento a 5.781 mandados de prisão.  “A maioria permanece aqui no Estado, mas há aproximadamente 400 criminosos que estão refugiados no do Pará”, diz o delegado titular da DECP, Antônio Rondon.

De acordo com o delegado, a DECP centraliza todos os mandados que são expedidos pelo Poder Judiciário do Estado e recebe alguns da Justiça Federal, além de cartas precatórias de outros Estados. Assim chegam na DECP, os mandados são inseridos no Sistema de Segurança Integrada Segurança Pública (SISP). No cadastro no SISP, consta o crime que o fugitivo está sendo acusada, a data que aconteceu, a espécie de prisão, se a sentença é condenatória, preventiva ou temporária. 

Estando no SISP qualquer policial pode ter acesso aos mandados. Quando alguém é preso em operações, os policiais primeiramente jogam no sistema o nome do suspeito para verificar se há mandados de prisão em aberto em desfavor dele. “Muitos mandados são cumpridos dessa forma”, disse Rondon. Os crimes com maior incidência são homicídio, tráfico de drogas e roubo. As zonas Norte e Leste são as áreas com a maior demanda da capital.

Conforme o delegado, para atender a demanda a DECP tem duas equipes, cada uma com dois investigadores, que diariamente saem às ruas para dar cumprimento aos mandados. As equipes trabalham com metas. Cada uma deve dar cumprimento a 20 mandados criminais e 15 cíveis, que são os de prisões por não pagamento de pensão alimentícia.

Rondon explicou que os mandados de prisões cíveis não competem à delegacia cumprir, mas ao Poder Judiciário, no entanto, a polícia colabora. O delegado aproveitou para avisar os devedores de pensão que se antecipem e resolva os seus problemas porque no próximo mês será deflagrada uma operação para dar cumprimento a esses mandados.

Conforme o delegado, no cumprimento dos mandados, os policiais iniciam as buscar dos alvos primeiramente com as informações que constam no documento, como endereço residencial, locais que ele costuma freqüentar. Antônio Rondon afirmou que a polícia conta ainda com informações do paradeiro de criminosos repassados pela população na delegacia ou  pelo telefone 181 da Secretária de Segurança Pública (SSP). Há casos em que a polícia conta com a ajuda da imprensa, que divulga a imagem do procurado. “Esse é o meio mais eficaz. As informações chegam rápidas, são checadas por nós e o resultado sempre é positivo”, disse o delegado.

De acordo com o delegado Antônio Rondon, o perfil dos presos procurados traçado pela Polinter mostra que 83% deles são homens com idade entre 31 a 40 anos de idade, 70% de cor parda, 75% são católicos, 96% são heterossexual.

Homicídio, tráfico e roubo lideram

De acordo com o delegado Antônio Rondon,  até o fim do mês de setembro deste ano, a DECP/Polinter conseguiu dar cumprimento a 733 mandados de prisões criminais. Além destes, 328 mandados foram retirados por ordem judicial, 50 pela morte do alvo e 507 mandados foram invalidados que é quando a justiça decide por outra medida punitiva ao invés da prisão.

Conforme os dados da DECP/Polinter, o número de foragidos que praticam crimes de homicídios, tráfico de droga e roubo é a maioria. Quanto à escolaridade, capturados com ensino fundamental incompleto são maioria, 33%. Por endereço, os mandados a serem cumpridos estão concentrados nas zonas Norte com 830, Leste, com 775 e Sul, com 592. A Delegacia Especializada em Homicídios e Sequestros (DEHS) da Polícia Civil é a unidade que mais origina mandados de prisões. 

Blog: Ivo Martins
Delegado da DEHS

"Todas as vezes que um pedido da DEHS é deferido ele é encaminhado para a Polinter, mas nós também corremos atrás para prender o suspeito o mais rápido possível. Para isso,  trabalhamos principalmente com informações que chegam para nós. São as mais variadas possíveis. Elas chegam a nós por meio de testemunhas, familiares das vítimas e também da população de modo geral. A divulgação das imagens dos procurados pela imprensa tem nos ajudado a prender muitos suspeitos que estão com prisão decretada. Foi dessa forma que identificamos e prendemos o soldado do Exército que assassinou o médico Emerson Rios. Não sabíamos quem era ele, mas depois que a imagem dele saiu na imprensa começou chegar informações. Fomos lá e o prendemos".

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