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Cotidiano
Pedido de investigação

Entidade faz denúncia de imperícia em procedimentos de cirurgia plástica

Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) foi ao Ministério Público Federal (MPF) pedir a abertura de um grupo de trabalho para investigar casos de amazonenses que morreram após fazerem plásticas na Venezuela 21/04/2016 às 01:45 - Atualizado em 21/04/2016 às 13:36
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Advogado da SBCP, Carlos Júnior, e o cirurgião Euller Ribeiro Filho pediram, ontem, abertura de investigação no MPF / Foto: Antônio Lima
Kelly Melo Manaus (AM)

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) quer criar um grupo de trabalho multidisciplinar para investigar casos de pacientes que morreram ou apresentaram infecções após realizarem procedimentos cirúrgicos em países como Colômbia e Venezuela. De acordo com a SBCP, nos últimos dois anos, 13 pessoas morreram devido a complicações no pós-operatório.

Nesta quarta-feira (20), o coordenador  jurídico da SPCB nacional, Carlos Michaelis Júnior, e o secretário da regional, Euler Ribeiro Filho, se reuniram com o Procurador-Chefe do Ministério Público Federal (MPF-AM), Edmilson Barreiros. Até o fim da semana, também serão realizadas visitas ao Tribunal de Justiça do Amazonas (TJ-AM), Polícia Federal (PF) e Conselho Regional de Medicina (CRM).

“Nós precisamos dar uma atenção especial às nossas fronteiras porque muitos pacientes seguem para esses países por vias terrestres, como é o caso da Venezuela. Às vezes eles viajam de van, sem qualquer condição, dois ou três dias depois de ter feito o procedimento e muitos estão morrendo porque esses procedimentos foram realizados sem as condições mínimas da especialidade e até mesmo dos produtos utilizados”, explicou o cirurgião plástico, Euler Ribeiro Filho, que é secretário da SPCB no Amazonas.

De acordo com o cirurgião, dos últimos dois anos foram detectadas 13 mortes de pacientes submetidas a procedimentos cirúrgicos no exterior. “Além disso, também temos muitos casos de pessoas que apresentam infecções e isso acarreta uma série de problemas. Por isso é importante montarmos esse grupo de trabalho para expandir as discussões e cobrar investigações”, disse ele.

O coordenador jurídico da SBCP nacional, Carlos Michaelis Júnior,  também destacou a importância da valorização do profissional. “No Brasil, para um médico leva em média 11 anos para adquirir a especialidade e os médicos de fora, muitas vezes, não tem a mesma formação. E isso se torna um problema grave porque muitas pacientes estão sendo aliciadas para irem à Venezuela para fazerem procedimentos que são considerados inadequados”, informou.

Agenciadores

Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), há inúmeros casos de clínicas estéticas e salões de beleza, no Amazonas e em Roraima, que estão atuando como “agenciadores” de brasileiros interessados em realizar esse tipo de procedimentos na Venezuela. Além do grupo de trabalho, a entidade também pretende lançar uma campanha de conscientização para a sociedade civil.

O Brasil  é o segundo do mundo em número de “plásticas”

O Brasil é considerado o segundo País do mundo em números de cirurgias plásticas e tem os  melhores  profissionais neste tipo de  serviço. Em média, o País realiza aproximadamente 1,5 milhão de cirurgias por ano. No Amazonas, de acordo com a Sociedade Brasileira de Cirurgias Plásticas (SBCP), apenas 30 especialistas estão habilitados para realizarem esse tipo de cirurgias.

De acordo com o cirurgião plástico Euler Ribeiro Filho, um procedimento no estado chega a custar de R$ 15 mil a R$ 18 mil, enquanto na Venezuela, o serviço é oferecido por até R$ 8 mil. “Por isso deixamos o alerta. Porque às vezes o barato sai caro e temos inúmeros relatos de pacientes que tiveram problemas depois de realizar um procedimento dessa natureza fora do país”, disse ele. Ainda segundo o especialista, o implante de silicone e as lipoaspirações são os mais procurados.

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