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Entreposto da Zona Franca de Manaus no Sul entra na ativa

Mesmo sem a inauguração oficial, o primeiro armazém da Região Sul isento de impostos, em Santa Catarina, já está em funcionamento 29/07/2015 às 11:23
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O quarto entreposto da ZFM é o primeiro localizado na região sul do País
Silane Souza Manaus (AM)

Mesmo sem ter sido inaugurado oficialmente, o que deve acontecer somente no próximo mês, o 4º entreposto da Zona Franca de Manaus (ZFM), localizado na cidade portuária de Itajaí (SC), já está funcionando. O armazém geral já recebeu carga de ar-condicionado da fábrica KMA Industrial e em agosto receberá mercadoria de mais três empresas do Polo Industrial de Manaus (PIM). As informações foram confirmadas ao jornal A CRÍTICA pelo diretor executivo da Komlog, Franco Dauer.

Segundo ele, a Komlog, empresa catarinense que administra o entreposto da ZFM em Itajaí, iniciou as conversações com as empresas do PIM logo após assinar o contrato com o governo do Amazonas, o que ocorreu em março deste ano. E no momento, a companhia está em fase de negociação com 15 indústrias locais, sendo algumas do polo de Duas Rodas. “O entreposto ainda não foi inaugurado, mas já estamos operando e as empresas de Manaus estão em processo de fechamento de contrato conosco”, disse.

Dauer ressaltou com vantagens da infraestrutura portuário do Estado de Santa Catarina, que tem cinco portos e o menor custo de transferência de Manaus para o mercado consumidor do Sul e Sudeste, a proximidade com os principais centros consumidores do País. “Estamos às 24h de São Paulo, 48h do Rio de Janeiro e 12h de Porto Alegre. Nosso posicionamento geográfico é estratégico para as indústrias, pois quase 60% da demanda do PIM estão no Sul e Sudeste”, acentuou.

O entreposto da ZFM em Itajaí é uma ‘extensão’ do território de Manaus. A permissão foi dada pelo governo do Amazonas para a empresa de logística Komlog poder receber mercadorias das indústrias que a contratarem diretamente do PIM com 180 dias de isenção de impostos. O que significa dizer que as distribuidoras da ZFM terão seis meses livre de tributos enquanto o produto não é vendido.

Para o presidente do Centro da Indústria do Estado do Amazonas (Cieam), Wilson Périco, o entreposto vai facilitar o escoamento dos produtos da ZFM e é válido por permitir deslocar esses produtos sem tributação, que só é recolhida após a emissão da nota fiscal. “Com isso, uma das facilidades está no tempo que os produtos vão chegar aos clientes, pois estarão mais próximos deles e chegarão mais rápido”, declarou.

“Agora se todas as empresas vão utilizar o novo entreposto é outra coisa”, explica Périco. Segundo ele, isso vai depender do produto e da política de empresa, se é venda no varejo, consignada, de duas rodas, enfim. Mas a grande vantagem é poder deslocar um estoque de produtos acabados para o entreposto de Itajaí para deixá-lo mais próximo dos clientes.

Quanto se haverá um fôlego para o PIM com a inauguração do primeiro entreposto da ZFM no Sul do País, o presidente do Cieam disse que, a possível melhora do escoamento de produtos não interfere em nada. “Para isso seria preciso que o mercado voltasse a crescer como antes”, opinou.

Estratégia

Atualmente há entrepostos da ZFM em operação em Rezende (RJ), Uberlândia (MG) e Ipojuca (PE). Para o governo do Estado, a instalação de novos entrepostos é uma estratégia positiva para alavancar a economia e o desenvolvimento regional, ampliando as chances de crescimento da arrecadação tributária estadual, bem como de escoamento da produção do PIM.

Armazém ainda não saiu do papel

O entreposto da ZFM em Itajaí era para ser o 5º, porém, até hoje, o 4º armazém geral que seria instalado em Santarém (PA), que deveria estar funcionando no primeiro semestre de 2014, não saiu do papel. O edital de licitação pública foi lançado em janeiro deste ano e deveria durar entre 45 e 50 dias. A empresa Porto Chibatão Navegação e Comércio chegou a ser considerada vencedora do processo licitatório para operar o novo entreposto logístico, mas abriu mão de construir o novo local.

Em entrevista ao jornal A CRÍTICA em abril deste ano, o diretor executivo geral do grupo, Jhony Fidelis, disse que o projeto não tinha tanta viabilidade. “É apenas uma forma de você retardar o pagamento do ICMS: ao invés de pagar na fonte, paga na venda, em Santarém. Mas acaba gerando outros custos de movimentação da carga. Tem outras complicações, como o corredor de exportação da BR-163, que falta ser finalizada. Além de ter essa estrada incompleta, o custo-benefício não vale A pena. É um projeto que não deu certo”, destacou na época.

O secretário executivo da Secretaria do Estado da Fazenda do Amazonas (Sefaz/AM), Jorge Jatahy, por sua vez, afirmou a reportagem que o entreposto em Santarém não saiu do papel porque ainda não houve empresa que se habilitasse a instalá-lo. “Fizemos duas licitações e as duas não deram certo. Vamos dá mais um ou dois meses para fazer uma nova concorrência”, garantiu.


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