Domingo, 22 de Setembro de 2019
Falta de equipamento na ALE-AM

Equipamento precário resulta em morte na ALE-AM

Servidor da Assembleia Legislativa sofreu infarto e não pode contar com o aparelho de reanimação



1.png Presidente da Assembleia Legislativa, Josué Neto, disse que o prédio da Casa não possui aparelho de reanimação
05/06/2013 às 07:50

Há 40 dias, a Comissão Interna de Prevenção de Acidentes da Assembleia Legislativa do Amazonas (Cipa) alertou para a precariedade da ambulância do Poder Legislativo, que não possuía sequer um desfibrilador.

Nessa terça-feira(04), por volta das 7h30, o agente legislativo Paulo Henrique Correia Lima morreu, depois de sofrer um ataque cardíaco nas dependências da ALE-AM. No local, que possui um Centro Médico orçado em R$ 3,3 milhões, não foi encontrado um desfibrilador.

Enquanto a equipe médica da Casa se deslocava para o atendimento, Paulo Henrique foi socorrido por colegas. Removido para o hospital e Pronto Socorro 28 de Agosto pela ambulância da ALE-AM, o servidor faleceu, na sala de reanimação, segundo nota da Diretoria de Comunicação do parlamento.

A CRÍTICA teve acesso a relatório de vistoria produzido no dia 24 de abril, em que o vice-presidente da Cipa, José Antonio Laan, registrou que a ambulância de emergência da Casa estava fora das normas regulamentares do Ministério da Saúde.

Entre as irregularidades apontadas no relatório, estava a falta de aparelhos elétricos, como desfibrilador, respirador e bomba de infusão. Segundo o servidor, o veículo também não possuia itens mais simples, como kits para remoção: maca, colares, pranchas, cintos e cadeiras de rodas.

No relatório de vistoria, José Antonio Laan sugeriu ao Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho da Casa (Sesmt) a compra de uma ambulância que atendesse os padrões do Ministério da Saúde.

Reunião


Procurado pela reportagem, nessa terça-feira, José Antonio Laan disse que a precariedade da ambulância de emergência da ALE-AM foi pauta de uma reunião da Cipa, em meados do mês de maio. “A resposta do Geraldo (Alencar, engenheiro do Sesmt), foi que já tinha encaminhado (o assunto) para as devidas providências”, disse José Laan.

José Antonio Laan é vice-presidente da Cipa, eleito pelos servidores da ALE-AM. Segundo ele, após produzir o relatório de vistoria, a documentação deve, obrigatoriamente, ser enviada ao presidente da Cipa, Roberto César da Costa Lima.

Cabe ao presidente da Cipa, que é indicado para a função pela Casa, encaminhar os relatórios de vistorias ao Sesmt, que, após confirmar a consistência das informações do documento, leva ou não o assunto para a diretoria do Poder Legislativo. “Pelo o que fui informado, o relatório chegou até o Sesmt”, declarou Laan.

Assembleia tem certificado ISO

O presidente da Cipa da ALE-AM, Roberto César da Costa Lima, confirmou, por telefone, que o relatório informando sobre a necessidade de uma nova ambulância foi encaminhada para o Serviço Especializado em Engenharia de Segurança e em Medicina do Trabalho da Casa. “Foi feito isso”, disse Roberto.

Questionado se o relatório chegou à diretoria da ALE-AM, Roberto disse que não podia informar. “Isso você teria que tratar com a direção da Casa”, afirmou.

A CRÍTICA tentou contato por telefone com o engenheiro Geraldo Alencar, responsável pelo Sesmt, mas as chamadas ao telefone 91xx-xx43 foram encaminhadas para a caixa de mensagem. O diretor da ALE-AM, Wander Mota, também não atendeu as chamadas para o 99xx-xx01.

Em janeiro de 2013, o então presidente da ALE-AM, deputado Ricardo Nicolau, comemorou a aquisição do selo internacional OHSAS 18001:2007, que estabelece normas de segurança e saúde no trabalho.

“Desde a última semana, a Casa é pioneira na América Latina pela tripla certificação de qualidade, incluindo as ISO 9001 (serviços administrativos) e 14001 (meio ambiente)”, diz trecho de nota no site da ALE-AM, do dia 27 de janeiro.

Josué Neto diz que não houve falha

O presidente da Assembleia Legislativa (ALE-AM), Josué Neto (PSD), defendeu o atendimento prestado pelo servidores da área médica da Casa ao segurança  Paulo Henrique Correa Lima, 49, que faleceu após sofrer uma parada cardíaca no estacionamento da ALE-AM.

Josué, no entanto, reconheceu que o prédio principal da Assembleia não possui desfibrilador, e disse que pediu um relatório do diretor do centro médico, Arnoldo Andrade, para “identificar onde houve as falhas” na assistência ao segurança.

“Essa Casa não é dotada de desfibrilador, algo  que foi detectado hoje. Deve ter lá no Centro Médico, mas deveria ter aqui próximo. Nós estamos no aguardo se houve falha do motorista da ambulância, se foi o desfibrilador ou a ausência deste. Enfim. É o laudo médico que vai nos orientar as ações que serão feitas”, disse Josué.

Construído na administração do ex-presidente e deputado Ricardo Nicolau (PSD), o Centro Médico da ALE-AM custou R$ 3,3 milhões. “Nossa clínica é um centro de saúde e não é de atendimento de urgência e emergência. Se houve falha, ela será detectada a partir de um estudo do nosso diretor de saúde”, afirmou o atual presidente da Casa.

Colaborou: Kleiton Renzo


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