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Escola é multada após funcionar por mais de 30 anos com ligação elétrica clandestina no AM

Colégio no município de Iranduba foi multado em R$ 18 milhões. Apesar da irregularidade, pais temem que única escola pública da área seja fechada 02/03/2015 às 22:09
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Eletrobras multou a escola em R$ 18 milhões devido ao furto de energia elétrica
PERLA SOARES Manaus (AM)

A Escola Municipal Santa Luzia, que funcionava com ligação clandestina de energia elétrica há mais de 30 anos no município de Iranduba (distante 25 quilômetros de Manaus), foi multada em R$ 18 milhões e está sem aula, segundo informou a  Secretaria de Educação do município. 

A comunidade e a associação de pais da Escola Santa Luzia, na comunidade de São Sebastião da Serra Baixa, no quilômetro 4, da estrada do Açutuba, em Iranduba, estão proibindo que o diretor da escola,  Lázaro Fred, religue  a energia da escola de forma irregular, pois corre o perigo de causar um curto circuito e até incêndio.

A escola também é usada pelo Governo do Estado em um período, com o Ensino Tecnológico. A unidade de ensino foi construída há 33 anos e recebe os alunos nos três turnos. “Os fios estão todos expostos, desencapados, o que é um risco muito grande. Meus filhos já tomaram choque e não foi uma, nem duas vezes, foram mais”, disse Rosália Silva Ramos, 45, que tem um casal de filhos de 4 e 14 anos, matriculados  na escola e teme pela segurança deles.

A situação da escola está tão precária que atualmente a secretaria da escola está funcionando na casa da coordenadora pedagógica. Documentos, fichas dos estudantes, material administrativo e até matrículas de alunos são realizados na sala da casa da pedagoga, que fica distante um quilômetro da escola.

“Ainda bem que ela (coordenadora pedagógica), deixou usar a casa, se não a situação estaria muito pior, porque não teríamos onde fazer a matrícula dos  nossos  filhos”, comentou Maria Francisca de Melo, 47, mãe de aluno.

O aluno de Educação de Jovens e Adultos (EJA), Raimundo Everaldo de Oliveira, 39, afirmou que a escola é um verdadeiro barril de pólvora, pois relatou que no ano de 2014 teve um princípio de incêndio no momento de atividades em sala de aula, professores e alunos saíram correndo, chegando a se machucarem que a correria. “Se religarem a energia na mesma situação em que ficou há anos, é ativar a bomba novamente, essa escola está preste a explodir”, enfatizou.

Adalberto Campos afirmou que o ‘gato’ foi retirado no final de novembro (Foto: Lucas Amorelli)

De acordo com o presidente da comunidade Adalberto Canto da Silva, o “gato” de energia foi retirado no final do mês de  novembro do ano passado,  depois que a Eletrobras Amazonas Energia solicitou da Prefeitura de Iranduba o projeto  de  uma  subestação  para que fosse  feito  a  ligação da energia de forma regular.  “Na semana passada eu liguei para a Eletrobras e eles me falaram que o projeto solicitado não foi entregue pela prefeitura”, afirmou.

Outras irregularidades

A Escola Municipal Francisco Nunes da Silva, na rua Princesa Dayane, comunidade Bela Vista, no Puraquequara, Zona Leste, também funcionava há cinco anos com uma ligação clandestina. Outro caso afetou 300 alunos da Escola Municipal Professora Joana Vieira, onde os alunos estudavam desde fevereiro num galpão improvisado no ramal Água Branca, comunidade Bandeirante, na estrada AM-010 (Manaus-Itacoatiara), que também teve a ligação clandestina cortada.

A mãe de uma aluna da escola Francisco Nunes da Silva, Neuza França, contou que, por conta da ligação irregular, o poste de luz e a própria parede da escola conduziam energia e davam choques nas pessoas. Conforme ela, após o corte do gato a direção da escola informou aos pais que as férias escolares seriam antecipadas em duas semanas e no retorno das aulas haveria compensação aos sábados.

Reunião

A equipe de A CRÍTICA procurou o Secretário de Educação de Iranduba, Allan Kardec, assim como o diretor da Escola Municipal Santa Luzia, mas foi informada que não poderiam atender a equipe pois estavam em reunião. A escola funciona nos turnos de manhã (Ensino Fundamental), tarde (Ensino Tecnológico) e noite (Educação para Jovens e Adultos), além de possuir 400 alunos matriculados. Pais de alunos disseram que o colégio não pode fechar,  pois é a única escola da comunidade, e a  mais próxima fica na comunidade do Ariaú, há 15 quilômetros de distância da comunidade do Serra baixa.

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