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Escolas de Manaus se recusam a matricular criança autista

Recusas das instituições privadas levaram a mãe do menino de sete anos a decidir ingressar com ação judicial; nem mesmo a contratação de uma mediadora facilitou a situação para a família 27/11/2015 às 21:57
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Mesmo com uma mediadora, criança não foi aceita em nenhuma escola procurada pela mãe Kellen Carvalho, 31
Isabelle Valois Manaus (AM)

Em Manaus, uma deve entrar com uma ação judicial na próxima semana contra seis escolas particulares da cidade que não aceitaram a matrícula do filho de sete anos que tem autismo. Em 2012, a Lei nº 12.764,que institui a "Política Nacional de Proteção dos Direitos da Pessoa com Transtorno do Espectro Autista" foi sancionada e faz com que os autistas passem a ser considerados oficialmente pessoas com deficiência, tendo direito a todas as políticas de inclusão do País - entre elas, as de Educação.

Desde o início de novembro, a economista Kellen Carvalho, 31, tem buscado uma nova escola para o filho Victor Gabriel Carvalho,7 anos, para dar continuidade aos estudos. Victor conclui o 3º período na escola Palhoça do Popeye. A pedagoga do instituto afirma que ele está apto a ir para a 1º série do ensino fundamental, mas não há a continuação do ensino na escola.

Por isso, Kellen tem procurado outras instituições particulares para matricular o filho. “Quando chego na escola, eles afirmam que há vagas, mas quando digo que meu filho é autistas, acabo recebendo a recusão”, disse.

Há três anos, a economista contratou uma mediadora para acompanhar o filho nos estudos. “Sei que conforme a lei, a escola que deve oferecer a mediadora, mas eu faço questão de pagar alguém que vai ter esse acompanhamento direto com meu filho, pois sabemos que é difícil as leis serem realmente cumpridas”, comentou.

Mesmo com a mediadora, Kellen não consegue a vaga para o filho. Ela contou que em uma das escolas, foi surpreendida com o atendimento da secretária da escola. “Fui verificar se havia a vaga, quando disse que meu filho era autista, a secretária me disse que a escola era para crianças ‘normais’, e que havia uma vaga para criança especial, porém tinha uma lista de espera de cinco crianças. As pessoas precisam ser mais instruídas no que devem falar. Meu filho só não fala, mas estou oferecendo a mediadora, isso não quer dizer que ele seja fora do normal, isso é revoltante”, comentou.

Por causa da dificuldade, a economista pensou até buscar meios para que o filho pudesse repetir de ano, para não ficar sem estudar. Outro problema que também encontrou nas instituições foi o tipo de tratamento com os autistas. “Tem escola que não aceitou ele ter um acompanhamento da mediadora. Isso é direito dele. Em outra escola além de não haver vaga, informaram que ele seria avaliado como todos os alunos, mas sabemos que as coisas não são assim, e eles dizem isso para os pais desistirem”, completou.

Kellen disse que se até a próxima segunda-feira, não conseguir uma vaga para o filho, irá realizar a denúncia à justiça. “Eles não sabem falar, então serei a voz deles enquanto puder. Sei que muitas mães em Manaus passam por essa situação difícil. Isso dói na alma. Algo precisa ser feito e a lei deve ser prevalecida”, disse.

O que diz a lei?

Na Lei nº 12.764 autista tem direito de estudar em escolas regulares, tanto na Educação Básica quanto no Ensino Profissionalizante e, se preciso, pode solicitar um acompanhante especializado. Ficam definidas sanções aos gestores que negarem a matrícula a estudantes com deficiência.

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