Sábado, 14 de Dezembro de 2019
Desafio

Escoteiros do AM falam como é participar do movimento em um mundo de tecnologias

Jovens escolheram seguir ramo deixando de lado as inovações e abraçando ideais como amizade e ecologia. No Estado há cerca de 1.200 praticantes. Há 80 mil participantes em todo o País e cerca de 40 milhões pelo Planeta



escoteiros20.JPG Jovens e veteranos escoteiros comentaram sobre ser do ramo num momento de Internet e outras tecnologias (Foto: Gilson Melo/Freelancer)
23/04/2017 às 05:00

Como é ser um escoteiro nesta época onde a modernidade é ditada pelas novas tecnologias, leia-se Internet (mídias sociais, aplicativos, etc) , aparelhos celulares, jogos eletrônicos, etc.? É o que fomos tentar descobrir entrevistando jovens que seguiram o ramo do escotismo deixando de lado as inovações tecnológicas e abraçando ideais como amizade e a ecologia.

Heloisa Lima, de 13 anos entrou no movimento em 2014, fez amigos e aprendeu valores. Integrante do grupo Benjamin Constant, ela escolheu ir na contramão das tecnologias ao ser escoteira. “De que adianta você ficar em casa, preso em um computador e à Internet, muitas vezes sem fazer nada? O mundo real, aqui fora, é muito diferente. Proporciona aventura, amigos, valores e várias outras coisas. Tenho várias alegrias no escotismo, mas a principal são os amigos e o aprendizado que eu vou levar para toda a vida”, comenta a jovem.



O jovem William da Costa Souza, de 17 anos, do grupo escoteiro Murilo Braga, do bairro São José Operário, foi motivado pelo irmão, o diretor-técnico da União dos Escoteiros do Brasil - Região Amazonas, Paulo França. Ele participa desde 2013 e diz que sabe dividir o ser escoteiro com o mundo atual cada vez mais tecnológico. “Eu sei dividir as coisas. Tem coisas que vem para o bem e outras para o mal. No movimento a gente usa essas tecnologias para o bem. Se eu estiver no meio da mata não poderei usar o celular: aí a gente se localiza por cartas topográficas e orienta por bússola, número de graus”, diz ele.  

Propósito

Antenado com as tecnologias como o Whatsapp, o jornalista Fábio Costa, assessor de comunicação dos Escoteiros do Amazonas, ressalta que as crianças de hoje preferem, sim, a tecnologia de estar no celular, computador e tablet, mas “uma coisa que é boa e as pessoas não sabem é que dentro do movimento escoteiro, pelo menos nos momentos das nossas reuniões, quando estamos juntos em acampamentos, nós conseguimos nos desligar de tudo, e praticar o estar ao ar livre, com seu grupo de amigos e sem precisar usar celular. Lá nós nos desligamos do mundo”, analisa ele.

“A finalidade do movimento escoteiro é, além do método educativo de ser um modo de educação não-formal, nós visamos os valores éticos, princípios da criança e do jovem e o que trabalhamos muito é a questão do grupo de amigos. Então, todos que entram no grupo escoteiro são muito mais que amigos. São amigos que você vai levar para o resto da vida. Tanto que aonde o escoteiro chegar ele tem uma estada. Somos uma grande irmandade”, completa o jornalista.

Resgate

“O escotismo é um resgate, e uma saída para muitos pais. O lema no escoteiros é aprender fazendo, e hoje o que vemos são muitas crianças e adolescentes focados em YouTube, na Internet, e sem ter atividade prática de conhecimento. Foi isso que estimulou a minha filha a ser lobinho. Convido os pais e as crianças a buscarem esse movimento. Não só para as suas cria ças, mas para a família em sí pelos valores que trazemos como lealdade e fraternidade, pensando no outro”, destaca o chefe-escoteiro André Henrique, ao falar sobre a filha Hananda Socorro, de 9 anos.

O movimento escoteiro é considerado a maior ONG do planeta, estando presente em mais de 216 países. No Estado, segundo dados repassados pela Região Amazonas, há cerca de 1.200 praticantes. Há 80 mil participantes em todo o País e cerca de 40 milhões pelo Planeta.

Voltou a ser escoteiro já adulto

Coordenador da  Semana Escoteira do Amazonas, e veterano no movimento, o assessor de imprensa Lucian Cabral, 42, iniciou no ramo aos 13 anos de idade, ficou até 19, 20 anos, se afastou e voltou há 3 anos para reabrir o grupo Benjamin Constant, do qual é presidente e se reúne no CSU do Parque Dez, Zona Centro-Sul.

Ele comentou que a realidade vivida em sua juventude é bem diferente dos tempos atuais tecnológicos.

“Antigamente os jovens tinham mais contato com a natureza e mais contato com outros jovens do seu bairro e comunidade. Hoje, a sociedade, por conta da insegurança, mudou muito, e os as crianças e jovens estão trancadas em seus apartamentos ou condomínios fechados, perdendo o contato com as pessoas e a natureza. No entanto, os pais estão procurando o movimento escoteiro porque estão vendo essa realidade dos seus meninos trancados”, observa ele. “Os meios digitais influenciam para que o menino se feche em seu mundo”, diz Lucian.

Ramo que vem de pai para filho

O jornalista Fábio Costa,  responsável pela comunicação da União dos Escoteiros do Brasil - Região Amazonas, já prepara seu filho, que também se chama Fábio, de 10 anos, para fazer a transição do ramo lobinho para o de escoteiro.

“Ele já está na última etapa do ramo lobinho e onde se trabalha a socialização e a convivência da criança em grupo, e o aprender a compartilhar. Quando ele completar seus 11 anos, agora em 21 de julho, vai fazer a passagem para escoteiro. E vai ganhar uma última comenda, que é o distintivo ‘Cruzeiro do Sul’, que se leva de 3 a 4 anos para ganhar pois tem que se cumprir várias etapas, realizar vários acampamentos e especialidades. Ele conseguiu conquistar isso, ir pelo caminho das estrelas e vai passar para o ramo escoteiro, onde ele começa tudo novamente para cumprir as etapas até ganhar um distintivo que é Liz de Ouro. Depois vem o ramo Sênior até o ramo pioneiro”, disse Fábio. “Não foi imposição minha”, garante o escoteiro.      


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