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Especialista em estratégia empresarial fala sobre o caminho do sucesso e dificuldades

Para Luiz Fernando Pinto, que ministrou em Manaus a palestra ‘Velocidade de Gestão e Condições de Acessos Estratégicos’, sucesso seria a busca por patamares superiores 22/03/2015 às 12:47
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Luiz Fernando da Silva Pinto esteve em Manaus na última semana para ministrar a palestra “Velocidade de Gestão e Condições de Acessos Estratégicos”
Natália Caplan Manaus (AM)

Especialista em estratégia empresarial, executivo, escritor vencedor de dois prêmios Jabuti, professor e integrante da equipe fundadora da Escola de Pós-Graduação em Economia, da Fundação Getulio Vargas (EPGE-FGV). Este é o currículo de Luiz Fernando da Silva Pinto, 74, que esteve em Manaus na última semana para ministrar a palestra “Velocidade de Gestão e Condições de Acessos Estratégicos”.

O carioca é referência no Brasil quando se fala em gestão estratégica e é conhecido por simplificar o assunto de uma maneira divertida e acessível até para os mais leigos. Seu livro mais recente é o “O Trigo, a Água e o Sangue: as raízes estratégicas do ocidente”, mas um de seus trabalhos mais conhecidos é “O homem, o arco e a flecha”.

Como o senhor define o conceito de estratégia?

É apenas uma conspiração para o sucesso. E sucesso é uma inquietude na qual você nunca se acomoda, está sempre procurando patamares superiores. É romper degraus cada vez mais altos, de forma honesta e sadia. Isso vale para o indivíduo, a família, a comunidade, a sociedade e a nação. Os princípios são sempre os mesmos.

O que uma pessoa precisa para “mergulhar” no mundo estratégico empresarial?

Basicamente, buscar o sucesso, a motivação central. Mas a competência estratégica se traduz em um domínio de um conjunto de 35 habilidades fundamentais, que, inclusive, eu detalho no meu livro “O homem, o arco e a flecha”. A melhor palavra para definir uma delas é: “insight”. É uma grande sacada, um recurso extremamente importante para desenvolver o processo de pensamento empreendedor.

Qual é a maior dificuldade dos empreendedores, experientes ou não?

O grande problema é você enxergar o problema. Todo processo de inteligência estratégica começa da real capacidade de fatiar ou não. Uma pena não treinarmos isso em lugar nenhum, nem escolas ou universidades. Fomos criados em uma cultura de medo de não conseguir. Não existe uma didática de aprendizado do fatiamento.

Por favor, explique essa didática de “fatiar”.

É fragmentar os desafios, transformar um gorila de 250 quilos em pequenos micos de 1 quilo. Você identifica o desafio, coloca na mesa e começa a transformá-lo em micos, desmoralizando o problema. Ser persistente e obstinado para sempre pegar o mico, não desistir nunca e aceitar os riscos. O risco de um mico é menor do que do gorila.

Mas como se coloca isso em prática no cotidiano empresarial?

O grande líder basicamente é um “fatiador”, mas, na prática, não existe líder. Ele é uma pessoa com capacidade de pegar os problemas e “fatiá-los” para depois compartilhá-los com o restante da equipe e delegar as funções de cada um. Quanto melhor você transformar as fatias, melhor delega funções ao restante da equipe. Quando você “fatia” o problema resulta em ações, objetivos e metas. Meta nada mais é que a tradução empresarial do “fatiamento”.

O senhor citou o fator “medo”. Pode-se dizer que o “fatiamento” é uma forma de enfrentá-lo?

As pessoas têm coisas que gostariam de fazer, mas têm medo dos desafios. Para entrar no mundo do empreendedorismo é preciso saber que os desafios podem ser fatiados. Perder o medo e começar a racionar. Empreendedor é uma pessoa que não pode sentir medo, apenas receio e respeito, os primos sofisticados do medo. Vontade estratégica é outro insight, porque desmoraliza os problemas e vence o medo.

Quais são as vantagens de seguir esse “ensinamento”?

Uma das coisas mais impressionantes é a velocidade como você vai trabalhar. A equipe, que vivia sempre ansiosa e angustiada, começará a produzir com grande facilidade, porque cada fatia foi delegada. Todo processo estratégico se baseia nesse fatiamento. Antes de 1989, o mundo era razoavelmente lento, enxergava com nitidez as oportunidades e ameaças do mercado. Com a globalização, a estratégia passou a ter que ser resolvida com um elenco de atividades.

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