Terça-feira, 25 de Junho de 2019
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Especialista revela que animais possuem diferentes formas de enxergar

Segundo a pequisadora da Universidade Federal do Pará (UFPA), os primatas vêem como os humanos; o gavião, mais do que o homem; e o beija-flor e os répteis têm uma visão colorida



1.jpg Silene Lima faz palestra, no Musa, sobre como os bichos vêem
14/09/2013 às 16:15

Os animais não veem como os humanos, mas alguns enxergam até melhor em certos aspectos e têm capacidade de visão diferenciada entre eles também. A forma como cachorros, gatos, gaviões e répteis enxergam é a área de estudo da especialista em neurofisiologia da visão Silene Lima, professora doutora da Universidade Federal do Pará (UFPA), que no último dia 12 deu palestra no Museu da Amazônia (Musa) sobre como os bichos veem.

Ao revelar estudos feitos com roedores da Amazônia de hábitos diurnos e noturnos, a pesquisadora observou que no material biológico da retina deles há células receptoras diferenciadas entre a cutia, que tem hábito diurno, a capivara que é crepuscular e a paca, que se movimenta à noite.

Com pós-graduação em neurociência, ela obtém material biológico da retina, membrana do olho na qual chega a informação da cena visual. A partir dela, os receptores específicos, que são os cones, detectam a luz e a transformam em informações codificadas pelo sistema nervoso. “Baseados em como esses receptores estão distribuídos na retina, consegue-se saber como eles vêem”, explica Silene. Para ter uma visão colorida, é preciso ter células receptoras das cores azul, vermelho e verde. Se faltar uma, como ocorre em cachorros e gatos, isso os torna incapazes de ver colorido.

O mundo para esses animais é baseado em perspectivas diferentes das que imaginamos, disse Silene. “Imaginamos que nosso gato de estimação vê todas as cores e que touro responde ao pano vermelho, mas na verdade ele reage ao movimento do toureiro”, explicou Silene, afirmando que o touro não tem células receptoras da cor vermelha na retina.

Beija cores

Alguns primatas, mamíferos com o cérebro desenvolvidos, vêem colorido igual ao ser humano, mas existem animais que vêem melhor, como o Gavião. Por ter muito mais receptores sensoriais do que o homem e pela condição de predador em potencial, ele necessita da visão com resolução e acuidade para capturar a presa em movimento. Outros animais que têm visão colorida são os répteis e o beija-flor. Este, aliás, vê uma faixa de luz que não é sensível ao olho humano. “Somos capazes de ver na faixa de 400 a 700 nanômetros (unidade de medida), enquanto o beija-flor vê numa faixa abaixo de 400, que é a visão ultravioleta”, argumentou a especialista.

Se tivéssemos como criar um óculos com células receptoras semelhantes às do beija-flor, teríamos uma capacidade de visão muito diferente, diz. Ao captar a imagem de uma flor, o pássaro é capaz de ver mais cores, daí, como diria um poeta, não há como resistir à beleza e tocá-la celebrando a natureza com o seu canto e beijo suave.

Formas são diferentes e marcantes

O estudo do sistema sensorial importante para a sobrevivência humana, segundo Silene Lima, ao explicar que a visão é determinada por quatro atributos, a cor, forma, profundidade e movimento, que são dinâmicos, de acordo com a espécie.

A pesquisadora justifica o desejo de estudar essa área por conta dessas características.

Entre os animais que têm capacidade de ver as cores estão os répteis e as aves. Uma que encanta os observadores é o Tangará, que tem um belíssimo canto e alguns aspectos do seu comportamento, especialmente na dança pré-nupcial, quando exibe o colorido da penugem num rito que se repete a cada vez diante das fêmeas. Há estudos para saber se elas são seduzidas pelas cores, destaca. Depois de realizar pesquisas com primatas, mamíferos e peixes, ela anuncia uma parceria com o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa) para se aprofundar no estudo da visão das aves

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