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Especialistas em saúde do AM temem aumento dos casos de zika durante os Jogos Olímpicos

Contudo, o evento esportivo tem vários fatores preocupantes, o principal deles, a proliferação do vírus Zika, mas, por hora, o possível surto é descartado 08/03/2016 às 18:56
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A diretora-presidente da FMT, Graça Alecrim, alerta para que a população continue com as atividades de prevenção ao mosquito Aedes aegypti
Náferson Cruz ---

Em meio a uma epidemia do vírus Zika e o surto de casos de bebês com microcefalia, os Jogos Olímpicos Rio-2016, que acontece entre 5 a 21 de agosto e que terá Manaus, como uma das sedes, vai receber milhares de turistas, no entanto, especialistas em doenças infecciosas advertem contra a possível aumento da transmissão do vírus durante este período.

Contudo, o evento esportivo tem vários fatores preocupantes, o principal deles, a proliferação do vírus Zika, mas, por hora, o possível surto é descartado. O infectologista Bernardino Albuquerque, diretor-presidente da Fundação de Vigilância em Saúde (FVS-AM) – instituição vinculada à Secretaria Estadual de Saúde (Susam) –, afirma que o temor de aumento dos casos de febre Zika, durante as Olimpíadas, por conta da quantidade de gente transitando na cidade, não encontra respaldo nos dados epidemiológicos. Zika, dengue e chikungunya são doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti.

O titular da FVS-AM, destaca que em termos estatísticos, 80% dos casos de dengue – entre as três doenças, a que temos registro há mais tempo – se concentram no período que vai de dezembro a maio, portanto, não coincide com o período das Olimpíadas.

Trazido por turistas

Há ainda, a especulação de que o vírus Zika, tenha sido trazido por turista que vieram para a Copa, embora não tenha sido comprovado. “Não há dados de que o exame tenha sido feito naquela época e de que o vírus tenha vindo por turistas e começou a se dispersar, isso é uma hipótese, mas não podemos afirmar nada, porque ninguém conseguiu detectar isso na época, o evento ocorreu e havia pessoas de outros locais e, provavelmente teria o vírus circulando, mas não tem como afirmar isso”, comentou Graça Barbosa, entomologista da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) .

Casos de infectados por arborviroses foram registrados

A responsável pela gerência de Virologia da Fundação de Medicina Tropical Dr. Heitor Vieira Dourado (FMT-HVD) Márcia Castilho, informa que, além das doenças transmitidas pelo mosquito Aedes aegypti, há ainda as arboviroses, como as febres Oropouche e Mayaro, transmitidas por insetos que circulam na Amazônia. De acordo com Castilho, os sintomas são parecidos com os da dengue, febre Chikungunya e Zika vírus. “Recebermos bastante solicitações neste período sazonal de doenças temáticas, mas para as febres Oropouche e Mayaros, os registros são muito baixos, uma vez que, não são doenças de notificação compulsória, mas estão dentro do diagnóstico em nossos laboratórios por serem arboviroses dentro de nossa região”, explicou Castilho.

O vice-diretor de pesquisas do Instituto Leônidas e Maria Deane (ILMD)/Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz-Amazônia), Felipe Naveca, admite que os sintomas das febres Oropouche e a Mayaro podem confundir e, com isso, influenciar no aumento de casos suspeitos de dengue e Zika vírus. Conforme ele, essa hipótese não pode ser descartada, mas por enquanto, o instituto está priorizando os testes para o Zika. A diretora-presidente da FMT, Graça Alecrim, alerta para que a população continue com as atividades de prevenção ao mosquito Aedes aegypti, única forma de combater as molésticas causadas pelo inseto.


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