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Cotidiano
Desafio urbano de Manaus

Especialistas em urbanismo palestram sobre reorganização de uma cidade

A proposta do evento realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Amazonas (Sinduscon-AM) é pautar a sociedade manauara, profissionais e estudantes da área, sobre a discussão e planejamento da cidade 17/09/2016 às 13:47 - Atualizado em 17/09/2016 às 13:49
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Seminário aconteceu no auditório da Fieam, no Centro. (Euzivaldo Queiroz)
Luana Carvalho Manaus (AM)

Saúde, educação, saneamento, drenagem, mobilidade, entre tantos outros serviços necessários para o funcionamento de uma cidade foram discutidos, na manhã da última sexta-feira (16), no Seminário de Desafio Urbano de Manaus, que aconteceu no auditório da Federação das Indústrias do Estado do Amazonas (Fieam), no Centro. 

Os especialistas em urbanismo Pedro Paulo Cordeiro, Roberto Moita e Cláudio Bernardes - que veio de São Paulo para falar sobre a otimização do adensamento e os impactos na mobilidade urbana - palestraram durante toda a manhã sobre os desafios e soluções para a reorganização de uma cidade. 

“Não se deve pensar em urbanismo sem ser integradamente. Como vamos pensar em habitação sem pensar na questão da mobilidade? Como vamos pensar na mobilidade sem pensar na questão ambiental? Está na hora de pegarmos tudo isso e unificarmos para que facilite a questão da implantação”, destacou Pedro Paulo Cordeiro, membro do Conselho Superior do Instituto de Arquitetos do Brasil. 

Para ele, a reordenação de Manaus só será possível com  planejamento a médio e longo prazo. “O problema de mobilidade e habitação em Manaus não se resolve em quatro anos. Está na hora de se repensar Manaus, com planejamento a médio e longo prazo. Não custa tão caro se implantarem um plano da maneira correta. Com planejamento, em 20 anos Manaus poderia começar a sentir a diferença para melhor”, estima. 

Para o arquiteto, a solução está em pulverizar a capital, com serviços necessários em cada região, para evitar grandes deslocamentos da população. “O bairro Parque 10 é um bom exemplo porque os moradores podem circular a pé, tem supermercado, bancos, parques, área comercial. Temos que começar a equilibrar todos esses usos, não é fácil, mas é possível. Investindo em construção de parques, escolas e hospitais, descentralizando esses serviços”. 

Ele citou o Conjunto Habitacional Viver Melhor como uma forma negativa de urbanização.  “Conceitualmente é bom porque gera habitação social. Mas a gestão e implantação é péssima, porque coloca o pobre longe da cidade”. 
O especialista Cláudio Bernardes, um dos principais nomes da engenharia no Brasil,  compactua do mesmo pensamento e aponta duas formas de se resolver os gargalos de mobilidade em uma cidade.

“Uma é  investir pesado em transporte de massa, uma solução demorada e cara, mas tem que ser feito. Outra é planejar uma estrutura modelo de ocupação na cidade que faça com que as pessoas tenham que se deslocar menos pra fazer suas atividades do dia a dia, essa é a grande jogada pra países que não tem dinheiro pra investir pesado em transporte público”, ressalta. 

O evento foi realizado pelo Sindicato da Indústria da Construção Civil no Amazonas (Sinduscon-AM).
 

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